{"id":12858,"date":"2014-08-06T00:00:00","date_gmt":"2014-08-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:11:44","modified_gmt":"2017-09-15T19:11:44","slug":"chico-e-o-fardao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/chico-e-o-fardao\/","title":{"rendered":"Chico e o fard\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Leio na home do Uol que , s\u00f3 em Sampa, quatro espet\u00e1culos sa\u00fadam os 70 anos de Chico Buarque de Holanda.<\/p>\n<p>Merecido esse mergulho na obra do de Chico Buarque. Na m\u00fasica popular, no teatro e na literatura, Chico \u00e9 o cronista do Brasil de todos os brasileiros.<\/p>\n<p>Desde o princ\u00edpio, revelou-se um talento promissor.<\/p>\n<p>Estreou com um compacto simples com duas obras primas: \u201cPedro Pedreiro\u201d e \u201cSonho de Um Carnaval\u201d, m\u00fasicas e letras que j\u00e1 preconizavam a genialidade do compositor que mal completara 20 anos.<\/p>\n<p>Eu era garoto e torci por ele no festival da m\u00fasica popular brasileira em 1966. Achei justa a divis\u00e3o do primeiro lugar entre \u201cA Banda\u201d e \u201cDisparada\u201d. Soube depois que a proposta de ter as duas can\u00e7\u00f5es como vencedoras foi do pr\u00f3prio Chico que, pelo j\u00fari, seria o \u00fanico vencedor. Um admir\u00e1vel gesto de grandeza.<\/p>\n<p>J\u00e1 era rapazola de tudo (tinha 17 anos) quando Chico nos surpreendeu com os versos tristes de Roda Viva no festival seguinte no ano hist\u00f3rico de 1967. \u00c9 certo que eu n\u00e3o ainda tinha a percep\u00e7\u00e3o sobre a dura realidade em que viv\u00edamos \u2013 a ditadura prestes a se escancarar. Talvez por isso minha simpatia toda foi para as novidades de \u201cDomingo no Parque\u201d (Gil) e \u201cAlegria Alegria\u201d (Caetano). Venceu \u201cPonteio\u201d, de Edu Lobo e Capinam. Merecidamente.<\/p>\n<p>Ano seguinte, o incandescente 1968, Chico, em parceria com Tom Jobim, venceu o Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o, com a bel\u00edssima \u201cSabi\u00e1\u201d. Mas a\u00ed j\u00e1 era um nome consagrado no cen\u00e1rio art\u00edstico brasileiro. Com 24 anos de idade, reunia uma cole\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es inesquec\u00edveis e que marcaram \u00e9poca: \u201cOl\u00ea Ol\u00e1\u201d, \u201cCarolina\u201d, \u201cNoite dos Mascarados\u201d, \u201cTem Mais Samba\u201d, \u201cJanu\u00e1ria\u201d, \u201cQuem Te Viu e Quem Te V\u00ea\u201d, \u201cCom A\u00e7\u00facar e Com Afeto\u201d, \u201cRealejo\u201d, \u201cMorena dos Olhos D\u2019\u00c1gua\u201d, entre outras.<\/p>\n<p>Em 69, o tempo fechou por aqui.  Chico foi obrigado a viver fora do Pa\u00eds. Por tr\u00eas anos, morou na It\u00e1lia. Quando voltou, continuou a incomodar os Donos do Poder, enfrentou a censura e se consolidou como compositor,  dramaturgo e escritor. \u00c9 dono de uma obra \u00fanica, irrepreens\u00edvel, seja qual for a \u00e1rea que atua.<\/p>\n<p>Se me fosse dado o direito de indicar um nome \u00e0 Academia Brasileira de Letras, n\u00e3o teria d\u00favida em indic\u00e1-lo. S\u00f3 n\u00e3o sei se Chico Buarque aceitaria vestir o tal fard\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leio na home do Uol que , s\u00f3 em Sampa, quatro espet\u00e1culos sa\u00fadam os 70 anos de Chico Buarque de Holanda.<\/p>\n<p>Merecido esse mergulho na obra do de Chico Buarque.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12858","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12858","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12858"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12858\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15169,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12858\/revisions\/15169"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12858"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12858"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12858"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}