{"id":10583,"date":"1996-04-26T00:00:00","date_gmt":"1996-04-26T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-13T19:57:00","modified_gmt":"2017-09-13T19:57:00","slug":"ismael-fernandes-nosso-colunista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ismael-fernandes-nosso-colunista\/","title":{"rendered":"Ismael Fernandes, nosso colunista"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;A arte nos ensina a sonhar&#8221;<\/p>\n<p>Ismael Fernandes sempre demonstrou um carinho um carinho especial com a coluna de TV que, h\u00e1 22 anos, assinava em Gazeta do Ipiranga. Dizia que esse espa\u00e7o semanal foi ponto de partida para todas as conquistas de sua vitoriosa trajet\u00f3ria profissional. Para a tristeza de todos n\u00f3s, de GI, Ismael morreu \u00e0s 23h55 de quinta-feira, dia 18, de parada card\u00edaca, provocada por complica\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias. Um dia antes, passou pela Reda\u00e7\u00e3o. Deixou a coluna, brincou com os rep\u00f3rteres e revisores (a quem chamava de a nova safra da Gazetinha) e, antes de sair acompanhado do irm\u00e3o Rubens, recomendou discretamente: \u201cV\u00ea se d\u00e1 um bom destaque para a minha mat\u00e9ria, hein. Voc\u00ea sabe que eu mere\u00e7o. Sou prata da casa\u201d.<\/p>\n<p>Para o jornalista, de 51 anos, nascido e criado na Vila Carioca, era por meio do nosso jornal que ele se sentia em sintonia com a sua gente. Ismael n\u00e3o abria m\u00e3o dessa integra\u00e7\u00e3o. Ele se auto-intitulava um recordista, digno de figurar no Guiness Book. Explicava: nenhum jornalista brasileiro manteve uma coluna de TV por tanto tempo num mesmo jornal. \u201cHavia a coluna do Ferreira (Netto) na Folha da Tarde. Mas, mudou de endere\u00e7o. Agora, o recorde \u00e9 nosso\u201d \u2013 comemorava, em tom de brincadeira, repartindo seu feito com todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m creditava \u00e0 coluna de GI o impulso inicial para que realizasse, inquestionavelmente, sua grande obra: o livro Mem\u00f3ria da Telenovela Brasileira, lan\u00e7ado em 82, com duas reedi\u00e7\u00f5es atualizadas e tiragem esgotada nas livrarias de todo o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia surgiu de forma simples. Como colunista, ele visitava semanalmente as emissoras de TV \u00e0 cata de not\u00edcias. Sempre que precisava de alguma informa\u00e7\u00e3o mais antiga, voltava para \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o desalentado. N\u00e3o entendia o descaso com que o nosso g\u00eanero televisivo mais popular era tratado. N\u00e3o havia qualquer refer\u00eancia \u00e0s primeiras novelas da TV brasileira. Inc\u00eandios, despreparo dos respons\u00e1veis e indiferen\u00e7a foram as causas mais comuns do esquecimento. Foi ent\u00e3o que o jornalista saiu de cena para dar lugar ao inveterado pesquisador. Ismael tomou para si a tarefa de resgatar essa d\u00edvida com a cultura nacional.<\/p>\n<p>&#8212; Meu livro \u00e9 maior do que eu \u2013 dizia humildemente. As emissoras perderam tudo: arquivos, fotos, scripts, ficha t\u00e9cnica. N\u00e3o entenderam a grandiosidade do g\u00eanero, que hoje tem alcance mundial. Tamb\u00e9m n\u00e3o concebo como as grandes editoras, com recursos e disponibilidade de pessoal, n\u00e3o se lan\u00e7aram nessa empreitada. \u00c9 um trabalho para ser feito por uma equipe. Dei sorte de guardar e catalogar tudo o que lia ou o que recebia das assessorias de imprensa sobre novela. O brasileiro tem verdadeira idolatria pelo folhetim. \u00c9 sua grande v\u00e1lvula de escape. Vinte Maracan\u00e3s lotados assistem diariamente as tramas da novela das oito. Isso \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno popular impressionante.<\/p>\n<p>A bem da verdade, essa paix\u00e3o desenfreada por telenovela acabou por dar novos rumos \u00e0 sua vida. Logo, ele estava do outro lado do balc\u00e3o. Virou autor e ferrenho defensor da linguagem do folhetim. Escreveu Meus Filhos, Minha Vida e Uma Esperan\u00e7a no Ar, para o SBT. Participou como roteirista da readapta\u00e7\u00e3o de As Pupilas do Senhor Reitor e montou uma pe\u00e7a de teatro que era a pr\u00f3pria ess\u00eancia de tudo o que pensava. Seu nome: Novela das Oito, que em 85 ficou tr\u00eas meses em cartaz em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ismael tamb\u00e9m fez a tradu\u00e7\u00e3o de alguns originais mexicanos para o SBT, inclusive o mais famoso desses enlatados, Carrossel. Colaborou como jornalista em diversas publica\u00e7\u00f5es (Isto \u00c9, Folha, Estad\u00e3o, Contigo, entre outras) e fazia palestras sobre televis\u00e3o e novelas. De quebra, assessorava a esposa, a professora Joana Cosmos Fernandes, na administra\u00e7\u00e3o dos institutos educacionais, Refor\u00e7o Escolar.<\/p>\n<p>&#8212; Eu que bolei o nome. Mas, a Joana diz para todo mundo que foi ela \u2013 provocava Ismael s\u00f3 para ouvir as explica\u00e7\u00f5es da mulher, com quem estava casado (e super feliz) h\u00e1 18 anos.<\/p>\n<p>Apesar de todos os compromissos \u2013 Ismael era um nome de express\u00e3o nacional &#8211;, a coluna de GI era compromisso de honra. Se n\u00e3o chegava \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o, via fax, na manh\u00e3 de ter\u00e7a-feira, era o pr\u00f3prio Ismael quem a entregava, pessoalmente, na quarta-feira. Em tom de deboche, parodiava a si mesmo e aos freq\u00fcentes acessos de bronquite asm\u00e1tica, que o perseguiam desde crian\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8212; Acudam, acudam. Tem um senhor idoso querendo subir as escadas. Venham me ajudar \u2013 era outro de seus habituais trotes.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de 20 dias, o falecimento inesperado de sua m\u00e3e, dona Tereza, abalou profundamente sua voca\u00e7\u00e3o para alegria e brincadeiras. Ismael era o filho mais velho de uma fam\u00edlia de cinco irm\u00e3os \u2013 Gilberto, Ademir, Rubens e Silvana. Ele andava preocupado com seu pai, seu Clemente, que foi morar em Indaiatuba. Estava bem ambientado com a cidade e agora, com a morte da dona Tereza, teria que voltar para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Por outro lado, sentia-se realizado ao acompanhar o crescimento dos filhos, In\u00eas (16 anos) e Gabriel (15). Pessoalmente cuidava da viagem que ambos far\u00e3o ao Exterior, agora em julho. Gabriel vai para S\u00e3o Francisco (EUA) num interc\u00e2mbio cultural e In\u00eas para a Espanha aprimorar-se em dan\u00e7a flamenga (outra das paix\u00f5es de Ismael).<\/p>\n<p>&#8212; Se der eu e a Joana vamos para a Europa. \u00c9 um velho sonho nosso \u2013 planejava.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o de mais este sonho dependia unicamente de seus compromissos profissionais. Ainda em mar\u00e7o, ele assinou contrato com a TV Plus, no Rio de Janeiro. Seria a respons\u00e1vel pelo texto de O Campe\u00e3o, novela que atualmente est\u00e1 sendo exibida na TV Bandeirantes. Ismael tamb\u00e9m preparava a quarta reedi\u00e7\u00e3o do seu livro Mem\u00f3rias da Telenovela Brasileira e, para os mais pr\u00f3ximos, confessava o sonho de escrever uma novela de cunho religioso. J\u00e1 havia feito contatos com a Rede Viva para uma eventual produ\u00e7\u00e3o futura. Cat\u00f3lico praticante, Ismael era devoto da beata Madre Paulina e de Santa Edwiges.<\/p>\n<p>&#8212; A hist\u00f3ria da vida de ambas \u00e9 bel\u00edssima e sempre atual. S\u00e3o exemplos de f\u00e9 e humildade.<\/p>\n<p>O corpo de Ismael Fernandes foi velado sexta-feira, no cemit\u00e9rio da Vila Mariana. \u00c0s 16 horas, o cortejo f\u00fanebre chegou ao cremat\u00f3rio da Vila Alpina. Ismael, com o recrudescer das crises de bronquite, j\u00e1 havia manifestado a inten\u00e7\u00e3o de ser cremado. A missa de s\u00e9timo dia ser\u00e1 realizada hoje, a partir das 20h30, na Igreja S\u00e3o Jos\u00e9 da rua Brigadeiro Jord\u00e3o esquina com Agostinho Gomes. L\u00e1, os amigos poder\u00e3o fazer sua derradeira homenagem ao homem que aprendeu a sonhar. E que, com sua arte, transformou sonhos em grata realidade.<\/p>\n<p>INVAS\u00c3O DAS NOVELAS<\/p>\n<p>(Esta \u00e9 a \u00faltima coluna do jornalista e escritor Ismael Fernandes para Gazeta do Ipiranga, jornal para o qual escreveu por 22 anos)<\/p>\n<p>A televis\u00e3o brasileira est\u00e1 mesmo revolucion\u00e1ria em sua programa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 no momento uma invas\u00e3o de telenovelas, com atra\u00e7\u00f5es em todas as redes. Entrando no mercado est\u00e3o a CNT\/Gazeta e a Bandeirantes. Na primeira, tivemos a estr\u00e9ia de Ant\u00f4nio dos Milagres, o mais audacioso projeto da Rede Vida que j\u00e1 apresentou Irm\u00e3 Catarina e Ele Vive. No canal 13 paulista, a expectativa com O Campe\u00e3o \u00e9 muito grande, embora a produ\u00e7\u00e3o carioca tenha sofrido muitos problemas desde seu lan\u00e7amento.<\/p>\n<p>Na Manchete, continua Tocaia Grande que, aos poucos, conseguiu arrebanhar uma boa faixa de p\u00fablico. No SBT, as esperan\u00e7as agora residem no remake de Meus Filhos, Minha Vida \u2013 que estr\u00e9ia em maio com o t\u00edtulo Raz\u00e3o de Viver e ser\u00e1 estrelada por Irene Ravache. L\u00e1 na Vila Guilherme, tamb\u00e9m surgiram problemas com as novelas. O maior deles foi com Ant\u00f4nio Alves, o Taxista, uma co-produ\u00e7\u00e3o Brasil e Argentina, estrelada por F\u00e1bio J\u00fanior, em que S\u00f4nia Braga abandonou a grava\u00e7\u00e3o cheia de queixas e chiliques.<\/p>\n<p>O mercado de telenovelas que movimenta milh\u00f5es a cada ano continua bastante oportuno para a Globo. Agora em maio, a emissora lan\u00e7a uma novidade. Vai mexer em seu principal hor\u00e1rio apresentando uma novela de 35 cap\u00edtulos \u2013 apenas seis semanas no ar. Trata-se de O Fim do Mundo, assinada por Dias Gomes, que est\u00e1 em alta no momento gra\u00e7as a excelente repercuss\u00e3o de Decad\u00eancia, a miniss\u00e9rie exibida em setembro do ano passado.<\/p>\n<p>Mas, os problemas tamb\u00e9m bateram nas novelas da Globo. Quem \u00e9 Voc\u00ea fez a audi\u00eancia das seis despencar 10 pontos e logo aconteceu uma troca de autores. Atualmente, Lauro C\u00e9sar Muniz tenta encontrar o eixo da hist\u00f3ria e conseguir reerguer os \u00edndices. Para tanto, buscou um dos mais conhecidos clich\u00eas da telenovela: uma super vil\u00e3 em a\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que C\u00e1ssia Kiss surgiu ap\u00f3s o cap\u00edtulo 31. Uma vil\u00e3 bem mexicana. O fato aborreceu a atriz que havia se despedido das novelas ap\u00f3s Fera Ferida. Disse que voltou porque gostou da personagem Beatriz. Agora vive reclamando pelos corredores.<\/p>\n<p>Bastidores<\/p>\n<p>A Manchete relembrou seus dias de audi\u00eancia \u00e0 la Pantanal com o Programa de Domingo, apresentado no \u00faltimo dia 14. Foram muitos pontos para o quadro que exibiu a vida das g\u00eameas siamesas americanas. Tanto que a emissora foi estimulada a reprisar a mat\u00e9ria. Muito bem conduzida, a reportagem n\u00e3o apresentou um simples apelo emocional. Ao contr\u00e1rio, exaltou o lado humano dessas irm\u00e3s unidas pelo mesmo corpo.<\/p>\n<p>Parece mentira, mas \u00e9 verdade. Os paulistas e cariocas poder\u00e3o assistir ao mega sucesso da Broadway, O Fantasma da \u00d3pera, a partir de maio. N\u00e3o ser\u00e1 nenhuma montagem nacional. Trata-se de uma produ\u00e7\u00e3o americana feita especialmente para viajar pelo mundo. Estima-se que 60 cidades do mundo inteiro j\u00e1 viram o musical. O espet\u00e1culo, que estreou em 1987 em Nova York, chegar\u00e1 ao Ol\u00edmpya, em S\u00e3o Paulo, para uma temporada de um m\u00eas e depois ter\u00e1 duas semanas no Metropolitan no Rio. ( Ismael Fernandes)<\/p>\n<p>* Gazeta do Ipiranga &#8211; 26\/04\/1996<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A arte nos ensina a sonhar&#8221;<\/p>\n<p>Ismael Fernandes sempre demonstrou um carinho um carinho especial com a coluna de TV que, h\u00e1 22 anos, assinava em Gazeta do Ipiranga.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-10583","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10583","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10583"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10583\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13881,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10583\/revisions\/13881"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}