{"id":12663,"date":"2013-11-28T00:00:00","date_gmt":"2013-11-28T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:16:36","modified_gmt":"2017-09-15T19:16:36","slug":"tchinim-e-o-craque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/tchinim-e-o-craque\/","title":{"rendered":"Tchinim e o craque"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o lembro se, naqueles idos dos anos 50, in\u00edcio dos 60, Nilton Santos era chamado de \u2018Enciclop\u00e9dia do Futebol\u2019, como jornais e jornalistas o definem nesses dias (ontem e hoje) em que lamentamos sua morte. <\/p>\n<p>Deveria ser.<\/p>\n<p>Imagino que possa ser mais uma das geniais caracteriza\u00e7\u00f5es de N\u00e9lson Rodrigues.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho certeza.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>\u00c0quela \u00e9poca, o pai de Tchinim e os amigos, a italianada que fazia ponto no Bar Ast\u00f3ria da rua Lavap\u00e9s, s\u00f3 o chamavam de o \u201cPai da Bola\u201d. <\/p>\n<p>Na verdade, era assim que chamavam os grandes da \u00e9poca. <\/p>\n<p>Zizinho, por exemplo. Mauro Ramos de Oliveira, Le\u00f4nidas (que n\u00e3o vi jogar), e outros poucos.<\/p>\n<p>Pel\u00e9 n\u00e3o havia estourado e, quando explodiu na Copa de 58, j\u00e1 virou o Rei do Futebol.<\/p>\n<p>Desconfio que a express\u00e3o estava em voga, como se dizia antigamente.<\/p>\n<p>Assim, mesmo jogando em um clube do Rio, o nome do lateral do Botafogo era indiscut\u00edvel na sele\u00e7\u00e3o brasileira que todos escalavam a bel prazer, na roda de conversa e cerveja. T\u00ednhamos bons laterais esquerdos no futebol paulista \u2013 Geraldo Scotto (no Palmeiras), Dalmo (Santos), Riberto (S\u00e3o Paulo), Oreco (Corinthians), reserva de Nilton no Mundial da Su\u00e9cia -, mas a titularidade do craque era absoluta.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>S\u00f3 o garoto Tchinim, na imin\u00eancia de seus nove, dez anos, discordava da opini\u00e3o da turma. Preferia o voluntarioso Altair, do Fluminense.<\/p>\n<p>Os adultos riam do menino.<\/p>\n<p>&#8211; Mas, que caspta, essa miniatura de gente diz, dizia um.<\/p>\n<p>&#8211; Quer ser do contra, dizia outro.<\/p>\n<p>E ningu\u00e9m o levava a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>S\u00f3 o pai sabia dos reais motivos da prefer\u00eancia do garoto.<\/p>\n<p>Nos \u2018rachas\u2019 entre os moleques, no campinho da rua Apia\u00ed, Tchinim era um bec\u00e3o dos mais esfor\u00e7ados, ralava-se todo dando carrinho nos atacantes advers\u00e1rios, empenhad\u00edssimo na marca\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sabia jogar de cabe\u00e7a erguida, com toques sutis e elegantes, no melhor estilo de Nilton Santos.<\/p>\n<p>Ou seja, o futebolzinho praticado por Tchinim se aproximava (com muit\u00edssima boa vontade) do estilo do jogador do tricolor carioca.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Importante salientar que, naqueles tempos, o Canal 100, cinejornalismo exibido antes de cada sess\u00e3o, dava show em imagens de lances dos cl\u00e1ssicos do futebol carioca. Alem do que, e principalmente, o Torneio Rio\/S\u00e3o Paulo, com os cinco melhores de cada cidade, era interessant\u00edssimo.<\/p>\n<p>Um encontro entre o Santos e o Botafogo reunia torcedores de todos os clubes, fosse no Maracan\u00e3, fosse no Pacaembu. <\/p>\n<p>Imaginem o duelo de gigantes.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o, querem uma mostra?<\/p>\n<p>O ataque do Santos era o tal: Dorval, Meng\u00e1lvio, Coutinho, Pel\u00e9 e Pepe. O do Fog\u00e3o n\u00e3o ficava atr\u00e1s: Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Tchinim queria ver todos.<\/p>\n<p>Insistia com o pai, com os amigos do pai, com os tios&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o podia perder.<\/p>\n<p>Queria ver Nilton Santos jogar.<\/p>\n<p>Sempre soube distinguir entre sonho e realidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o lembro se, naqueles idos dos anos 50, in\u00edcio dos 60, Nilton Santos era chamado de \u2018Enciclop\u00e9dia do Futebol\u2019, como jornais e jornalistas o definem nesses dias (ontem e hoje) em que lamentamos sua morte.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12663","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12663"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12663\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15357,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12663\/revisions\/15357"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}