{"id":12270,"date":"2012-07-06T00:00:00","date_gmt":"2012-07-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:23:53","modified_gmt":"2017-09-15T19:23:53","slug":"sarria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sarria\/","title":{"rendered":"Sarri\u00e1 *"},"content":{"rendered":"<p>(IT\u00c1LIA IMPLAC\u00c1VEL: 3X2.<br \/>\nBRASIL FORA DO MUNDIAL DA ESPANHA)<\/p>\n<p>Sabe-se, a luz do bom, senso, que a Copa do Mundo nada mais \u00e9 do que uma competi\u00e7\u00e3o esportiva. Talvez a mais emocionante do Planeta. Para os apaixonados torcedores brasileiros,certamente \u00e9 a mais importante. Raz\u00e3o de vida. Afinal, vivemos ou n\u00e3o no Pa\u00eds do Futebol?<\/p>\n<p>Pois bem. H\u00e1 algumas semanas, quando ainda era crescente a expectativa pelo Mundial,escrevi aqui, nesse espa\u00e7o, que a vida, apesar de todo nosso arrebatamento, n\u00e3o se resumia a uma Copa do Mundo. E creio mesmo, n\u00e3o apenas por estarmos alijados de mais esse t\u00edtulo \u2013 que desilus\u00e3o! -, de mais essa alegria, que h\u00e1 conquistas bem mais reais \u00e0 espera de toda f\u00e9, de toda participa\u00e7\u00e3o, de todo patriotismo demonstrados nas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p>Compreendo! <\/p>\n<p>Essa coloca\u00e7\u00e3o logo ap\u00f3s o fracasso nas \u201ccalientes\u201d e acolhedoras plagas espanholas pouco ou quase nada adianta, tal o desconsolo de nossa gente. Pode-se perder em tudo. O brasileiro faz at\u00e9 piada da infla\u00e7\u00e3o, do custo de vida. Chega mesmo a ironizar as estultices de seus homens p\u00fablicos. E nem se incomoda caso lhe inventem um novo &#8211; e absurdo \u2013 imposto a pagar. Pode-se perder em tudo &#8211; repito, menos no futebol, mescla de arte, paix\u00e3o e vida de um povo.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se a afirma\u00e7\u00e3o de algumas semanas teve algo de premoni\u00e7\u00e3o ou coisa do tipo. Confesso desde j\u00e1 que n\u00e3o sou afeito a adivinha\u00e7\u00f5es. Sei, por\u00e9m, que, embora cintilasse a confian\u00e7a no brilho dos comandos de Tel\u00ea Santana &#8211; o bom-mineiro &#8211; sempre achei conveniente ficar de sobreaviso. N\u00e3o foi pessimismo, n\u00e3o. Uma quest\u00e3o de prud\u00eancia.<\/p>\n<p>Hoje, j\u00e1 com alguma frieza, concluo que foi exatamente esse imprescind\u00edvel ingrediente que faltou \u00e0 Sele\u00e7\u00e3o, mais especificamente diante da It\u00e1lia &#8211; um advers\u00e1rio forte, com jogadores experientes e, reconhe\u00e7a-se, de talento indiscut\u00edvel.<\/p>\n<p>Com efeito, o pr\u00f3prio Zez\u00e9 Moreira, veterano conhecedor de futebol que acompanhou, como \u201colheiro\u201d da CBF, a chave da It\u00e1lia na primeira etapa do Mundial, observou a Tel\u00ea: merece respeito um time composto por jogadores como Zoff, Gentile, Chirea, Cabrini, Tardelli, Antonioni, Bruno Conti e esse oportunista Paulo Rossi.<\/p>\n<p>Apesar do alerta, todos os brasileiros s\u00f3 falavam em goleada. Mesmo quando est\u00e1vamos em desvantagem no marcador, ningu\u00e9m se abalou. Os deuses da bola logo, logo despertariam para o massacre \u00e0 atrevida Azzurra. E assim foi at\u00e9 o surpreendente terceiro gol que, na verdade, dizimou todas as esperan\u00e7as nativas. Por essa, h\u00e1 quem acrescente, nem os italianos esperavam.<\/p>\n<p>Concordo que n\u00e3o \u00e9 tempo de se promover uma desnecess\u00e1ria ca\u00e7a \u00e0s bruxas, acusar esse ou aquele, procurar culpados. Afinal, pelo que se viu, todos perdemos a chance de ser tetra. Particularmente, no entanto, gostaria de fazer uma breve &#8211; mas, indispens\u00e1vel &#8211; ressalva. Esse pessoal que nos representou no Mundial 82 \u00e9, sem d\u00favida, o que h\u00e1 de melhor. Talvez pud\u00e9ssemos trocar dois ou tr\u00eas nomes &#8211; nada mais. E fez o que p\u00f4de, o que estava ao alcance de cada um. S\u00f3 que eles n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o perfeitos como decantou nossa imprensa. T\u00eam falhas \u2013 e graves. <\/p>\n<p>Na verdade, desde o Mundial de 70, nossos jogadores n\u00e3o chegam a se completar como craques, campe\u00f5es, e por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es. A principal delas \u00e9 o endeusamento precoce que dirigentes, torcedores e sobretudo a imprensa esportiva logo promovem quando surge algu\u00e9m acima da m\u00e9dia. <\/p>\n<p>N\u00e3o raras vezes, bastam um ou dois jogos para ser citado como novo Pel\u00e9,<br \/>\nganhar manchetes e p\u00e1ginas inteiras sobre sua vida e seu futuro. Da\u00ed logo se descobre que ele pode gravar um disco, virar garoto propaganda, ser pastor de uma nova religi\u00e3o etc.<\/p>\n<p>Claro que com tantos interesses em jogo, com tantos milh\u00f5es rolando, em meio a tanto oba-oba, fica dif\u00edcil que o indiv\u00edduo, de repente, entenda-se como um simples atleta. Que ele depende de seus m\u00fasculos e de seu empenho para vencer &#8211; e que a vit\u00f3ria nunca est\u00e1 garantida antes dos 90 minutos.<\/p>\n<p>Segunda-feira, de triste mem\u00f3ria, a P\u00e1tria descal\u00e7ou as chuteiras. E por momentos, vestiu-se de luto.<\/p>\n<p>*Cr\u00f4nica que escrevi em 5 de Julho de 1.982 sobre a Trag\u00e9dia de Sarri\u00e1, publicada no livro \u201c\u00c0s Margens Pl\u00e1cidas do Ipiranga\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(IT\u00c1LIA IMPLAC\u00c1VEL: 3X2.<br \/>\nBRASIL FORA DO MUNDIAL DA ESPANHA)<\/p>\n<p>Sabe-se, a luz do bom, senso, que a Copa do Mundo nada mais \u00e9 do que uma competi\u00e7\u00e3o esportiva.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12270","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12270","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12270"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12270\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15726,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12270\/revisions\/15726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12270"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12270"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12270"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}