{"id":10594,"date":"2007-04-29T00:00:00","date_gmt":"2007-04-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:32","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:32","slug":"eu-ajudante-de-agrimensor-parte-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/eu-ajudante-de-agrimensor-parte-3\/","title":{"rendered":"Eu, ajudante de agrimensor &#8211; Parte 3"},"content":{"rendered":"<p>VII. <\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de segunda, foi montada uma opera\u00e7\u00e3o de guerra com a reuni\u00e3o de v\u00e1rias equipes de agrimensores numa pra\u00e7a perto do aeroporto. \u00cdamos esquadrinhar toda aquela regi\u00e3o e preparar a \u00e1rea para transformar aquele fundo de vale numa grande avenida que cortaria S\u00e3o Paulo de leste a oeste. Uma tal de avenida dos Bandeirantes. <\/p>\n<p>Como disse anteriormente, n\u00e3o entendia nada daquelas conversas que, ali\u00e1s, n\u00e3o me interessavam.  Mas, fiquei feliz quando soube que o pessoal do Alberto iria rastrear  todas as imedia\u00e7\u00f5es da avenida Miruna  &#8212; ruas transversais e paralelas. <\/p>\n<p>Porque fiquei feliz? Simples. Sabia por ouvir falar que a TV Record \u2013 ent\u00e3o l\u00edder absoluta de audi\u00eancia \u2013 estava localizada na tal avenida. A chance de ver algum artista por ali me daria uma certa notoriedade junto aos meus amigos. Que, como todos, estranhavam quando eu dizia o que andava fazendo profissionalmente.<\/p>\n<p>&#8212; Ajudante de agrimensor? Cada uma que escuto. Conta a verdade, cara. Voc\u00ea faz o qu\u00ea?<\/p>\n<p>Desisti de explicar. At\u00e9 porque ningu\u00e9m parava para ouvir. Quem sabe se falasse que havia encontrado a Elis Regina ou o Roberto Carlos, algu\u00e9m se interessaria pelo assunto.<\/p>\n<p>&#8212; Ent\u00e3o, falei: Roberto, s\u00f3 um minuto, n\u00e3o saia do lugar que estou terminando umas medi\u00e7\u00f5es importantes&#8230;<\/p>\n<p>Sempre tive tend\u00eancia a imaginar coisas&#8230;<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>Bem,  vamos ser pr\u00e1ticos. Passei nove dias no estica e puxa daquelas ruas e vi, \u00e0 dist\u00e2ncia, apenas dois artistas. O compositor Adoniran Barbosa, de gravata borboleta, chap\u00e9u e copo de u\u00edsque na m\u00e3o. Era dez horas da manh\u00e3, ele estava sentado \u00e0 mesa de um  bar avarandado em frente \u00e0 Record. E a cara de poucos amigos do autor de \u201cTrem das Onze\u201d n\u00e3o deixava a menor d\u00favida. <\/p>\n<p>Passei direto e reto com meu kit de \u2018oper\u00e1rio padr\u00e3o\u2019. Estou certo, foi a melhor decis\u00e3o. Puxei a trena na boa, ajeitei a r\u00e9gua, o prumo e fui \u2018cantar\u2019 os n\u00fameros s\u00f3 quando cheguei no outro setor.<\/p>\n<p>Eu, hein!!!<\/p>\n<p>IX.<\/p>\n<p>L\u00e1 pelo sexto ou s\u00e9timo dia de trampo, conhecemos outra celebridade da Record. O humorista e produtor do Concurso de Bandas e Fanfarras, Durval de Souza. De uma extraordin\u00e1ria simpatia, acolheu nossa equipe em sua casa, situada numa das ruas que med\u00edamos, quando come\u00e7ou uma aben\u00e7oada chuva. Aben\u00e7oada porque quando chovia t\u00ednhamos que paralisar o servi\u00e7o e esperar a melhora do tempo.  <\/p>\n<p>Acertou quem desconfiou que S\u00e3o Pedro era o santo mais acionado por mim nesses dias. Uma garoinha que fosse \u2013 e o Alberto, mesmo contrariado, mandava todo mundo  procurar abrigo. Nesse dia, por acaso, paramos em frente \u00e0  resid\u00eancia do artista. Que se mostrou sol\u00edcito e preocupado.<\/p>\n<p>&#8212; Teremos desapropria\u00e7\u00f5es por aqui, ent\u00e3o \u2013 afirmou em tom de pergunta.<\/p>\n<p>&#8212; V\u00e3o derrubar tudo por aqui. Vai ser uma avenidona&#8230;<\/p>\n<p>Era eu j\u00e1 vivenciando o lado sensacionalista da not\u00edcia. O Alberto n\u00e3o gostou.<\/p>\n<p>&#8212; Esse meu primo tem um parafuso a menos&#8230;<\/p>\n<p>X.<\/p>\n<p>A impress\u00e3o ficou mais evidente no dia seguinte. <\/p>\n<p>T\u00ednhamos que medir um cruzamento e a\u00ed era preciso ter um cuidado extra. Pois, n\u00e3o pod\u00edamos atrapalhar o tr\u00e2nsito e tomar cuidado com os instrumentos, especialmente a trena. Deixa-la sempre rente ao ch\u00e3o para evitar acidentes. Foi exatamente o que n\u00e3o fiz quando me distrai por um segundo. Levantei um tantinho a fita m\u00e9trica que enroscou nos pneus de um autom\u00f3vel e voou longe. N\u00e3o houve feridos, mas consider\u00e1vel preju\u00edzo material. A trena ficou imprest\u00e1vel. <\/p>\n<p>&#8212;  Esse primo j\u00e1 deu o que tinha que dar \u2013 comentou desiludido o Alberto.<\/p>\n<p>XI.<\/p>\n<p>Sinceridade. Eu j\u00e1 estava no meu limite. Dez dias acordando \u00e0s seis e meia. Me entupindo de \u2018picadinho\u2019  e guaran\u00e1 na hora do almo\u00e7o. Dois s\u00e1bados sem jogar futebol. S\u00f3 no estica e puxa de trenas indom\u00e1veis e voadoras e prumos inquietos que acabavam com meu \u00e2nimo para qualquer outra atividade.  <\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o reclamei e ia tocando&#8230;<\/p>\n<p>No d\u00e9cimo dia, encontramos a outra equipe. Fechamos nosso setor e eles o deles.<\/p>\n<p>O primo Alberto andava mais calado do que de costume. <\/p>\n<p>Por isso, estranhei quando ele entabulou uma longa conversa com o Bigode, o agrimensor da outra turma. <\/p>\n<p>&#8212; Eu e a sua equipe vamos por aqui. Voc\u00ea e o meu pessoal fazem o trajeto inverso. <\/p>\n<p>Ser\u00e1 que ouvi direito \u2013 perguntei a mim mesmo. <\/p>\n<p>&#8212; E fica esperto que o \u2018cabeludo\u2019 \u00e9 meio folgado.<\/p>\n<p>XII.<\/p>\n<p>Era isso mesmo&#8230; <\/p>\n<p>De primo acabei virando cabeludo folgado, no entender do Alberto.<\/p>\n<p>&#8212; Ele n\u00e3o parece o Beto Rockfeller?<\/p>\n<p>Fiquei na minha \u2013 e o desfecho eu conto amanh\u00e3. De leve&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VII. <\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de segunda, foi montada uma opera\u00e7\u00e3o de guerra com a reuni\u00e3o de v\u00e1rias equipes de agrimensores numa pra\u00e7a perto do aeroporto. \u00cdamos esquadrinhar toda aquela regi\u00e3o e preparar a \u00e1rea para transformar aquele fundo de vale numa grande avenida que cortaria S\u00e3o Paulo de leste a oeste.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10594","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10594"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10594\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17299,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10594\/revisions\/17299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}