{"id":10317,"date":"1998-07-31T00:00:00","date_gmt":"1998-07-31T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T03:26:20","modified_gmt":"2017-09-15T03:26:20","slug":"a-euforia-irreal-do-megaleilao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-euforia-irreal-do-megaleilao\/","title":{"rendered":"A euforia (ir)real do megaleil\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>01. Nem tanto ao mar, nem tanto \u00e0 terra&#8230; A velha m\u00e1xima da pondera\u00e7\u00e3o sempre escapa ao controle de significativa parcela dos noticiosos tupiniquins, desde que o assunto seja os feitos do governo FHC. A cobertura jornal\u00edstica do megaleil\u00e3o desta semana primou pela euforia ufanista, tal e qual os comentaristas esportivos fizeram na recente Copa do Mundo. Desta feita, por\u00e9m, o mote entoou que o Pa\u00eds finalmente teria uma telefonia de Primeiro Mundo, via multinacionais das telecomunica\u00e7\u00f5es. E o jarg\u00e3o mais repetido, indiscutivelmente, cantou loas a FHC pela magn\u00e2nima vit\u00f3ria&#8230;<\/p>\n<p>02. \u00c9 voz corrente que n\u00f3s, brasileiros, temos o incontrol\u00e1vel impulso de transformar alegrias e tristezas num grande samba enredo, desses que sacodem essa esburacada avenida chamada Brasil. Tem hora que \u00e9 asfalto do bom, liso e macio. Em outras (muitas) oportunidades \u00e9 um lama\u00e7al brabo, de atolar trator&#8230;<\/p>\n<p>03. O maior leil\u00e3o da Hist\u00f3ria enfeiti\u00e7ou nossa Imprensa, que n\u00e3o conseguiu escapar do \u00f4ba-\u00f4ba. A not\u00edcia acabou se transformando num grande espet\u00e1culo, claro que sempre servindo aos interesses dos donos do Poder e de olho na pontua\u00e7\u00e3o do Ibope&#8230; Ano eleitoral e valendo reelei\u00e7\u00e3o, a\u00ed sim que o pote transbordou&#8230;<\/p>\n<p>04. Sinceramente. N\u00e3o sei se cabe tanta comemora\u00e7\u00e3o. Na verdade, os 17 milh\u00f5es de brasileiros que est\u00e3o na fila do telefone podem sorrir de esperan\u00e7a. Suas chances de dizer al\u00f4 aumentaram consideravelmente. Mas, se os 22 bilh\u00f5es de d\u00f3lares arrecadados v\u00e3o se transformar em benef\u00edcios sociais, ningu\u00e9m confirma, nem garante&#8230; E, para quem como n\u00f3s sabe do saco-sem-fundo das contas oficiais, vale ficar esperto. Afinal, h\u00e1 no Pa\u00eds uma legi\u00e3o em torno de 30 milh\u00f5es de miser\u00e1veis que, esparramados pelos grot\u00f5es e periferias, almejam pelas m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia. Coisas \u00f3bvias como uma casa para morar, comer ao menos uma vez ao dia, acesso \u00e0 Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e um trabalho digno.<\/p>\n<p>05. Tais compromissos, vale sempre lembrar, fizeram parte da m\u00e3o espalmada do homem quando quis ser o presidente do Real. Esses compromissos permanecem esquecidos ainda hoje. Digamos que foram adiados para o pr\u00f3ximo mandato. Ali\u00e1s, como sempre aconteceu na Hist\u00f3ria recente do Pa\u00eds. Primeiro, quem nos mant\u00e9m no Poder (os amigos, a classe m\u00e9dia, lobistas, banqueiros&#8230;); depois, se der, quem mesmo?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. 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