{"id":10391,"date":"2006-10-24T00:00:00","date_gmt":"2006-10-24T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T20:02:25","modified_gmt":"2017-09-15T20:02:25","slug":"o-carteiro-e-o-poeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-carteiro-e-o-poeta\/","title":{"rendered":"O carteiro e o poeta"},"content":{"rendered":"<p>&#8212; Mas eu me sinto assim, como um barco num mar de palavras &#8230;<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea do personagem M\u00e1rio Rutuolo, o carteiro do filme Il Postino (O Carteiro e o Poeta, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1995) parece-me exemplar para come\u00e7ar a refletir sobre os acontecimentos das \u00faltimas semanas. E n\u00e3o estou a falar s\u00f3 da sucess\u00e3o de debates entre presidenci\u00e1veis em que os candidatos ficam a brandir n\u00fameros, cifras e promessas mirabolantes de um Brasil que sinceramente n\u00e3o conhecemos. Sinceramente, n\u00e3o sei como acreditam que algu\u00e9m acredita. Ou que servem de algum esclarecimento. Falo tamb\u00e9m e principalmente do que vai em mim e nas pessoas que vejo ao meu redor, perdidas em um mar de compromissos, afazeres e desejos que, literalmente, mais confundem e desnorteiam do que realizam&#8230; <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que recorro \u00e0 obra em textos que escrevo. Confesso que, de tempos em tempos, essas inquieta\u00e7\u00f5es me assombram. E fico assim, entre o carteiro que nunca serei &#8211; pois, sou de natureza trapalh\u00e3o &#8211; e o poeta que, de quando em quando, se arrisca a convencer algu\u00e9m que vale encantar-se diante do milagre da vida, mas nunca desperdi\u00e7\u00e1-la&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>O filme, que faz parte do cat\u00e1logo de qualquer locadora que se preze, inspira-se no suposto ex\u00edlio do poeta chileno Pablo Neruda numa pequena ilha italiana, onde faz amizade com o carteiro do lugarejo. <\/p>\n<p>Fascinado pelo modo de vida do poeta e pelo poder de sedu\u00e7\u00e3o da poesia junto \u00e0s mulheres, M\u00e1rio, um semi-analfabeto filho de pescador que fica gripado s\u00f3 de pensar em enfrentar o mar, tenta entender o que \u00e9 met\u00e1fora, pois est\u00e1 disposto, tamb\u00e9m ele, a escrever versos. <\/p>\n<p>Apaixonado pela bel\u00edssima Beatrice, recorre ao poeta para lhe ensinar o encanto das palavras.<\/p>\n<p>Neruda procura explicar tecnicamente o processo de constru\u00e7\u00e3o de um poema, mas n\u00e3o obt\u00e9m qualquer \u00eaxito. Ambos est\u00e3o sentados na praia diante do bel\u00edssimo azul do mar Mediterr\u00e2neo e, como \u00faltimo expediente, Neruda recita uma de suas poesias que relaciona o imprevis\u00edvel ir e vir das ondas com o dos cora\u00e7\u00f5es apaixonados.<\/p>\n<p>Quando termina o soneto, o poeta pergunta: \u201cE ent\u00e3o gostou?\u201d E o carteiro faz, sem se dar conta, o seu primeiro verso e passa a entender o que \u00e9 met\u00e1fora&#8230; \u201cMas, eu me sinto assim como um barco num mar de palavras\u201d.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Gostaria de ter a serenidade de Neruda, mas estou longe disso. Identifico-me mais com o carteiro. Mesmo assim insisto, aqui neste espa\u00e7o, em me espelhar no poeta e sofrivelmente divulgar, aos eventuais interessados, que o bem maior dessa vida resume-se a sentimentos\/virtudes essencialmente simples: solidariedade, f\u00e9 e amor, amor, amor&#8230; <\/p>\n<p>\u00c9 isso que o mundo precisa para ficar melhor. \u00c9 algo que n\u00e3o se ensina. Mas, existe em cada um de n\u00f3s. E para vir \u00e0 tona, para aflorar, basta que algu\u00e9m nos incite a exercit\u00e1-los em pensamentos, palavras e obras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8212; Mas eu me sinto assim, como um barco num mar de palavras &#8230;<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea do personagem M\u00e1rio Rutuolo, o carteiro do filme Il Postino (O Carteiro e o Poeta,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10391","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10391","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10391"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10391\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17468,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10391\/revisions\/17468"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10391"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10391"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10391"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}