{"id":11476,"date":"2009-11-16T00:00:00","date_gmt":"2009-11-16T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:39:22","modified_gmt":"2017-09-15T19:39:22","slug":"silenciosa-oracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/silenciosa-oracao\/","title":{"rendered":"Silenciosa ora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Sentia-me acolhido todas as vezes que chegava ao Ipiranga pela manh\u00e3, dirigindo meu carro pela via Anchieta. Olhava, ao longe, a torre da igreja Imaculada Concei\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda e a da Nossa Senhora Aparecida \u00e0 minha direita.<\/p>\n<p>&#8212; Deus nos aben\u00e7oe, murmurava mesmo em pensamento.<\/p>\n<p>Fiz esse trajeto diariamente por mais de duas d\u00e9cadas a caminho do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>As duas constru\u00e7\u00f5es destacavam-se em meio aos pr\u00e9dios, e me inspiravam a silenciosa ora\u00e7\u00e3o e a certeza de uma boa jornada pela frente.<\/p>\n<p>Entre S\u00e3o Bernardo, onde moro, e a reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado na rua Bom Pastor, topava com duas outras igrejas mesmo que distantes: a de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, no Rudge Ramos, com imponente c\u00fapula e a de S\u00e3o Vicente de Paulo, j\u00e1 em S\u00e3o Paulo, nos arredores da Anchieta.<\/p>\n<p>No entanto, o momento de maior espiritualidade era aquele mesmo que me propiciava a vis\u00e3o dos obeliscos das tradicionais par\u00f3quias do tradicional bairro paulistano.<\/p>\n<p>Pelo in\u00edcio deste s\u00e9culo, quando ainda trabalhava em Sampa, pude acompanhar o crescimento dos pr\u00e9dios nas imedia\u00e7\u00f5es da avenida Nazar\u00e9 \u2013 \u00e1rea nobre do Ipiranga \u2013 e dei de barato, inevit\u00e1vel mesmo, o lento desaparecer da torre da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o do meu campo de vis\u00e3o. <\/p>\n<p>Fiquei triste, mas n\u00e3o lamentei. Restara a da Nossa Senhora Aparecida, constru\u00edda na rua Labatut, onde s\u00f3 havia casas t\u00e9rreas; quando muito,  sobrados. Fiquei mais ou menos tranq\u00fcilo. At\u00e9 porque n\u00e3o sei quanto mede a torre, mas \u00e9 alt\u00edssima.<\/p>\n<p>Deixei de trabalhar no jornal h\u00e1 algum tempo \u2013 e tenho ido raras vezes a S\u00e3o Paulo. Quase sempre troco o percurso: troco o per\u00edmetro urbano da Anchieta pelas quebradas da Vergueiro. <\/p>\n<p>Enfim, n\u00e3o passava pela regi\u00e3o algum tempo.<\/p>\n<p>Ontem, por\u00e9m, tomei o velho caminho para o Ipiranga e me espantei com o que vi.<\/p>\n<p>Voc\u00eas j\u00e1 devem imaginar&#8230;<\/p>\n<p>Falta um tantinho para que se perca a vis\u00e3o da torre da igreja Nossa Senhora Aparecida, espremida entre o \u00b4cintur\u00e3o de \u2018espig\u00f5es\u2019; alguns ainda em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; Deus nos aben\u00e7oe, murmurei; mais em tom de desalento do que de silenciosa ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>* FOTO NO BLOG: Walter da Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sentia-me acolhido todas as vezes que chegava ao Ipiranga pela manh\u00e3, dirigindo meu carro pela via Anchieta. Olhava, ao longe, a torre da igreja Imaculada Concei\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda e a da Nossa Senhora Aparecida \u00e0 minha direita.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11476","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11476"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11476\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16484,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11476\/revisions\/16484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}