{"id":10633,"date":"2007-06-02T00:00:00","date_gmt":"2007-06-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:27","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:27","slug":"recordacoes-de-um-reporter-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/recordacoes-de-um-reporter-2\/","title":{"rendered":"Recorda\u00e7\u00f5es de um rep\u00f3rter 2"},"content":{"rendered":"<p>Acho que o texto que hoje transcrevo<br \/>\ncabe na s\u00e9rie: Recorda\u00e7\u00f5es de um rep\u00f3rter.<br \/>\n\u00c9 a cobertura que fiz de um show de Roberto Carlos<br \/>\nno Clube Atl\u00e9tico Ypiranga e que foi publicado<br \/>\nem Gazeta do Ipiranga h\u00e1 exatos 29 anos.<br \/>\nTempo pra caramba, n\u00e9.<\/p>\n<p>Vejam como foi.<\/p>\n<p>UM REI NO YPIRANGA<\/p>\n<p>Foram in\u00fateis todas as tentativas do operador de som da Magic Discotheque em animar as quase 4 mil pessoas que, na noite de domingo, lotaram as depend\u00eancias do Gin\u00e1sio do Clube Atl\u00e9tico Ypiranga. Dan\u00e7ar era o que menos importava. Poucos se aventuravam a deixar seu lugar. Nem mesmo o pulsante balan\u00e7o do grupo Santa Esmeralda demovia a plat\u00e9ia de se manter inflex\u00edvel. Quando muito, acompanhava-se o ritmo (e olhe l\u00e1!) com despretensiosos movimentos. A expectativa de todos, na verdade, concentrava-se no outro extremo do sal\u00e3o. No palco, onde estavam sendo instalados os instrumentos e a aparelhagem do RC-10. Afinal, era ali que, em poucos minutos, apareceria o rei Roberto Carlos para cantar, durante uma hora, suas mais dolentes can\u00e7\u00f5es de amor.<\/p>\n<p>21h30. Era este o hor\u00e1rio previsto para o in\u00edcio do show. Mas, neste exato instante, n\u00e3o h\u00e1 qualquer movimenta\u00e7\u00e3o no palco. E o p\u00fablico come\u00e7a a demonstrar sua impaci\u00eancia com aplausos cadenciados pelos gritos de: \u201cRoberto\u201d, \u201cRoberto\u201d, \u201cRoberto\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Enquanto isso, atr\u00e1s do palco, nos vesti\u00e1rios do clube, aproximadamente 30 pessoas aguardavam a chegada do \u201cBrasa\u201d. Mas, n\u00e3o havia qualquer preocupa\u00e7\u00e3o entre dirigentes do CAY, m\u00fasicos, seguran\u00e7as e demais personagens da corte de Roberto.<\/p>\n<p>\u201cAtrasos em shows dessa categoria s\u00e3o comuns\u201d \u2013 justificava o vice-presidente Marcos Pelegrini.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio Marcos L\u00e1zaro procurava explicar o porqu\u00ea da n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de uma temporada mais prolongada do cantor nos teatros da Capital. Dizia num portugu\u00eas transfigurado pelo arraigado sotaque portenho:<\/p>\n<p>&#8212; Esse n\u00e3o \u00e9 o show que apresentamos quando atuamos no Anhembi ou no Canec\u00e3o. L\u00e1, contratamos tamb\u00e9m uma grande orquestra. Hoje, \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o convencional que o Roberto faz nos clubes. Fazer uma temporada mais longa em S\u00e3o Paulo \u00e9 contraproducente. No Rio, ainda passa. L\u00e1, tem muito turista. Aqui, n\u00e3o. O paulistano s\u00f3 vai ao teatro nos fins de semana, e principalmente quando a temporada est\u00e1 terminando. Fora isso, as salas ficam quase \u00e0s moscas. Ent\u00e3o, n\u00e3o compensa. E tem mais. O Roberto possui v\u00e1rios compromissos internacionais. E os clubes. N\u00e3o podemos deixar de atender aos convites que chegam. S\u00f3 para o rep\u00f3rter ter uma id\u00e9ia, nossa agenda est\u00e1 toda tomada at\u00e9 maio do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Passavam alguns minutos das 22 horas quando Roberto chegou ao Ypiranga. Cumprimentou a todos com discreto aceno e foi, em seguida, ao encontro de Marcos L\u00e1zaro, a quem abra\u00e7ou efusivamente. Durantes alguns minutos, Roberto ficou pelo vesti\u00e1rio, atendendo aos f\u00e3s mais privilegiados. N\u00e3o faltaram aut\u00f3grafos em fotos e velhas recorda\u00e7\u00f5es. Um deles perguntou a Roberto sobre determinada apresenta\u00e7\u00e3o que fez no interior de S\u00e3o Paulo em&#8230; 1964. O cantor franziu a testa, aparentou puxar pela mem\u00f3ria, e logo concluiu: <\/p>\n<p>\u201c\u00d4 bicho, 64&#8230; t\u00e1 meio dif\u00edcil. N\u00e3o lembro, n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Nesse momento, um dos acompanhantes da comitiva de Roberto salientou que a plat\u00e9ia j\u00e1 redobrara sua dose de expectativa. Roberto fez sinal que estava tudo \u201cok\u201d e mandou que os m\u00fasicos subissem ao palco. Dirigiu-se ao pequeno camarim, improvisado no fundo do vesti\u00e1rio, onde trocou o s\u00f3brio casaco \u00be que usava pelo elegante terno preto da apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>22h30.Um corre-corre nos bastidores. Roberto est\u00e1 pronto e prepara-se para entrar em cena. O RC-10 d\u00e1 os primeiros acordes de \u201cO Progresso\u201d. E tem in\u00edcio ao show que todos aguardavam. Inclusive as ex\u00f3ticas integrantes do grupo \u201cFren\u00e9ticas\u201d que assistiram ao show do \u00eddolo, embevecidas e anonimamente.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Algumas observa\u00e7\u00f5es que o rep\u00f3rter n\u00e3o escreveu na reportagem. Mas, as faz agora&#8230;<\/p>\n<p>Cheguei cedo para falar com o Rei, conforme havia combinado com o idealizador do show no clube, o vice-presidente Marcos Pelegrini. Fomos direto para o vesti\u00e1rio, apenas com seguran\u00e7as. O tempo foi passando e nada do Roberto chegar. Em compensa\u00e7\u00e3o, mesmo com a seguran\u00e7a redobrada, umas 30 pessoas, como escrevi na mat\u00e9ria, furaram o bloqueio. Ora eram os m\u00fasicos que traziam, ora eram do staff do empres\u00e1rio Marcos L\u00e1zaro, ora algum \u2018medalh\u00e3o\u2019 do pr\u00f3prio Ypiranga. Logo, virou uma muvuca.<\/p>\n<p>O Marcos do clube foi falar com o Marcos do Roberto sobre a possibilidade da entrevista, que ambos previamente combinaram. O empres\u00e1rio foi enf\u00e1tico:<\/p>\n<p>&#8212; Fique tranq\u00fcilo. Ou antes ou depois, o Roberto fala com ele (o rep\u00f3rter) cinco minutos que seja&#8230;<\/p>\n<p>Nem antes. Nem depois. O cantor chegou atrasado a bordo de um fumegante cachimbo. Fez uma presen\u00e7a r\u00e1pida entre os f\u00e3s, cercado por seguran\u00e7as parrudos, e foi para o show. Fiquei pelos camarins para n\u00e3o sair da rota e, mesmo assim, n\u00e3o consegui pegar nenhuma declara\u00e7\u00e3o do artista. Que, depois da apresenta\u00e7\u00e3o, fez uma passagem de cinco minutos pelo camarim e foi embora, literalmente carregado pelos seguran\u00e7as. <\/p>\n<p>Eu estava a metro e meio da porta, quando o homem passou batido. O vice-presidente, mostrando uma certa proximidade com o Rei, tentou justificar:<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 uma estrat\u00e9gia para evitar tumulto. O vesti\u00e1rio tinha gente demais.<\/p>\n<p>Dei de ombros Mas, hoje, c\u00e1 pra n\u00f3s, reconhe\u00e7o: fui muito vacil\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Vacilei. Mas, convenhamos, hoje vejo que n\u00e3o errei tanto assim. \u00c9 que falaram umas coisas l\u00e1 do Roberto. Ele atrasou por isso, saiu r\u00e1pido por aquilo. Sorte que n\u00e3o escrevi nada. Sen\u00e3o o homem, mandava recolher a edi\u00e7\u00e3o inteira do jornal e babau meu emprego&#8230; <\/p>\n<p>Invas\u00e3o de privacidade. Eu, hein!<\/p>\n<p>(* Tem fotos no blog. S\u00e3o do saudoso Cl\u00e1udio Michelli)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acho que o texto que hoje transcrevo<br \/>\ncabe na s\u00e9rie: Recorda\u00e7\u00f5es de um rep\u00f3rter.<br \/>\n\u00c9 a cobertura que fiz de um show de Roberto Carlos<br \/>\nno Clube Atl\u00e9tico Ypiranga e que foi publicado<br \/>\nem Gazeta do Ipiranga h\u00e1 exatos 29 anos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10633","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10633"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10633\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17263,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10633\/revisions\/17263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}