{"id":10589,"date":"2007-04-25T00:00:00","date_gmt":"2007-04-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:32","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:32","slug":"de-chico-a-chiclete-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/de-chico-a-chiclete-2\/","title":{"rendered":"De Chico a Chiclete 2"},"content":{"rendered":"<p>V.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem chame os anos 80 de a d\u00e9cada perdida em termos culturais. At\u00e9 o papa vira pop. A MPB, idem. <\/p>\n<p>Configura-se o predom\u00ednio do rock a partir da explos\u00e3o da Blitz logo no in\u00edcio da d\u00e9cada. Lulu Santos (com N\u00e9lson Motta como parceiro em v\u00e1rias m\u00fasicas), Legi\u00e3o, Paralamas, Tit\u00e3s e Cazuza integram o primeiro time dessa gera\u00e7\u00e3o. Que ainda tem L\u00e9o Jaime, Lob\u00e3o, Marina Lima, Ira e menos cotados. <\/p>\n<p>A d\u00e9cada tamb\u00e9m fica marcada pelos grandes festivais, agora com outro formato. A celebra\u00e7\u00e3o substitui a competi\u00e7\u00e3o. Protestos mesmo, s\u00f3 quando a m\u00fasica acaba. Ou quando o pessoal vaia o rock bem-comportado do Kid Abelha e Herbet Viana, de olho na vocalista Paula Toller, manda a \u2018galera\u2019 ir pra casa aprender a tocar guitarra. Holywood Rock, Rock in Rio e assemelhados s\u00e3o sempre realizados em est\u00e1dios com ampla capacidade de lota\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Importante destacar que, nesse per\u00edodo, quem se consagra como grande nome de vendas \u00e9 a paulistana Rita Lee. S\u00f3 que, com um som de letras insinuantes e bem-humoradas. As melodias simples, muitas vezes, trazem o andamento das velhas marchinhas carnavalescas. \u201cChega Mais\u201d, \u201cLan\u00e7a Perfume\u201d e todas as outras que ainda hoje as r\u00e1dios n\u00e3o se cansam de tocar.  <\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 a baianidade ou a nordestinidade que p\u00f5e o esqueleto para requebrar. E para isso talvez seja importante voltarmos aos anos 70. <\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Fiz essa meia volta, na verdade, s\u00f3 para dar liga ao texto. Voc\u00eas me entender\u00e3o, acreditem. <\/p>\n<p>Meus caros, \u201c\u00e9 ferro na boneca, \u00e9 no gog\u00f3, nen\u00e9m\u201d. <\/p>\n<p>Com essa belezura de filosofia aportaram no sulmaravilha, em fins dos anos 60, tr\u00eas baianos e uma carioca, mas baiana de alma, cora\u00e7\u00e3o e escambo. <\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, era um terror defrontar-se com Moraes Moreira, Paulinho Boca-de-Cantor, Baby Consuelo e o compositor Moraes, ainda an\u00f4nimos cantantes das quebradas paulistanas. Eram uma vers\u00e3o tupiniquim da gera\u00e7\u00e3o hippye, com exageros e desmantelos. Dos cabelos \u00e0s roupas. Das apresenta\u00e7\u00f5es quase amadoras \u00e0 m\u00fasica estridente. <\/p>\n<p>Mas, em termos de balan\u00e7o e inventividade, os Novos Baianos revelaram-se imbat\u00edvel a partir do disco Acabou Chorare. Neste trabalho, j\u00e1 com a participa\u00e7\u00e3o de Pepeu Gomes, Dadi e outros, misturaram chorinho, rock, samba e o que mais pintasse. Foi um estrondo \u2013 uma tijolada nos vitrais das obviedades e do conservadorismo.<\/p>\n<p>O sucesso dos Novos Baianos inflou o ego de seus participantes que logo se lan\u00e7aram em carreira solo. Moraes Moreira foi o primeiro a sair. Baby e Pepeu logo seguiram o mesmo destino, depois de serem proibidos de entrar na Disneyl\u00e2ndia para n\u00e3o fazer concorr\u00eancia com o Mickey e o Pato Donald. Paulinho Boca de Cantor, mais reticente, esperou um tempo, mas tamb\u00e9m caiu na estrada numa carreira mais modesta. O baixista Dadi foi compor junto com o tecladista Mu e o Armandinho o grupo A Cor do Som.  <\/p>\n<p>O guitarrista Armandinho \u00e9 filho do lend\u00e1rio, fundador do primeiro trio el\u00e9trico: O Trio El\u00e9trico de Dod\u00f4 e Osmar. O disco Muitos Carnavais, de Caetano Veloso (que inclui a agitada \u201cChuva, Suor e Cerveja\u201d) e hits como \u201cFesta do Interior\u201d (gravada por Gal Costa) e \u201cPombo Correio\u201d, ambas de Moraes, \u201cPalco\u201d de Gilberto Gil com A Cor do Som, \u201cMasculino Feminino\u201d de Pepeu e \u201cMenino do Rio\u201d (Caetano Veloso) e \u201cTel\u00farica\u201d com Baby Consuelo e  prepararam terreno para o resgate do trio el\u00e9trico e do carnaval baiano. <\/p>\n<p>Assim os anos 80 se encerram com a alta do carnaval baiano. E o surgimento dos precursores do ax\u00e9: Luiz Caldas, Cid Guerreiro e o grupo Asa de \u00c1guia.<\/p>\n<p>VII. <\/p>\n<p>A nova d\u00e9cada desponta sob a \u00e9gide do Governo Collor. Da m\u00fasica sertaneja (em 89, Chit\u00e3ozinho e Xoror\u00f3 realizaram o primeiro show num casa considerada tipicamente classe m\u00e9dia em S\u00e3o Paulo, o Olympia) e da lambada (creiam, mas \u00e9 verdade e dou f\u00e9). O principal nome do dito g\u00eanero, igualmente dan\u00e7ante, voc\u00eas devem lembrar, era o qualquer-coisa Beto Barbosa. N\u00e3o tor\u00e7am o nariz, mas a garotada deu de gostar do molejo do cidad\u00e3o e a lambada, por mais chinfrim que pare\u00e7a, foi importante para implodir todo e qualquer preconceito quanto aos ritmos do norte e nordeste. <\/p>\n<p>Em 92, a baiana Daniela Mercoury vem a S\u00e3o Paulo caitituar seu  primeiro disco e a praga do ax\u00e9-music se espalha por toda a cidade, estado, Pa\u00eds. A\u00ed, o sulmaravilha descobre que existem outras bandas, entre as quais o Chiclete Com Banana&#8230;  <\/p>\n<p>O resto da hist\u00f3ria&#8230; Bem. Para ser sincero, n\u00e3o sei contar. Mas, aposto, a garotada que me l\u00ea sabe de cor e salteado. P\u00f5e salteado nisso&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem chame os anos 80 de a d\u00e9cada perdida em termos culturais. At\u00e9 o papa vira pop. A MPB, idem. <\/p>\n<p>Configura-se o predom\u00ednio do rock a partir da explos\u00e3o da Blitz logo no in\u00edcio da d\u00e9cada.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10589","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10589"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10589\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17303,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10589\/revisions\/17303"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}