{"id":12873,"date":"2014-08-21T00:00:00","date_gmt":"2014-08-21T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:11:43","modified_gmt":"2017-09-15T19:11:43","slug":"escova-e-o-adeus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/escova-e-o-adeus\/","title":{"rendered":"Escova e o adeus"},"content":{"rendered":"<p>Estranhamos quando Escova chegou \u00e0 velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor com ar desenxabido e \u201ccheirando a santidade\u201d. <\/p>\n<p>N\u00e3o demorou e o nosso Dom Juan das Quebradas do Sacom\u00e3 confessou o que o afligia: <\/p>\n<p>&#8211; T\u00f4 fora! N\u00e3o quero mais encrenca pro meu lado. A Djanira est\u00e1 na pista. <\/p>\n<p>Quem quiser que fa\u00e7a bom proveito,   <\/p>\n<p>Djanira, explica-se, era uma alentada morena, funcion\u00e1ria da administra\u00e7\u00e3o que a todos comovia e provocava, Como de costume, Escova furou a fila de admiradores, jogou o la\u00e7o e a conversinha e j\u00e1 andava de trolol\u00f3 com a mo\u00e7a.<\/p>\n<p>Mesmo casado, pai de duas filhas e cousa e tal, o amigo est\u00e1 todo exultante com o novo romance. Como sempre fazia, n\u00e3o esperou o segundo encontro para sacramentar a c\u00e9lebre frase (que, ali\u00e1s, dizia a todas as \u2018namoradinhas\u2019 que arranjava \u2013 e eram muitas):<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a mulher da minha vida!\u201d<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>J\u00e1 est\u00e1vamos habituados aos \u2018rolos\u2019 e exageros do nosso Dom Juan. <\/p>\n<p>Sab\u00edamos que, quando em a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o desistia nunca. Esticava o m\u00e1ximo que podia essas encrencas. \u201cN\u00e3o aprendi dizer adeus\u201d, justificava-se.  A iniciativa do \u201cp\u00e9 na bunda\u201d era sempre das mo\u00e7as, cansadas de serem enroladas pelo Escova, com as desculpas mais esfarrapadas e chinfrins.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 receita para a felicidade\u201d \u2013 era uma das desculpas mais usadas por ele a fim de respaldar a vida dupla.<\/p>\n<p>Pior \u00e9 que o palavr\u00f3rio colava \u2013 e o Dom  Juan de araque estava sempre na fita.<\/p>\n<p>Escova era mesmo uma figura.<\/p>\n<p>(Ainda \u00e9, mas est\u00e1 fora de circula\u00e7\u00e3o.)<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Por isso, ficamos admirados quando ele veio com a not\u00edcia do rompimento.<\/p>\n<p>&#8211; O que aconteceu? \u2013 perguntou um dos nossos em nome da curiosidade de todos.<\/p>\n<p>&#8211; Prefiro n\u00e3o comentar, alegou em nome de uma discri\u00e7\u00e3o que nunca fora seu forte.<\/p>\n<p>&#8211; \u00d4 Escova, meu querido, deixa de lero. N\u00e3o vem de escada que o inc\u00eandio \u00e9 no por\u00e3o. Para os amigos, n\u00e3o h\u00e1 segredo \u2013 era o Marceleza, o carioca do Paraguai, dando uma prensa no cara. Que, para nossa surpresa, se fechou em copas \u2013 e nada disse.<\/p>\n<p>Esquecemos o assunto. Djanira saiu do jornal e outras tantas passaram pela vida do Escova.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Alguns meses depois, soubemos que Djanira visitou o jornal. Estava morando em uma pequena cidade do Interior, com um rapaz simpl\u00f3rio, o Milton, e um sorriso estampava-lhe o rosto.<\/p>\n<p>Conversa vai, conversa vem, ela anunciou a boa nova:<\/p>\n<p>\u201cEstou gr\u00e1vida!\u201d<\/p>\n<p>Abriu o casaco e mostrou a barriguinha saliente, de apenas alguns meses.<\/p>\n<p>Todos fomos parabeniz\u00e1-la pelo feito bem feito.<\/p>\n<p>S\u00f3 o Escova preferiu o coment\u00e1rio, de todo e por tudo inoportuno:<\/p>\n<p>\u201cDo que eu escapei&#8230;\u201d<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>S\u00f3 ent\u00e3o deduzimos o motivo da separa\u00e7\u00e3o. Confirmado pela revela\u00e7\u00e3o que Escova nos fez assim que Dja saiu da sala:<\/p>\n<p>\u201cDesde aquela \u00e9poca, a mo\u00e7a estava em campanha. N\u00e3o importava o pai. Ela queria ser m\u00e3e. E quando uma mulher coloca uma ideia na cabe\u00e7a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estranhamos quando Escova chegou \u00e0 velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor com ar desenxabido e \u201ccheirando a santidade\u201d. <\/p>\n<p>N\u00e3o demorou e o nosso Dom Juan das Quebradas do Sacom\u00e3 confessou o que o afligia: <\/p>\n<p>&#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12873","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12873"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15154,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12873\/revisions\/15154"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}