{"id":10780,"date":"2007-10-22T00:00:00","date_gmt":"2007-10-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:55:49","modified_gmt":"2017-09-15T19:55:49","slug":"arrebentacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/arrebentacoes\/","title":{"rendered":"Arrebenta\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Queria voltar a escrever a voc\u00ea como<br \/>\nescrevia nos aludidos velhos e bons tempos. <\/p>\n<p>Uma novidade a cada segundo.<br \/>\nUma d\u00favida a cada minuto.<br \/>\nProjetos mil todas as horas.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil teclar hoje sobre o que voc\u00ea me pede.<br \/>\nNem eu, nem o tempo somos mais os mesmos. <\/p>\n<p>Mudei. Mudamos&#8230;<\/p>\n<p>Me pede para falar da sorte de um amor tranq\u00fcilo.<br \/>\nDiz que l\u00ea e rel\u00ea as mal tra\u00e7adas e encontra<br \/>\no que procura \u201cnas entrelinhas\u201d do que escrevo.<\/p>\n<p>Escrever \u00e9 um ato solit\u00e1rio.<br \/>\nMas, quando escrevemos n\u00e3o nos imaginamos a s\u00f3s.<br \/>\nSomos, no m\u00ednimo, dois.<br \/>\nQuem escreve e quem l\u00ea&#8230;<\/p>\n<p>Eis que, quando h\u00e1 a identifica\u00e7\u00e3o<br \/>\nque voc\u00ea diz acontecer, somos felizes.<br \/>\nEu a escrever sobre meus ais.<br \/>\nVoc\u00ea que, de algum modo, cura os seus<br \/>\na partir das tais entrelinhas&#8230;<\/p>\n<p>Voc\u00ea hoje me prop\u00f5e um tema. <\/p>\n<p>Quer que eu discorra sobre a expectativa de viver<br \/>\num amanh\u00e3 pleno a partir de um amor de ontem<br \/>\nque se perdeu no tempo. Mas, teimosamente insiste<br \/>\nem se chamar esperan\u00e7a. Em se fazer presente<br \/>\ne vivo a cada nova manh\u00e3. <\/p>\n<p>E me diz:<\/p>\n<p>&#8212; Ser\u00e1 que \u00e9 porque h\u00e1 uma chance de tudo se<br \/>\nconcretizar mesmo que num tempo fora de tempo?<\/p>\n<p>E prossegue: <\/p>\n<p>&#8212; Um dia quero acreditar no amor como voc\u00ea acredita.<\/p>\n<p>E conclui:<\/p>\n<p>&#8212; Desconfio que ando precisando de terapia.<\/p>\n<p>Bem, descarto esta \u00faltima fala. <\/p>\n<p>N\u00e3o sou, como voc\u00ea imagina, um expert no assunto. <\/p>\n<p>Quase sempre descrevo aqui o que diz minha alma<br \/>\nde rep\u00f3rter \u2018vira-lata\u2019 em andan\u00e7as vida afora. <\/p>\n<p>Como anuncio na abertura da se\u00e7\u00e3o Parangol\u00e9s:<br \/>\nS\u00e3o breves relatos que cismo de contar<br \/>\n(vividos, observados, ouvidos, imaginados,<br \/>\npressentidos, requentados, pensados e criados)<br \/>\na partir de um olhar, de uma emo\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Ainda ontem assisti, em um desses canais da TV<br \/>\na cabo, o filme \u201cA Casa do Lago\u201d. Trata exatamente<br \/>\ndeste assunto: duas pessoas que se perderam<br \/>\nno tempo e, mesmo assim, se esperam<br \/>\ncom a certeza de que haver\u00e1 um amanh\u00e3<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o baseia-se, ainda que as cenas<br \/>\nse passam em tempos atuais,no romance<br \/>\n\u201cPersuas\u00e3o\u201d de Jane Austen, que \u00e9 inclusive<br \/>\ncitado na fala dos dois personagens enamorados.<\/p>\n<p>O compositor Chico Buarque \u00e9 soberano nos versos<br \/>\nque escreveu para Todo o Sentimento, a can\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cTalvez no tempo da delicadeza.<br \/>\nOnde n\u00e3o diremos nada.<br \/>\nNada aconteceu.<br \/>\nApenas seguirei como encantado<br \/>\nao lado seu&#8230; \u201c<\/p>\n<p>O cineasta, a autora e o poeta sabem mais do que eu.<br \/>\nVale consulta-los de vez em sempre.<\/p>\n<p>Quanto a mim, tem raz\u00e3o: acredito no amor.<\/p>\n<p>N\u00e3o que me sorria a cada esquina.<br \/>\nSei dos seus meneios. S\u00e3o como o ir e vir<br \/>\ndas ondas de um mar sem praia.<br \/>\nSe fosse poss\u00edvel, evitaria essas arrebenta\u00e7\u00f5es.<br \/>\nSofreria menos. Mas, eu e voc\u00ea, amiga,<br \/>\nsabemos que n\u00e3o sabemos viver de outro jeito&#8230;<\/p>\n<p>Ou estou errado?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queria voltar a escrever a voc\u00ea como<br \/>\nescrevia nos aludidos velhos e bons tempos. <\/p>\n<p>Uma novidade a cada segundo.<br \/>\nUma d\u00favida a cada minuto.<br \/>\nProjetos mil todas as horas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10780","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10780"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10780\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17126,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10780\/revisions\/17126"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}