{"id":12860,"date":"2014-08-08T00:00:00","date_gmt":"2014-08-08T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:11:44","modified_gmt":"2017-09-15T19:11:44","slug":"bate-papo-com-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/bate-papo-com-jovens\/","title":{"rendered":"Bate-papo com jovens"},"content":{"rendered":"<p>Por que os cronistas gostam de escrever sobre coisas que viveram no passado como se fossem, assim, m\u00e1gicas, \u00fanicas?<\/p>\n<p>Esses jovens de hoje nos fazem cada pergunta!<\/p>\n<p>Falo a um grupo pequeno (oito ou nove rapazes e mo\u00e7as) que divide comigo e outros autores o espa\u00e7o de um sebo (pois, eles ainda existem e me encantam) e a conversa gira em torno das cr\u00f4nicas do livro \u201cVolteios\u201d que lancei em dezembro do ano passado, na Livraria da Vila.<\/p>\n<p>Fundamentalmente, meus textos giram em torno de hist\u00f3rias que vi, vivi ou mesmo inventei (a partir de algum fato real) e que habitam o tempo l\u00fadico do passado.<\/p>\n<p>O projeto do livro faz alus\u00e3o aos meus 40 anos de jornalismo.<\/p>\n<p>Quando ouvem que tenho tanto tempo de \u2018estrada\u2019, arregalam os olhos como se tivesse dito algo fora de qualquer concep\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Espantam-se com minha longevidade.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Uma mo\u00e7a sussurra para outra: <\/p>\n<p>&#8211; Que idade, ele tem, 70, 80?<\/p>\n<p>Me sinto um higlander, mas sigo em frente. <\/p>\n<p>\u201cEscrevo todos os dias. \u00c9 assim que tento me entender e entender o mundo que me cerca. Depois, re\u00fano os textos mais ou menos afins para a realiza\u00e7\u00e3o maior que \u00e9 lan\u00e7ar um livro.\u201d<\/p>\n<p>&#8211; Livro, livro? De papel?<\/p>\n<p>Preparo-me para a pr\u00f3xima pergunta que, me parece, inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>E \u00e9!<\/p>\n<p>Vem l\u00e1 do fundo da roda.<\/p>\n<p>&#8211; Mas, j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 no blog? Quem quiser que leia o post?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 bem assim, tento explicar sem muita convic\u00e7\u00e3o de convenc\u00ea-los. <\/p>\n<p>O livro em si \u00e9 um universo. Prop\u00f5e outro olhar para a mesma hist\u00f3ria que, imagino eu, ganha vida a partir de um contexto formado pelas cr\u00f4nicas que a precedem e est\u00e3o depois dela.<\/p>\n<p>Ou\u00e7o um \u201ch\u00e3\u00e3\u00e3\u00e3\u00e3\u00e3\u00e3\u201d generalizado \u2013 e penso que estou dispensado do interrogat\u00f3rio. <\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>De repente, a mo\u00e7a, ap\u00f3s pin\u00e7ar o seu smartphone com o indicador, sapeca outra quest\u00e3o transcendental sem levantar a cabe\u00e7a:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea n\u00e3o tem facebook!!! Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho como conter o sorriso. Estava demorando.<\/p>\n<p>&#8211; Sou das antigas, digo. Meu s\u00e9culo acabou quando Frank Sinatra morreu. <\/p>\n<p>Chegar ao blog e ao whatsapp j\u00e1 \u00e9 um feito&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>N\u00e3o chego a concluir a frase.<\/p>\n<p>Logo algu\u00e9m encaixa a pergunta que abre as mal tra\u00e7adas de hoje.<\/p>\n<p>Tomo ares professorais para explicar<\/p>\n<p>&#8211; A princ\u00edpio, a cr\u00f4nica nasce como um registro cronol\u00f3gico dos fatos. O jornalista e cronista Carlos Heitor Cony fala que, muitas vezes, seus textos ap\u00f3iam-se no que chama de mat\u00e9ria de mem\u00f3ria e&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; E a roda, aos poucos, foi se desfazendo. Os poucos que ficaram a minha frente ou fu\u00e7avam no celular ou faziam cara de paisagem como se eu falasse em esperanto.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Tomei-me em brios. \u00c9 minha vez de fazer ao menos um questionamento:<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, garoto, me explique: por que voc\u00eas vieram a este Encontro com Autores? Qual o interesse de voc\u00eas em livros?<\/p>\n<p>A resposta n\u00e3o foi das mais animadoras.<\/p>\n<p>&#8211; Coisa da nossa professora. Ela vai dar um ponto na nota para quem visitar ou uma livraria ou um sebo. A gente veio ao shopping e viu a muvuca, entramos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que os cronistas gostam de escrever sobre coisas que viveram no passado como se fossem, assim, m\u00e1gicas, \u00fanicas?<\/p>\n<p>Esses jovens de hoje nos fazem cada pergunta!<\/p>\n<p>Falo a um grupo pequeno (oito ou nove rapazes e mo\u00e7as) que divide comigo e outros autores o espa\u00e7o de um sebo (pois,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12860","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12860","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12860"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12860\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15167,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12860\/revisions\/15167"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12860"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12860"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12860"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}