{"id":10626,"date":"2007-05-28T00:00:00","date_gmt":"2007-05-28T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:28","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:28","slug":"para-monica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/para-monica\/","title":{"rendered":"Para M\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p>T\u00e1 vivo?!&#8230;<\/p>\n<p>Bju. <\/p>\n<p>M\u00f4nica<\/p>\n<p>Na \u00edntegra, o email que hoje recebi.<\/p>\n<p>Minha resposta: <\/p>\n<p>Estou. Pode parecer incr\u00edvel. Mas estou. Sabe que \u00e0s vezes at\u00e9 eu mesmo me fa\u00e7o esta pergunta. Olho no espelho assim como quem n\u00e3o quer nada. Confiro os cabelos brancos &#8211; ralos, mas est\u00e3o ali -, a barba por fazer, os quilos a mais, e digo: <\/p>\n<p>&#8212; Vamos l\u00e1, cara, que hoje \u00e9 outro dia. Viver \u00e9 o maior dos milagres.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a vida anda com o breque de m\u00e3o puxado pelos lados de c\u00e1. Parece que h\u00e1 tudo por fazer, e sair do lugar \u00e9 que s\u00e3o elas. <\/p>\n<p>Lembro de um velho filme infantil &#8212; eh, mo\u00e7a, mesmo sem ir ao cinema ultimamente, ando a citar filmes e mais filmes por aqui. Chamava-se Hist\u00f3ria Sem Fim, sem bem me recordo. O rapazinho precisa atravessar o Charco da Solid\u00e3o. Um loda\u00e7al monstro, meio areia movedi\u00e7a, meio p\u00e2ntano. Mal consegue se movimentar. Cada passo \u00e9 um custo, um enorme sacrif\u00edcio. Mesmo assim, o nosso her\u00f3i vai que vai. N\u00e3o desiste. Arrasta-se e chega \u00e0 outra margem. Vou nessa toada. Devagar e sempre, mas chego l\u00e1.<\/p>\n<p>Mais ou menos como me dizia o Edson Wander, um mineiro de nome pomposo: <\/p>\n<p>&#8212; Dasveis mi sintu anssim. <\/p>\n<p>Pois \u00e9, querida. <\/p>\n<p>\u00c0s vezes, me sinto assim. <\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Explicar, explicar, eu n\u00e3o sei bem.<br \/>\nPosso tentar. Mas, n\u00e3o h\u00e1 certeza nenhuma. <\/p>\n<p>Tenho um trampo legal. Gosto do que fa\u00e7o. Depois de 30 anos quebrando pedra nas reda\u00e7\u00f5es, modesta e discretamente vim parar na Universidade, obra e gra\u00e7a do acaso. Do meu filho, de um professor chamado S\u00e9rgio Rizzo e uma professora chamada Katy Nasar &#8211; mas, esta hist\u00f3ria um dia eu conto, n\u00e3o hoje&#8230; <\/p>\n<p>Vim me chegando de leve, sem pretens\u00e3o at\u00e9 que apeei meus trens &#8211; e aqui estou na coordena\u00e7\u00e3o de jornalismo. Diria, sem medo de errar, que \u00e9 o melhor momento da minha vida profissional. Mesmo com todos os desafios que tal fun\u00e7\u00e3o nos prop\u00f5e. \u00c9 outro quebrar pedras sem fim. Incide em dedica\u00e7\u00e3o, planejar, ouvir, decidir e tentar ser o mais justo poss\u00edve. Uma tarefa e tanto: formar os jornalistas do futuro, pessoas como voc\u00ea e tantos outros que aqui chegam com um belo sonho. Diria, por vezes, um sonho fantasioso e nos cabe podar a fantasia e deixar o sonho luzir&#8230; <\/p>\n<p>No aspecto profissional, n\u00e3o h\u00e1 do que se queixar. <\/p>\n<p>A perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 uma meta.<br \/>\nO barato \u00e9 persegu\u00ed-la, com qualidade de vida.<\/p>\n<p>III. <\/p>\n<p>E da\u00ed que, acho, vem o enrosco. O que \u00e9 qualidade de vida no Brasil de hoje? Como alcan\u00e7ar esse objetivo numa cidade ca\u00f3tica como S\u00e3o Paulo? Como enxergar com bons olhos o futuro com todo esse processo de imbeciliza\u00e7\u00e3o do Planeta? <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por nada, objetivamente. Mas por tudo.<\/p>\n<p>Entendeu?<\/p>\n<p>Me veio agora \u00e0 lembran\u00e7a o amigo Nasci, na Reda\u00e7\u00e3o do jornal, quando chamava nossa aten\u00e7\u00e3o para a tal invis\u00edvel \u2013 mas, verdadeira \u2013 linguagem dos sinais. Repetia a m\u00e1xima consagrada pelo mago da bola, Den\u00edlson. Lembram dele? Por onde anda?<\/p>\n<p>Um dia o craque sapecou essa, ao vivo, numa emissora de r\u00e1dio, sem direito, portanto, a edi\u00e7\u00f5es, floreios, reparos e o escambau.<\/p>\n<p>Pergunta do rep\u00f3rter esportivo, important\u00edssima como de costume. Provavelmente fez um desses cursos complementares maravilhosos:<\/p>\n<p>&#8212; Como foi o jogo, Den\u00edlson?<\/p>\n<p>Resposta, direta e reta.<\/p>\n<p>&#8212; Tem dia que de noite \u00e9 fogo&#8230;<\/p>\n<p>Era por a\u00ed que o Nasci dava o toque:<\/p>\n<p>&#8212; Vai devagar, meu caro. Tem hora de chegar e tem hora para sair.<\/p>\n<p>E todos em coro complet\u00e1vamos:<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o apresse o rio. Ele corre sozinho.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa levada que me seguro. Estou atento aos sinais. Que, por vezes, demoram, mas chegam. Sempre chegam. Como seu email hoje veio e me lembrou um saudoso amigo e me fez feliz pra ded\u00e9u. S\u00f3 de saber que voc\u00ea ainda lembra deste velho amigo. Distante, mas para sempre amigo.<\/p>\n<p>* E olhe que nem falamos de samba-rock. Que, voc\u00ea sabe, n\u00e3o existe. Existe Jorge Du\u00edlio Lima de Menezes. Benjor, primeiro e \u00fanico. Os demais s\u00e3o c\u00f3pias, das c\u00f3pias, das c\u00f3pias, das c\u00f3pias&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00e1 vivo?!&#8230;<\/p>\n<p>Bju. <\/p>\n<p>M\u00f4nica<\/p>\n<p>Na \u00edntegra, o email que hoje recebi.<\/p>\n<p>Minha resposta: <\/p>\n<p>Estou. Pode parecer incr\u00edvel. Mas estou. 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