{"id":12691,"date":"2014-01-23T00:00:00","date_gmt":"2014-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:16:33","modified_gmt":"2017-09-15T19:16:33","slug":"o-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-encontro\/","title":{"rendered":"O encontro"},"content":{"rendered":"<p>Desconfio que fora o acaso (ou o destino) que os juntou ali, naquele provinciano banco de pra\u00e7a em um parque qualquer da cidade.<\/p>\n<p>Vamos identific\u00e1-los para facilitar a narrativa da hist\u00f3ria: o Mago e a Mo\u00e7a.<\/p>\n<p>Conversavam como se desvendassem, a cada palavra, o mais saboroso dos mist\u00e9rios.<\/p>\n<p>Estavam \u00e0 vontade e, me pareceram mesmo eu \u00e0 dist\u00e2ncia, felizes.<\/p>\n<p>Aposto que nem ele nem ela queriam estar em outra parte do Planeta, com outra pessoa, naquele preciso instante.<\/p>\n<p>Aposto mais. <\/p>\n<p>Conheceram-se recentemente, e havia um encantamento m\u00fatuo. <\/p>\n<p>Inexplic\u00e1vel, mas raro de se encontrar e bom de viver.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Como lhes falo de tudo isso, se estava \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Ora, meus cinco ou seis fi\u00e9is leitores bem sabem que tenho uma tend\u00eancia a ficar imaginando coisas, especialmente diante de situa\u00e7\u00f5es que podem virar uma gostosa cr\u00f4nica que fale da vida e de amores.<\/p>\n<p>Lembrei o Poetinha centen\u00e1rio, Vinicius de Moraes (\u201cA vida \u00e9 arte do encontro\u201d), e resolvi ficar por ali, meio escondidinho, na boa.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Era ele quem mais falava. <\/p>\n<p>Imagino que contasse hist\u00f3rias e est\u00f3rias pessoais e de outros. <\/p>\n<p>Talvez inventasse alguma coisa, s\u00f3 para impressionar a Mo\u00e7a. <\/p>\n<p>Sabemos como s\u00e3o os m\u00e1gicos, cheios de truques.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m, vez ou outra, engatava um coment\u00e1rio. <\/p>\n<p>Mas, na maioria das vezes, ouvia atentamente; em algumas ocasi\u00f5es, como se a pr\u00f3pria Mo\u00e7a fosse ela personagem das long\u00ednquas hist\u00f3rias que o Mago narrava.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>De quando em quando, havia uma pausa. <\/p>\n<p>O celular da Mo\u00e7a dava sinal de vida \u2013 e ela se punha a teclar sabe l\u00e1 o qu\u00ea, para quem&#8230; <\/p>\n<p>Coisas do mundo de moderno que n\u00e3o importunavam o Mago que, nesses momentos, se punha em sil\u00eancio a mirar a lua e, imagino, a buscar novos detalhes do causo para impression\u00e1-la.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Ficaram assim por hora e tanto; talvez duas, sei l\u00e1&#8230; <\/p>\n<p>(E eu ali \u00e0 espreita de um final feliz)<\/p>\n<p>At\u00e9 que resolveram se despedir. <\/p>\n<p>J\u00e1 dera a hora de cada um. <\/p>\n<p>O Mago, \u00e0 moda antiga, acompanhou a Mo\u00e7a at\u00e9 o carro e se cumprimentaram com um longo abra\u00e7o&#8230; Demoraram preciosos segundos para desgrudar-se, n\u00e3o sem antes olharem-se fixamente um nos olhos do outro.<\/p>\n<p>\u201cFoi \u00f3timo\u201d, mesmo longe, intui que foi assim, com essa sensa\u00e7\u00e3o, que se afastaram, querendo mesmo era ficar por ali at\u00e9 o fim dos tempos.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Uau, h\u00e1 de dizer o leitor mais malicioso, se o clima era esse, por que ficaram s\u00f3 no ora veja? N\u00e3o se diz pela a\u00ed que hoje \u00e9 tudo no vapt-vupt, dos peguetes e tal?<\/p>\n<p>Pois, ent\u00e3o, meus caros, eis o mist\u00e9rio, o mais saboroso dos mist\u00e9rios. <\/p>\n<p>N\u00e3o sei de por inspira\u00e7\u00e3o do Mago ou por algum truque da Mo\u00e7a, ambos entenderam que ainda n\u00e3o era hora&#8230;<\/p>\n<p>Talvez um dia fosse&#8230;<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o.<\/p>\n<p>E da\u00ed?<\/p>\n<p>O encontro \u00e9 a arte da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desconfio que fora o acaso (ou o destino) que os juntou ali, naquele provinciano banco de pra\u00e7a em um parque qualquer da cidade.<\/p>\n<p>Vamos identific\u00e1-los para facilitar a narrativa da hist\u00f3ria: o Mago e a Mo\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12691","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12691"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12691\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15329,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12691\/revisions\/15329"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}