{"id":10623,"date":"2007-05-25T00:00:00","date_gmt":"2007-05-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:28","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:28","slug":"a-razao-do-leitor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-razao-do-leitor\/","title":{"rendered":"A raz\u00e3o do leitor"},"content":{"rendered":"<p>Aprendi cedo que o leitor tem sempre raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Para tanto foram fundamentais os longos anos que trabalhei no seman\u00e1rio Gazeta do Ipiranga \u2013 ali\u00e1s, j\u00e1 postei aqui v\u00e1rios causos que assombraram e divertiram o casar\u00e3o da avenida Bom Pastor. Entrei rapazola ali, aos 23 anos; sa\u00ed 28 anos depois. Aos 27, era editor do jornal e diretor respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Rec\u00e9m-sa\u00eddo da Universidade de S\u00e3o Paulo, queria reproduzir ali o dia-a-dia das grandes reda\u00e7\u00f5es, com todo agito e compromisso, sob o lema: \u201cA verdade, doa a quem doer\u201d. No entanto, tudo o que planej\u00e1vamos nas reuni\u00f5es de pauta virava nota de roda-p\u00e9 na edi\u00e7\u00e3o da sexta-feira seguinte.<\/p>\n<p>N\u00f3s, editores e rep\u00f3rteres, n\u00e3o consegu\u00edamos pautar o jornal. Por um simples motivo: os pr\u00f3prios moradores e as entidades representativas locais traziam as not\u00edcias at\u00e9 n\u00f3s, com lead e destaque necess\u00e1rios. \u00c9ramos os intermedi\u00e1rios entre as reivindica\u00e7\u00f5es e anseios e os nobres leitores, do tradicional bairro paulistano.<\/p>\n<p>Por mais que nos reun\u00edssemos para fazer o \u2018espelho\u2019 do jornal, todos os progn\u00f3sticos eram coisa do passado alguns dias depois, dada a invas\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que receb\u00edamos por cartas, telefones e at\u00e9 pessoalmente. Os moradores do Ipiranga achavam que o jornal era deles &#8212; o que, em ess\u00eancia, \u00e9 verdade. Assim, a Gazetinha ia para as ruas do jeito que o pov\u00e3o queria. Acrescento: como jornal de bairro GI fez hist\u00f3ria e a gente ajudou um pouquinho.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei, n\u00e3o. Acho que o processo est\u00e1 se repetindo na din\u00e2mica deste blog.<\/p>\n<p>Explico.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns temas de post que carrego comigo h\u00e1 semanas. Trago tamb\u00e9m reportagens que fiz. Recuperei os originais e gostaria de index\u00e1-las. Mais: as entrevistas com diversas personalidades da MPB. Etc etc etc. No entanto, toda vez que penso em escrev\u00ea-los, felizmente aparece um leitor com alguma boa proposta e muda o rumo da conversa.<\/p>\n<p>As \u00faltimas semanas s\u00e3o exemplares neste sentido. Perdi a conta dos posts que fiz a pedido dos internautas. Hoje ser\u00e1 mais um desses dias.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>E por uma causa justa.<\/p>\n<p>\u00c9 que recebi um carinhoso email de uma querida e distante amiga. Ela se surpreendeu positivamente ao \u201cvasculhar\u201d o blog  e cousa e lousa e maripousa. Deixemos de lantejoulas&#8230;<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o \u00e9 este o \u00fanico motivo para registrar a ilustre visita. Chamou minha aten\u00e7\u00e3o o seguinte trecho do email que me enviou:<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s vezes, penso que o crescer s\u00f3 faz a gente ficar mais chato. Idiotiza. O capitalismo selvagem, a rotina e o &quot;ter para ser&quot; acabam nos distanciando do bom da vida e nos deixando um pouco cegos, esquecendo da satisfa\u00e7\u00e3o que h\u00e1 ao ouvir uma m\u00fasica que arrepia, no bate-papo com amigos, no carinho, na paix\u00e3o &#8211; por algu\u00e9m ou por uma causa. Deve ser o tal &quot;se abrir para a vida&quot; que voc\u00ea citou no texto que fala da jovem desiludida com o novo amor. <\/p>\n<p>Deixe o sol entrar&#8230; <\/p>\n<p>Meus dezoito anos j\u00e1 se foram, mas ainda h\u00e1 muito espa\u00e7o para &quot;deixar a vida entrar&quot; como \u00e9 sugerido. Obrigada por me lembrar disso\u201d.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>O texto a que ela se refere \u00e9 o que escrevi nesta ter\u00e7a, 22 \u2013 \u201cDeixe o Sol Entrar\u201d. Curioso \u00e9 que me inspirei num fato da vida real \u2013 o fim do primeiro amor \u2013 e o aparente tsunami que nos engole nessa hora. A proposta foi mostrar \u00e0 jovem filha de outra amiga que todos passamos por momentos assim \u2013 e (ufa!) sobrevivemos. Basta ter coragem de se libertar de algumas amarras, enfim&#8230;<\/p>\n<p>Terminei o texto assim:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 melhor sensa\u00e7\u00e3o de liberdade do que se abrir para o mundo. Na expectativa de viver um novo sonho de amor. Que, no caso da menina, sei bem, n\u00e3o demora nada a chegar\u201d.<\/p>\n<p>Quando escrevi essas duas linhas, por\u00e9m, fiquei com vontade de acrescentar:<\/p>\n<p>(&#8230;) \u201cQue no caso da menina, sei bem, n\u00e3o demora nada a chegar. MAS \u00c9 BEM-VINDO EM TODAS AS IDADES\u201d.<\/p>\n<p>Porque assim \u00e9 que \u00e9 e sempre ser\u00e1.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o tive coragem. <\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Da\u00ed que foi bom abrir aquele email. Descobri que minha mensagem, mesmo pela metade, chegou por inteiro por obra e gra\u00e7a, n\u00e3o deste escriba trapalh\u00e3o, mas de leitores sens\u00edveis como voc\u00ea, mo\u00e7a.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o quero desperdi\u00e7ar a chance de fazer esse reparo mais do que procedente. Sensa\u00e7\u00e3o pra l\u00e1 de boa. Tamb\u00e9m para mim o dia cinzento, como ressaltou voc\u00ea na mensagem, ganhou mais cor. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no blog o leitor tem sempre raz\u00e3o.<br \/>\nSe for uma certa leitora, ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprendi cedo que o leitor tem sempre raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Para tanto foram fundamentais os longos anos que trabalhei no seman\u00e1rio Gazeta do Ipiranga \u2013 ali\u00e1s, j\u00e1 postei aqui v\u00e1rios causos que assombraram e divertiram o casar\u00e3o da avenida Bom Pastor.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10623","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10623"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10623\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17271,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10623\/revisions\/17271"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}