{"id":11983,"date":"2011-08-02T00:00:00","date_gmt":"2011-08-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:29:36","modified_gmt":"2017-09-15T19:29:36","slug":"o-homem-nu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-homem-nu\/","title":{"rendered":"O Homem Nu"},"content":{"rendered":"<p>Foi l\u00e1 pelos anos 60 que o autor mineiro, Fernando Sabino, escreveu a cr\u00f4nica \u201cO Homem Nu\u201d. Teve enorme repercuss\u00e3o pela sagacidade do tema. Tanto que, anos mais tarde, em 68, a hist\u00f3ria ganhou as telas do cinema com a assinatura de Roberto Santos e Paulo Jos\u00e9 como o desafortunado cidad\u00e3o que, por for\u00e7as das circunst\u00e2ncias, se v\u00ea nu em pelos, pelas ruas do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O filme foi um sucesso de cr\u00edtica, nem tanto de p\u00fablico \u2013 era o auge do Cinema Novo.<\/p>\n<p>O roteiro \u00e9 simples.<\/p>\n<p>Ao tentar pegar o jornal na \u00e1rea do pr\u00e9dio onde mora, o pacato professor de m\u00fasica folcl\u00f3rica, S\u00edlvio Proen\u00e7a, \u00e9 surpreendido pela porta que se fecha abruptamente \u00e0s suas costas. Acontece que o homem est\u00e1 pelado \u2013 e n\u00e3o consegue voltar para dentro do apartamento. Por mais que insista na campainha, a mulher (a bela Leila Diniz) n\u00e3o o atende.  Para evitar o esc\u00e2ndalo, ele se esconde dos vizinhos que passam a perseguir o insano \u201ctarado\u201d. Na fuga, Proen\u00e7a acaba na rua e a\u00ed a ca\u00e7ada ao homem nu se espalha por toda a cidade.<\/p>\n<p>Na medida em que corre daqui para ali, o professor come\u00e7a a conhecer um Rio de Janeiro que nunca pensou existir.<\/p>\n<p>No meio do pega-pega, ele at\u00e9 que n\u00e3o se d\u00e1 de todo mal, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Conhece uma mulata fenomenal \u2013 a estonteante Esmeralda Barros &#8212; e tudo termina bem, depois de tantas e tamanhas confus\u00f5es.<\/p>\n<p>Lembrei desta hist\u00f3ria por um fato que aconteceu na manh\u00e3 deste domingo na pra\u00e7a em frente ao pr\u00e9dio onde moro, em S\u00e3o Bernardo do Campo.<\/p>\n<p>Um motorista pelad\u00e3o \u2013 e desconfio que breaco, pois encontraram uma garrafa de u\u00edsque do bom vazia dentro do ve\u00edculo \u2013 chapou o seu Chevrolet Camaro de 200 contos em um muro antes de invadir o gramado da referida pra\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Nem bafaf\u00e1.<\/p>\n<p>Os policiais levaram o dito-cujo para fazer o boletim de ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p>E l\u00e1 o distinto se apresentou de cueca e camiseta \u2013 sei l\u00e1 onde lhe arranjaram as sum\u00e1rias vestimentas.<\/p>\n<p>Acordei no domingo pela manh\u00e3 \u2013 e a vida seguia l\u00e9pida e faceira. Sem qualquer ru\u00eddo de anormalidade. N\u00e3o ouvi sequer um reles coment\u00e1rio sobre o palpitante assunto para animar a conversa na padaria, na banca de jornal, no bom-dia do porteiro.<\/p>\n<p>Nada. Nadinha&#8230;<\/p>\n<p>S\u00f3 fiquei sabendo do babado ontem pela internet.<\/p>\n<p>Vejam voc\u00eas o poder das tais redes sociais, onde a not\u00edcia dizem que bombou.<\/p>\n<p>Sinais dos tempos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi l\u00e1 pelos anos 60 que o autor mineiro, Fernando Sabino, escreveu a cr\u00f4nica \u201cO Homem Nu\u201d. Teve enorme repercuss\u00e3o pela sagacidade do tema. 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