{"id":11277,"date":"1978-03-04T00:00:00","date_gmt":"1978-03-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-13T20:04:10","modified_gmt":"2017-09-13T20:04:10","slug":"plinio-marcos-um-maldito-cuspindo-fora-a-cultura-importada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/plinio-marcos-um-maldito-cuspindo-fora-a-cultura-importada\/","title":{"rendered":"Pl\u00ednio Marcos. Um maldito cuspindo fora a cultura importada"},"content":{"rendered":"<p>Fruto maduro de uma inopinada coincid\u00eancia, a entrevista com Pl\u00ednio Marcos, teatr\u00f3logo, ator, jorna\u00aclista, escritor, sambista e muitas mumunhas mais neste mundar\u00e9u, deve ser atribu\u00edda aos caprichos especiais da obstina\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. Na verdade, h\u00e1 algum tempo j\u00e1 se matutava sobre a possibilidade de um encontro com esse que \u00e9 um personagem sempre pol\u00eamico, sempre atuante da cultura nacional. Mas em todas ocasi\u00f5es se trope\u00e7ava na falta de refer\u00eancias quanto \u00e0 sua atual localiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Superado esse empecilho, \u00e0s custas de, digamos assim, um &#8220;feliz esbarr\u00e3o&#8221;, p\u00f4de-se, af\u00acinal, entrevist\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Com o olhar de um ex-malandro, sorrateiro \u00e0 espreita de poss\u00edveis agress\u00f5es em forma de perguntas, Pl\u00ednio foi respondendo, com a desenvoltura de um conferencista experimentado, a Clovis Naconecy de Souza e Rodolfo Carlos Martino, do Jornal da Mooca, toda a uma bateria de quest\u00f5es que estavam engasgadas sobre a cultura nacional e seus pontos de visto a respeito, Sempre com a retina baixa, as p\u00e1lpebras pesadas com todo o fardo de uma gera\u00e7\u00e3o sufocada em sua livre express\u00e3o, resultado de toda uma vida, como ele pr\u00f3prio diz, \u201cdenunciando todas as coisas que a gente v\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>\u2013 Pl\u00ednio, voc\u00ea est\u00e1 fazendo atualmente o qu\u00ea?<\/p>\n<p>PM \u2013 Atualmente (mar\u00e7o de 1978), eu tenho duas pe\u00e7as em cartaz. Uma chamada \u201cO Poeta da Vila\u201d que est\u00e1 aqui em S\u00e3o Paulo h\u00e1 nove meses e outra que est\u00e1 correndo pelo Brasil que \u00e9 \u201cOs Dois Perdidos Numa Noite Suja\u201d. Ao lado disso, meus livros est\u00e3o vendendo muito bem&#8230; eu vivo folgado.<\/p>\n<p>\u2013 O que voc\u00ea se considera mais precisamente: um teatr\u00f3logo, um ator, um jornalista ?<\/p>\n<p>PM \u2013 Pelas circunst\u00e2ncias, eu aprendi a brincar nas onze, n\u00e9? Sou autor, sou jornalista, sou ator, autor teatral, radialista, uma por\u00e7\u00e3o de coisa. Sou romancista. Por fun\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias, acabei me esfor\u00e7ando nas onze e dando certo.<\/p>\n<p>&#8211; Seria interessante fazer uma retrospectiva de como voc\u00ea come\u00e7ou, dificuldades&#8230;?<\/p>\n<p>PM &#8211; Eu nasci em Santos em 1935, tenho, portanto, 42 anos. Comecei minha carreira art\u00edstica no Pavilh\u00e3o Teatro Liberdade como palha\u00e7o, trabalhando cinco anos no circo. Depois passei a escrever e logo a dar trabalho para a pol\u00edcia. A primeira pe\u00e7a, \u201cBarrela\u201d, esta proibida at\u00e9 hoje j\u00e1 faz 18 anos.<\/p>\n<p>&#8211; Essa pe\u00e7a falava em pres\u00eddios?<\/p>\n<p>PM -Pres\u00eddio, exatamente. O que \u00e9 pena, pois \u00e9 apenas uma reportagem de dezoito anos atr\u00e1s, mas que ainda tem valor hoje porque a realidade brasileira n\u00e3o se alterou. Muito pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 piorou, n\u00e9?<\/p>\n<p>\u2013 Esse \u00faltimo musical seu \u201cO Poeta da Vila\u201d fala especialmente da vida de Noel Rosa. Seria oportuno que voc\u00ea lembrasse o show anterior onde, al\u00e9m do humor, fazia uma esp\u00e9cie de divulga\u00e7\u00e3o do samba paulista?<\/p>\n<p>PM \u2013 \u201cPl\u00ednio Marcos e os Pagodeiros. O Humor Grosso e Maldito das Quebradas do Mundar\u00e9u\u201d era uma tentativa de se criar espa\u00e7o para os compositores aut\u00eanticos do samba de S\u00e3o Paulo, como Toniquinho Batuqueiro, Talism\u00e3, Geraldo Fiume, Zeca da Casa Verde, Paulinho Carneiro, Silvio Modesto, essa turma a\u00ed.<\/p>\n<p>\u2013 E o resultado?<\/p>\n<p>PM \u2013 Foi muito bom. Gravamos discos. Fizemos novela na televis\u00e3o, e outros programas. Realizamos uma por\u00e7\u00e3o de coisas. Acontece que enquanto a gente n\u00e3o tiver posse do mercado brasileiro, enquanto n\u00f3s vivermos de importa\u00e7\u00e3o de cultura de consumo, nada vai ser bom para o artista brasileiro.<\/p>\n<p>\u2013 Li uma entrevista, voc\u00ea fazendo uma compara\u00e7\u00e3o entre cultura erudita e cultura popular. Explique isso?<\/p>\n<p>PM- Eu n\u00e3o fiz essa compara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o. Eu disse que os intelectuais brasileiros s\u00e3o marginais de classe m\u00e9dia que querem ganhar status atrav\u00e9s da cultura. E por isso mesmo eles s\u00f3 d\u00e3o import\u00e2ncia para a cultura erudita, desprezam a cultura de massa, a cultura popularesca e desconhecem totalmente a cultura popular.<\/p>\n<p>\u2013 No ano passado tivemos o caso do Macumbinha (violonista negro que morreu no anonimato), voc\u00ea poderia colocar a situa\u00e7\u00e3o do m\u00fasico brasileiro. Naquela ocasi\u00e3o, lembro, voc\u00ea escreveu uma cr\u00f4nica a respeito da morte desse m\u00fasico.<\/p>\n<p>PM \u2013 A posi\u00e7\u00e3o do m\u00fasico \u00e9 a de todos artistas, de todos n\u00f3s. S\u00e3o 172 filmes estrangeiros na televis\u00e3o brasileira por semana. 80 % das m\u00fasicas que tocam nas r\u00e1dios s\u00e3o estrangeiras, todos os dias. S\u00e3o 9.600 filmes estrangeiros contra 100 filmes brasileiros por ano no Brasil. Ent\u00e3o, tudo isso, evidentemente, nos tira o mercado de trabalho e as pessoas v\u00e3o acabar, como Macumbinha, se matando por desespero, por n\u00e3o poder sustentar a fam\u00edlia, s\u00f3 com o exerc\u00edcio de seu of\u00edcio, de sua arte.<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea \u00e9 a favor dessa lei de obrigatoriedade?<\/p>\n<p>PM &#8211; N\u00e3o. Sou contra que entre lixo estrangeiro. Por que lixo estrangeiro? Por que n\u00f3s temos que ter leis que protejam o filme estrangeiro? Em nenhum pa\u00eds civilizado do mundo voc\u00ea protege a importa\u00e7\u00e3o de cultura de consumo. S\u00f3 no Brasil, que aqui as classes dominantes vivem de vender caf\u00e9 ao estrangeiro. E para o estrangeiro comprar caf\u00e9 a gente tem que comprar a cultura de consumo deles. E n\u00f3s estamos gastando mais na cultura de consumo do que na importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. O que evidentemente \u00e9 um empobrecimento econ\u00f4mico para o pa\u00eds, al\u00e9m de ser um empobrecimento cultural de nosso povo. Que essa importa\u00e7\u00e3o de cultura est\u00e1 esmagando nossas manifesta\u00e7\u00f5es mais espont\u00e2neas.<\/p>\n<p>\u2013 Sua opini\u00e3o sobre cinema nacional?<\/p>\n<p>PM &#8211; Cinema nacional n\u00e3o pode existir porque n\u00e3o tem mercado. Se eles passam 9.600 filmes estrangeiros contra apenas 100 brasileiros, como \u00e9 que vai se formar uma ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica? Porque quem decide o que deve ser visto por n\u00f3s, brasileiros, \u00e9 o exibidor, geralmente tem um traidor da p\u00e1tria, um ignoranta\u00e7o ganancioso ou ent\u00e3o o distribuidor que \u00e9 um mero testa-de-ferro das multinacionais do cinema. Ent\u00e3o nosso cinema n\u00e3o pode existir, m\u00e3o pode ter sua linguagem pr\u00f3pria. N\u00f3s temos que conquistar nosso mercado de trabalho, para depois discutir cinema.<\/p>\n<p>&#8212; Qual a import\u00e2ncia do teatro brasileiro hoje?<\/p>\n<p>PM &#8211; O teatro brasileiro n\u00e3o faz nenhum sentido ao prezado momento, porque ele n\u00e3o \u00e9 uma tribuna livre onde se possa discutir, at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias, o problema do homem brasileiro. \u00c9 um teatro subvencionado pelo governo, e qualquer arte atrelada a quem det\u00e9m o poder \u00e9 uma arte menor, muito menor. N\u00e3o pode nem fazer seu papel de ser cr\u00edtica da sociedade. Ao lado disso, a censura, que \u00e9 um bra\u00e7o do colonialismo cultural, constrange os artistas que gostariam de discutir a realidade brasileira. Ent\u00e3o, gera essa onda de obscurantismo, que envolve nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u2013 Atualmente, quantas pe\u00e7as voc\u00ea tem censuradas?<\/p>\n<p>PM \u2013 Quantas eu tenho ou&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 Ou quantas foram liberadas ?<\/p>\n<p>PM \u2013 tenho duas pe\u00e7as em cartaz. As que n\u00e3o est\u00e3o em cartaz ou est\u00e3o proibidas ou est\u00e3o sem alvar\u00e1 que \u00e9 a mesma coisa. Pois n\u00e3o pode ser encenada. Ao todo, escrevi at\u00e9 agora 22 pe\u00e7as.<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea sempre foi muito visado pela censura. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>PM &#8211; Bem, eu n\u00e3o me componho, n\u00e3o aceito com facilidade. Muito menos escrevo fazendo auto-censura. Ent\u00e3o, sempre cria atritos. Agora eu n\u00e3o sou sambista, mas mesmo no mundo do samba eu j\u00e1 fui proibido. Por exemplo, a Mocidade Alegre do Bairro do Lim\u00e3o ia trazer uma alegoria, certa feita, com uma frase minha e a censura proibiu.<\/p>\n<p>\u2013 Qual era a frase?<\/p>\n<p>PM \u2013 Era: \u201cUm povo que n\u00e3o ama e que n\u00e3o preserva suas formas de express\u00e3o mais aut\u00eanticas jamais ser\u00e1 um povo livre\u201d.<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea se acha um homem realizado?<\/p>\n<p>PM \u2013 Se eu me achasse um homem realizado eu deitava e morria, n\u00e9? N\u00e3o pode haver nenhuma realiza\u00e7\u00e3o para n\u00f3s, enquanto o povo brasileiro estiver nesse estado de miserabilidade em que se encontra. Impedido at\u00e9 de participar da sua hist\u00f3ria, e impedido de influir no seu pr\u00f3prio destino. Como fa\u00e7o parte do povo, tamb\u00e9m estou constrangido. Igualmente, n\u00e9?<\/p>\n<p>\u2013 E como anda o Pl\u00ednio Marcos jornalista?<\/p>\n<p>PM \u2013 Como jornalista, eu fui posto pra fora das \u201cFolhas\u201d, da \u201cVeja\u201d, do \u201cPlacar\u201d, da \u201c\u00daltima Hora\u201d. Enfim, fui posto para fora de todos os lugares que eu trabalhei, e nunca foi pelo patr\u00e3o, pelo diretor. Sempre foram press\u00f5es externas, o que pra mim \u00e9 motivo de orgulho. Uma vez que sempre incomodei escrevendo&#8230; Essa \u00e9 a minha finalidade, a finalidade de todos aqueles que trabalham com pensamento, com o intelecto, \u00e9 ser perigoso. Se o intelectual n\u00e3o for perigoso, n\u00e3o tem nenhum sentido. E eu n\u00e3o posso nada, mas eu sei que incomodo.<\/p>\n<p>\u2013 Como conferencista, no entanto, voc\u00ea est\u00e1 se saindo bem, n\u00e3o \u00e9? Parece que em m\u00e9dia voc\u00ea realiza umas 40 palestras em faculdades. \u00c9 isso?<\/p>\n<p>PM &#8211; Ano passado, fiz 60 palestras em faculdades. E esse ano j\u00e1 vou pra oito, com mais 30 marcadas. Eu falo sobre as necessidades culturais do povo. Abordo o problema do r\u00e1dio, cinema, m\u00fasica popular, lazer, futebol, todas essas coisas.<\/p>\n<p>\u2013 Pl\u00ednio, \u00e9 definitivo isto: com a censura n\u00e3o h\u00e1 escapat\u00f3ria, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de sobreviv\u00eancia de nenhuma forma espont\u00e2nea de cultura popular?<\/p>\n<p>PM \u2013 Nem com a censura, nem com o elitismo das classes dominantes. No Brasil, o que a gente tem que fazer nesse momento \u00e9 funcionar como incentivador do povo, para que ele participe de sua hist\u00f3ria. Tudo o que est\u00e1 a\u00ed, tudo o que se fala de pol\u00edtica, s\u00e3o sempre grupos discutindo pra ver quem vai ser o pr\u00f3ximo tutor do povo. A gente n\u00e3o quer isto. A gente quer que o povo participe de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8212; Pl\u00ednio, quais as pessoas que voc\u00ea admira e que apesar de todas as press\u00f5es conseguiram se manter honestas em seu comportamento?<\/p>\n<p>PM \u2013 Ah! Mas isso \u00e9 evidente. O obscurantismo \u00e9 muito grande, as pessoas fracas v\u00e3o se degenerando, v\u00e3o enveredando pelos caminhos do escapismo, mas em compensa\u00e7\u00e3o surgem os grandes gigantes. N\u00f3s poder\u00edamos citar dom Paulo Evaristo Arns, que \u00e9 uma figura maravilhosa, um esp\u00edrito iluminado, tem sido um realmente um bom orientador. Eu poderia citar o frei Beto, que est\u00e1 fazendo um trabalho maravilhoso nas favelas de Vit\u00f3ria. Eu posso citar esse homem de valor extremo que \u00e9 o H\u00e9lio Bicudo. Poderia citar, no meio jornal\u00edstico, v\u00e1rios colegas, entre outros o Mino Carta, por exemplo, que tem se portado com extrema dignidade. Ele n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico, outros tamb\u00e9m t\u00eam. E assim por diante. Nessa \u00e9poca v\u00e3o surgindo os verdadeiros gigantes que lutam pelo direito humano, que v\u00e3o dar uma contribui\u00e7\u00e3o decisiva para que a humanidade d\u00ea um passo a frente.<\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00ea tem alguma previs\u00e3o do que vai fazer futuramente? Voc\u00ea est\u00e1 preparando algum livro outra pe\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>PM \u2013 Sempre estou escrevendo. Agora estou escrevendo um livro. Ainda nem sei como classific\u00e1-lo, se romance de den\u00fancia, de testemunho, sei l\u00e1 o qu\u00ea. Chama-se \u201c Na Aldeia do Desconsolo\u201d. Continuo tamb\u00e9m fazendo confer\u00eancias a\u00ed por todo o interior e mesmo em outros estados.<\/p>\n<p>\u2013 Quando da proibi\u00e7\u00e3o de \u201cAbajur Lil\u00e1s\u201d, como \u00e9 que foi exatamente. O que sucedeu? Parece que a pe\u00e7a estava prestes a entrar em cartaz&#8230;<\/p>\n<p>PM \u2013 \u00c9, eles quiseram ver a pe\u00e7a pelo ensaio geral. Ent\u00e3o, teve que fazer a produ\u00e7\u00e3o toda e na hora do ensaio geral eles proibiram. \u00c9 um direito que eles t\u00eam, dessa regra, desde que a gente se submeta a regra do jogo, eles t\u00eam esse direito.<\/p>\n<p>&#8212; Uma quest\u00e3o tamb\u00e9m bastante complexa no Brasil: o direito autoral. O que voc\u00ea acha disso?<\/p>\n<p>PM \u2013 No que se refere ao direito autoral do autor teatral posso dizer que no Brasil ele \u00e9 correto em 80%. Agora, o pessoal da m\u00fasica reclama muito, \u00e9 realmente um escracho. Como autor teatral, n\u00e3o posso me queixar pois tenho recebido.<\/p>\n<p>\u2013 Ao que se v\u00ea, esse \u00e9 um problema espec\u00edfico da \u00e1rea da m\u00fasica popular&#8230;<\/p>\n<p>PM \u2013 O ECAD, n\u00e9? Todos os compositores est\u00e3o chiando porque o sistema de recolhimento e a distribui\u00e7\u00e3o dessa verba s\u00e3o prec\u00e1rios e d\u00e3o margem a mil tram\u00f3ias.<\/p>\n<p>&#8212; O que voc\u00ea faria se, por exemplo, lhe fosse dado o poder de dirigir o Pa\u00eds?<\/p>\n<p>PM \u2013 Eu como artista jamais ficaria no poder. Ficaria sempre contra o poder. Sou um cr\u00edtico da sociedade e jamais ficaria atrelado ao poder.<\/p>\n<p>\u2013 De que forma voc\u00ea lutaria contra esse poder?<\/p>\n<p>PM \u2013 Da mesma maneira que luto agora, denunciando todos as coisas que a gente v\u00ea.<\/p>\n<p>\u2013 Essa \u00e9 a arma mais eficaz?<\/p>\n<p>PM \u2013 N\u00e3o sei se \u00e9 mais eficaz, mas \u00e9 minha fun\u00e7\u00e3o. Seria rid\u00edculo um escritor oficial<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fruto maduro de uma inopinada coincid\u00eancia, a entrevista com Pl\u00ednio Marcos, teatr\u00f3logo, ator, jorna\u00aclista, escritor, sambista e muitas mumunhas mais neste mundar\u00e9u, deve ser atribu\u00edda aos caprichos especiais da obstina\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-11277","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11277"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11277\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13890,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11277\/revisions\/13890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}