{"id":10629,"date":"2007-05-29T00:00:00","date_gmt":"2007-05-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:28","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:28","slug":"meu-reino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/meu-reino\/","title":{"rendered":"Meu reino"},"content":{"rendered":"<p>Meu reino por uma hist\u00f3ria..<\/p>\n<p>Que reino? Ora este blog que entra na reta de chegada do m\u00eas. N\u00e3o podemos dar essa bobeira. Nem pensar. Ser\u00e1 que bateremos o recorde de visita neste m\u00eas? Dif\u00edcil. Mar\u00e7o ainda est\u00e1 na dianteira, com mil e quatrocentas visitas. Andamos pela casa das mil e cem. Portanto, mais dois dias para saltarmos a barreira. Muito, muito dif\u00edcil. 150 visitas di\u00e1rias. Coisa rara de acontecer. Mas, n\u00e3o imposs\u00edvel. Depende dos meus cinco ou seis leitores, fi\u00e9is e dedicados. <\/p>\n<p>A verdade, meus caros, \u00e9 que o tal desafio a que me propus \u2013 escrever diariamente \u2013 \u00e9 mesmo um grande barato. Especialmente neste fim de semestre quando tudo parece conspirar contra. Meus afazeres na universidade se acumulam \u2013 e tomam o tempo dispon\u00edvel e indispon\u00edvel. Ent\u00e3o, me sinto assim meio que perdido atr\u00e1s de um tema que possa segurar de p\u00e9 nossas muralhas. Hoje, \u00e9 um desses dias. E, perceba, j\u00e1 estou no final do segundo par\u00e1grafo e ainda n\u00e3o me decidi para onde eu vou&#8230;<\/p>\n<p>Ops. Ops&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o aceito sugest\u00e3o malcriada de ningu\u00e9m, n\u00e3o. Muito menos quero ouvir aquela piadinha de mau-gosto. Sei que nenhum de meus diletos amigos pensou nisso. Mas \u00e9 bom deixar claro a situa\u00e7\u00e3o. Assim ganhei mais tr\u00eas linhas cheias de palavras \u2013 e vamos em frente.<\/p>\n<p>Mas, para onde meu Deus?<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria, r\u00e1pido. Uma hist\u00f3ria. Meu reino por uma hist\u00f3ria. \u00c9 certo que n\u00e3o h\u00e1 l\u00e1 grande vantagem em se apoderar de um \u2018reino\u2019 miado, como o deste escriba. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, ali\u00e1s&#8230; <\/p>\n<p>O sino da igrejinha aqui perto bateu seis horas. Hora da Ave Maria. Conv\u00e9m uma ora\u00e7\u00e3o e me vem a lembran\u00e7a, antiga, distante, que hoje me comove. Minha m\u00e3e ao p\u00e9 do r\u00e1dio esperando a ben\u00e7\u00e3o do Padre Donizette que uma das emissoras de r\u00e1dio paulistana transmitia l\u00e1 nos confins dos anos 50. Parava tudo o que fazia \u2013 era hora de preparar o jantar para o marido que breve chegaria do dia na f\u00e1brica pano \u2013 e rezava em un\u00edssono com o r\u00e1dio a ave-maria. Depois, vinha a ben\u00e7\u00e3o \u2013 e todos entend\u00edamos que a jornada havia terminado, hora do descanso e do lazer. Agradec\u00edamos o milagre de mais um dia vivido com sa\u00fade, o p\u00e3o sobre a mesa, amizade e harmonia.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m j\u00e1 me falou que ando nost\u00e1lgico demais. Que meus textos tendem a consagrar como ideal o tempo que se foi. N\u00e3o sei, mas uma coisa \u00e9 certa. N\u00e3o me sinto \u00e0 vontade para transpor, neste espa\u00e7o, o notici\u00e1rio dos jornais. O rebuli\u00e7o que anda a vida real. Opera\u00e7\u00f5es navalhas, balas perdidas, invas\u00f5es e que tais. Quero mais que esses textos sejam para voc\u00eas o que s\u00e3o para mim. Um espa\u00e7o encantado, onde possamos despreocupadamente conversar sobre sentimentos, id\u00e9ias e sonhos. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, como faz\u00edamos nas ruas mal iluminadas do Cambuci. As cadeiras na cal\u00e7ada e todos se reuniam para por os assuntos em dia. Os homens caminhavam para o bar \u2013 o Ast\u00f3ria ou o Bar do Pepino. As crian\u00e7as, com suas brincadeiras de esconde-esconde, pega-pega, amarelinha, mula-manca, pe\u00f5es. A rir e a correr pra l\u00e1 e pra c\u00e1. E as mulheres, com suas cadeiras, faziam uma roda e se punham a tricotar a l\u00e3 e a tecer o novo dia. Que, acredit\u00e1vamos, seria de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Definitivamente, era este o meu reinar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu reino por uma hist\u00f3ria..<\/p>\n<p>Que reino? Ora este blog que entra na reta de chegada do m\u00eas. N\u00e3o podemos dar essa bobeira. Nem pensar. 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