{"id":11156,"date":"2008-11-09T00:00:00","date_gmt":"2008-11-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:47:17","modified_gmt":"2017-09-15T19:47:17","slug":"o-encontro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-encontro-2\/","title":{"rendered":"O encontro"},"content":{"rendered":"<p>* Trecho do livro O Mago, biografia de Paulo Coelho,<br \/>\nadmiravelmente escrita pelo jornalista<br \/>\ne escritor Fernando Morais:<\/p>\n<p>Como o or\u00e7amento era insuficiente para contratar mesmo que fosse um \u00fanico colaborador, era ele quem acabava escrevendo quase todo o conte\u00fado das duas publica\u00e7\u00f5es (com t\u00edtulos de Pomba e 2001). Para que leitor n\u00e3o percebesse o pauperismo que vivia a reda\u00e7\u00e3o, recorria a v\u00e1rios pseud\u00f4nimos, al\u00e9m do pr\u00f3prio nome. A\u00ed, no come\u00e7o de 1972, um estranho apareceu na reda\u00e7\u00e3o \u2013 na verdade, uma modesta sala no d\u00e9cimo andar de um edif\u00edcio comercial do centro do Rio de Janeiro. Usava um terno lustroso, desses que nunca amarrotam, gravata fina e pasta de executivo na m\u00e3o \u2013 e anunciou que queria falar com \u201co redator Augusto Figueiredo\u201d. Na hora Paulo n\u00e3o associou o visitante a algu\u00e9m que lhe telefonara dias antes, perguntando pelo mesmo Augusto Figueiredo. Foi o suficiente para despertar paran\u00f3ias adormecidas. O sujeito tinha toda a pinta de policial, devia estar ali por causa de alguma den\u00fancia \u2013 drogas? \u2013 e o problema \u00e9 que Augusto Figueiredo n\u00e3o existia, era um dos nomes que usava para assinar mat\u00e9rias. Apavorado, mas tentando despachar naturalidade tentou despachar o intruso o mais depressa poss\u00edvel:<\/p>\n<p>&#8211; O Augusto n\u00e3o est\u00e1. Quer deixar recado?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o. \u00c9 s\u00f3 com ele mesmo. Posso sentar e espera-lo?<\/p>\n<p>Confirmado, o homem era mesmo um tira. Sentou-se a uma mesa, pegou um exemplar antigo da Pomba, acendeu um cigarro e passou a ler, com ar de quem n\u00e3o estava com a menor pressa. Uma hora depois continuava l\u00e1. Havia lido todos os n\u00fameros velhos da revista, mas n\u00e3o dava sinais de que pretendia ir embora. Paulo lembrou-se da li\u00e7\u00e3o adquirida durante os saltos sobre a ponte, na inf\u00e2ncia: a melhor maneira de diminuir o sofrimento \u00e9 enfrentar o problema no nascedouro. Decidiu contar logo a verdade para o policial \u2013 tinha absoluta certeza de que se tratava de um policial. (&#8230;) Tomou coragem e, piscando muito, confessou quem mentira:<\/p>\n<p>&#8211; O senhor me desculpe, mas n\u00e3o existe nenhum Augusto Figueiredo aqui. Quem escreveu o artigo fui eu, Paulo Coelho. Qual foi o problema?<\/p>\n<p>O visitante abriu um largo sorriso e dois bra\u00e7os compridos, com se oferecesse um abra\u00e7o, e falou com forte sotaque baiano:<\/p>\n<p>&#8211; Mas ent\u00e3o \u00e9 com voc\u00ea mesmo que eu quero falar, rapaz! Muito prazer, meu nome \u00e9 Raul Seixas.<\/p>\n<p>* E assim nasceu a parceria mais emblem\u00e1tica da m\u00fasica popular brasileira nos doidos e do\u00eddos anos 70&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Trecho do livro O Mago, biografia de Paulo Coelho,<br \/>\nadmiravelmente escrita pelo jornalista<br \/>\ne escritor Fernando Morais:<\/p>\n<p>Como o or\u00e7amento era insuficiente para contratar mesmo que fosse um \u00fanico colaborador,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11156"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11156\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16784,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11156\/revisions\/16784"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}