{"id":10592,"date":"2007-04-27T00:00:00","date_gmt":"2007-04-27T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:32","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:32","slug":"eu-ajudante-de-agrimensor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/eu-ajudante-de-agrimensor\/","title":{"rendered":"Eu, ajudante de agrimensor"},"content":{"rendered":"<p>Escrevi aqui num post-cr\u00f4nica que, por um brev\u00edssimo tempo na minha vida, fui auxiliar ou ajudante de agrimensor. Ontem, algu\u00e9m me perguntou:<\/p>\n<p>&#8212; Mas, professor, que diabo \u00e9 isso?<\/p>\n<p>Foi o suficiente. Para que eu entrasse na m\u00e1quina encantada do tempo-que-se-foi. Portanto, meus car\u00edssimos cinco ou seis leitores, como diria aquele simp\u00e1tico contador de causos, sentem porque l\u00e1 vem hist\u00f3ria&#8230;<\/p>\n<p>(Ou voc\u00eas acham que eu  me contentaria com uma explica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica?)<\/p>\n<p>I.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei j\u00e1 lhes informei da m\u00e1 fama que arregimentei quando era alegre e jovem? <\/p>\n<p>De fam\u00edlia remediada para pobre, era h\u00e1bito naquela \u00e9poca todos come\u00e7arem a trabalhar muito cedo. Verdadeiramente para essa, digamos, classe social, os estudos de um filho vinham depois de um emprego que ajudasse no or\u00e7amento familiar.<\/p>\n<p>Meu pai n\u00e3o pensava assim. <\/p>\n<p>Queria que eu estudasse. N\u00e3o especificava o como, nem o porqu\u00ea. Mas, deixava claro:<\/p>\n<p>&#8212; Meu filho vai ser doutor.<\/p>\n<p>Para a vizinhan\u00e7a da Muniz de Souza, os parentes dos dois lados e intrometidos de plant\u00e3o, essa postura era muito criticada. Mas, as trombetas de tias, cunhados e conhecidos n\u00e3o soavam no ouvido do Velho Aldo, calabr\u00eas e respond\u00e3o. Em compensa\u00e7\u00e3o, o coral dos descontentes cantava estridente nos t\u00edmpanos da Dona Yolanda, minha m\u00e3e. Que por mais pacienciosa que era, n\u00e3o suportou as insinua\u00e7\u00f5es que eu n\u00e3o era l\u00e1 muito chegado ao trabalho. Onde j\u00e1 se viu? Um molec\u00e3o daquele tamanho e n\u00e3o ajudava em casa nem com um vint\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8212; Olha que belo vagabundo est\u00e1 me saindo aquele &#8211; diziam deste que escreve essas linhas nost\u00e1lgicas, nesta sexta de chuva pregui\u00e7osa.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Olhem quanta maldade!<\/p>\n<p>Havia at\u00e9 quem insinuasse que eu era muito parecido com o Beto Rockfeller, protagonista de uma famosa novela da TV Tupi. O protagonista era Luiz Gustavo, que fazia o papel de um simp\u00e1tico 171, mas do bem. Pobret\u00e3o que era, usava de mil expedientes para se fazer passar por milion\u00e1rio e freq\u00fcentar as melhores rodas paulistanas. <\/p>\n<p>Lembro de uma cena engra\u00e7ad\u00edssima. <\/p>\n<p>Um rica\u00e7o estrearia um novo iate com uma &#8216;festa de arromba&#8217;, para usar o termo da \u00e9poca. Toda a alta sociedade se faria presente no Guaruj\u00e1 e, \u00f3bvio, que nosso her\u00f3i se incluiu entre os tais. Fez o poss\u00edvel para ser convidado \u2013 e foi. Mas, a\u00ed, surgiu outra quest\u00e3o: como chegar no iate ancorado a uma razo\u00e1vel dist\u00e2ncia da praia. Beto e seu fiel escudeiro (interpretado por Pl\u00ednio Marcos) precisariam alugar um barco ou mais precisamente ter um que o levasse at\u00e9 a festa. Claro que eles n\u00e3o poderiam chegar de smoking e de barco a remo.<\/p>\n<p>Beto encontrou a solu\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria praia. Um garoto de nove, dez anos tirava onda num pranchinha, que \u00e0 \u00e9poca era conhecida como \u2018jacar\u00e9\u2019 quando o anti-her\u00f3i teve a arrojada id\u00e9ia. Tomou a prancha emprestada do garoto \u2013 que se p\u00f4s a chorar \u2013 e n\u00e3o teve d\u00favidas: nadou at\u00e9 o iate. <\/p>\n<p>Chegou estropiado, mas chegou e de mai\u00f4 com uma estampa psicod\u00e9lica. Os convivas o saudaram como um \u2018milion\u00e1rio extravagante\u2019. Ele agradeceu e se aproximou do anfitri\u00e3o, incr\u00e9dulo e feliz com a presen\u00e7a do amigo. Beto aproveitou e pediu \u2018umas roupinhas emprestadas\u2019, pois n\u00e3o poderia ficar na festa com aqueles trajes. <\/p>\n<p>Minutos depois ele reaparece em cena, elegantemente vestido, a &#8216;paquerar&#8217; todas as mulheres &#8211; todas n\u00e3o, minto, s\u00f3 as muitas ricas e bonitas.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Vejam que compara\u00e7\u00e3o! <\/p>\n<p>Eu at\u00e9 que gostava de parecer (n\u00e3o parecendo) com um cara que fazia sucesso na TV. Mas, a Dona Yolanda odiava. Tanto que resolveu agir. Mesmo contra a vontade do Ald\u00e3o \u2013 coisa que ela n\u00e3o fez em 56 anos de casamento. Buscou nos seus guardados um n\u00famero de telefone de um velho tio, irm\u00e3o do meu av\u00f4 Carlito, e rumou decidida para um telefone p\u00fablico&#8230;<\/p>\n<p>Mas, essa \u00e9 uma outra hist\u00f3ria. Ou a verdadeira hist\u00f3ria do ajudante de agrimensor que, juro, amanh\u00e3 eu conto&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrevi aqui num post-cr\u00f4nica que, por um brev\u00edssimo tempo na minha vida, fui auxiliar ou ajudante de agrimensor. 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