{"id":10622,"date":"2007-05-24T00:00:00","date_gmt":"2007-05-24T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:28","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:28","slug":"olha-o-devolteio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/olha-o-devolteio\/","title":{"rendered":"Olha o devolteio!"},"content":{"rendered":"<p>Sobre a cr\u00f4nica \u201cDevolteios\u201d, postada aqui no domingo, dia 20, uma leitora me pergunta se tenho \u201cmem\u00f3ria de elefante para lembrar tantos detalhes de tempos idos&quot; ou se, vamos no popular, invento tudo aquilo que escrevi?<\/p>\n<p>Nem tanto ao c\u00e9u. Nem tanto \u00e0 Terra. Estou quase a remedar, na resposta, o c\u00e9lebre apresentador de TV \u2013 na verdade, nem t\u00e3o c\u00e9lebre assim: <\/p>\n<p>&#8211; Car\u00edssima leitora, eu aumento, mas n\u00e3o invento.<\/p>\n<p>Mas, deixamos de mariolas &#8211; e sejamos sincero. Afinal, convenhamos, o tal rigor cient\u00edfico \u2013 em que tudo precisa ser comprovado, como dois e dois s\u00e3o quatro \u2013 passa distante deste espa\u00e7o m\u00e1gico chamado blog. <\/p>\n<p>O texto supracitado, por\u00e9m, \u00e9 a mais pura verdade. <\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Voltei ao Cambuci na manh\u00e3 de domingo, como quem volta ao lugar onde nasceu. Para buscar algo que, munda afora, n\u00e3o encontrou &#8211; e agora, teme, nunca encontrar\u00e1&#8230; <\/p>\n<p>Visitei a par\u00f3quia Nossa Senhora da Gl\u00f3ria, depois dei uma geral pela regi\u00e3o e almocei na tradicional Cantina 1020, da rua Bar\u00e3o de Jaguar\u00e1. Natural que aflorassem recorda\u00e7\u00f5es de tempos idos e vividos, saboreados na ingenuidade do ontem, com sabor de amanh\u00e3. <\/p>\n<p>As hist\u00f3rias do Padre Jo\u00e3o eram aquelas mesmas. Ele era bravo, muito bravo. Mas, paroquianos de todas as idades reconhec\u00edamos a autoridade e o cheiro de santidade que lhes eram caracter\u00edsticos. Serm\u00f5es, pux\u00f5es de orelha e penit\u00eancias tinham proced\u00eancia e projetavam o bem comum e o caminho da virtude.<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 um santo homem, diziam os fi\u00e9is. <\/p>\n<p>Quanto as camisas dos times nos quais joguei, tamb\u00e9m s\u00e3o marcantes na minha mem\u00f3ria. Era uma honra enverg\u00e1-las. Uma conquista e tanto ser escolhido para defender as cores de t\u00e3o magn\u00e2nimas agremia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 inven\u00e7\u00e3o nesses relatos, n\u00e3o. <\/p>\n<p>S\u00e3o reminisc\u00eancias de um homem nost\u00e1lgico a andar pelas ruas do bairro, onde nasceu, cresceu e foi-se embora antes dos 18. <\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Ainda sobre o texto de domingo, ressalto tr\u00eas sentidas aus\u00eancias: os irm\u00e3os maristas Justino, M\u00e1rio, Dem\u00e9trius e Fid\u00e9lis. Tamb\u00e9m eram r\u00edgidos com a gente. Mas, em compensa\u00e7\u00e3o, adoravam futebol. Estava fora do jogo de domingo quem n\u00e3o entrasse para o \u2018Quadro de Honra\u201d de alunos que tiravam acima de sete. Era um esfor\u00e7o danado para, no domingo, estar a postos com a alvi-celeste do Gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>S\u00f3 faltou mesmo dedicar a eles esses dois textos, o de domingo e o de hoje. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, aproveito para agora faz\u00ea-lo&#8230;<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Mais sobre essas lembran\u00e7as. <\/p>\n<p>Minha m\u00e3e me garantiu: h\u00e1 uma terceira capela na par\u00f3quia Nossa Senhora da Gl\u00f3ria e eu n\u00e3o a visitei. \u00c9 em louvor \u00e0 Santa Rita. S\u00f3 que n\u00e3o est\u00e1 acoplada \u00e0 igreja, como a de Nossa Senhora de Lourdes, mais antiga, que data de 1891. <\/p>\n<p>A da santinha das causas imposs\u00edveis tem entrada independente \u2013 e, em seu interior, havia as tais aulas de catecismo. <\/p>\n<p>N\u00e3o sou nem louco de discutir com a dona Yolanda. Como t\u00e3o cedo n\u00e3o devo voltar l\u00e1, acredito e dou f\u00e9.<\/p>\n<p>Ben\u00e7\u00e3o dona Yolanda! Que mem\u00f3ria, hein!<\/p>\n<p>V. <\/p>\n<p>Uma outra discuss\u00e3o surgiu a partir do t\u00edtulo da cr\u00f4nica. Devolteios. <\/p>\n<p>Confesso que consultei o dicion\u00e1rio para ver a grafia correta. Existe apenas volteio, que \u00e9 fazer girar, dar voltas e, no sentido figurado, enrolar. No entanto, optei por colocar o \u201cde\u201d como prefixo por um simples motivo, que narro a seguir. <\/p>\n<p>Enquanto escrevia, lembrei de uma dupla de cantores\/humoristas sertanejos que fazia enorme sucesso \u00e0 \u00e9poca. Chamava-se Alvarenga e Ranchinho e aparecia nos programas de audit\u00f3rio da TV Record e tamb\u00e9m se apresentavam em circos e nas r\u00e1dios.<\/p>\n<p>Eram uns gozadores. Arrepiariam ainda mais os cabelos dos breganejos de hoje que se acham cawboys e n\u00e3o caipira.  Um alto, outro pequenino. Usavam chap\u00e9u de palha, botina do Jeca, cal\u00e7as com barras pela canela e cintura no umbigo. Sem falar, \u00f3bvio, da tradicional camisa xadrez. Bigodes pintado a carv\u00e3o no rosto. Faziam o g\u00eanero Mazzaropi, de matutos ing\u00eanuos, mas esperto que s\u00f3 ver. <\/p>\n<p>Tirei deles a express\u00e3o \u201cdevolteio\u201d.<\/p>\n<p>Em meio a suas s\u00e1tiras m\u00fasicadas, quando a piada era um tanto quanto forte, o Alvarenga usava um expediente para fazer com que a plat\u00e9ia saboreasse o desfecho e o riso escrachado. Em tom imperativo, convocava o parceiro:<\/p>\n<p>&#8212; Olha o devolteio!!! <\/p>\n<p>E Ranchinho se punha a dan\u00e7ar com passinho mi\u00fado, desengon\u00e7ado e maroto. \u00d3bvio, sem largar a viola.<\/p>\n<p>A plat\u00e9ia ria ainda mais, a valer.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Foi o que fiz domingo. <\/p>\n<p>O torniquete das desilu\u00e7\u00f5es deu um giro a mais. E l\u00e1 fui eu, com passo desengon\u00e7ado e maroto, rever velhos abrigos na dan\u00e7a da dan\u00e7a que o tempo tem. Dei l\u00e1 meus rodopios e sa\u00ed um tanto reconfortado do passeio. Mas, ainda sem a espontaneidade de um sorriso, mi\u00fado que fosse. <\/p>\n<p>Talvez me falte a viola. Mas, insisto no cantar.<\/p>\n[Texto editado e publicado no livro \u201cVolteios &#8211;  Cr\u00f4nicas, lembran\u00e7as e devaneios\u201d]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre a cr\u00f4nica \u201cDevolteios\u201d, postada aqui no domingo, dia 20, uma leitora me pergunta se tenho \u201cmem\u00f3ria de elefante para lembrar tantos detalhes de tempos idos&quot; ou se, vamos no popular,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10622","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10622","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10622"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10622\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17272,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10622\/revisions\/17272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10622"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10622"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10622"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}