{"id":12892,"date":"2014-09-14T00:00:00","date_gmt":"2014-09-14T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:08:14","modified_gmt":"2017-09-15T19:08:14","slug":"no-parque-iguacu-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/no-parque-iguacu-2\/","title":{"rendered":"No Parque Igua\u00e7u&#8230; (2)"},"content":{"rendered":"<p>II.<\/p>\n<p>Faz alguns (muitos) anos que n\u00e3o venho para esses lados fronteiri\u00e7os.<\/p>\n<p>Est\u00e1 tudo t\u00e3o diferente e, ao mesmo tempo, t\u00e3o igual.<\/p>\n<p>O Parque agora \u00e9 privatizado, cobra-se para entrar (quase 30 paus, os acima de 60 como eu pagam sete) e exibe, v\u00e1 l\u00e1, um certo padr\u00e3o Fifa. Tudo organizado e limpinho.<\/p>\n<p>Mas, o que pega mesmo \u00e9 o deslumbrante espet\u00e1culo da natureza.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m me diz que h\u00e1 coisa de 30, 40 dias, o volume das \u00e1guas estava \u201cabsurdamente gigante\u201d, quarenta vezes maior do que hoje (naquele dia) vemos.<\/p>\n<p>Fico imaginando a propor\u00e7\u00e3o da coisa toda.<\/p>\n<p>Lembro a primeira vez que estive por aqui (foram 15 horas de viagem a bordo de um possante Opala). Eu era um jovem cabeludo, e algo inconsequente.  Visitar Foz do Igua\u00e7u e a desaparecida Sete Quedas estava em moda. O cart\u00e3o postal com imagens das cachoeiras era convidativo, e a possibilidade de compras nas cidades vizinhas do Paraguai e Argentina (Ciudad Del Est chamava-se Porto Stroessner e Porto Iguazu era Porto Iguazu mesmo) nos arrebatava. N\u00e3o havia os tais dutty free, mas os casacos de couro argentinos, os t\u00eanis importados, os perfumes, os cigarros americanos eram as coqueluches.<br \/>\nLembro de me sentir, na ocasi\u00e3o, o pr\u00f3prio playboy internacional.<\/p>\n<p>Como disse, era um jovem cabeludo, e algo inconsequente.<\/p>\n<p>Voltei aqui duas ou tr\u00eas vezes, tal meu encantamento.<\/p>\n<p>Encantamento que ora se repete enquanto caminho para fora da passarela, rumo \u00e0 parada final onde h\u00e1 um elevador que nos levar\u00e1 a uma plataforma que oferece um belo visual de todo o Parque \u2013 as quedas d\u2019\u00e1gua, o rio serpenteando, as margens e a vegeta\u00e7\u00e3o que lhes abriga.<\/p>\n<p>\u00c9 muito bom poder estar aqui.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>\u00c9 na plataforma que encontro o pessoal \u00e0 minha espera. Riem do meu estado, com as roupas e o que me restou de cabelo encharcados, como se houvesse apanhado uma chuva daquelas.<\/p>\n<p>Querem saber o porqu\u00ea n\u00e3o me protegi do banho com as capas de pl\u00e1stico que s\u00e3o vendidas em toda extens\u00e3o da trilha por m\u00f3dicos cinco reais. <\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o sabem o que perderam, digo. \u2013 \u00c9 uma ben\u00e7\u00e3o essa \u00e1gua toda na gente.<\/p>\n<p>&#8211; Imagina se eu iria comprometer minha chapinha, me diz a mo\u00e7a ao lado do namorado, com um quati de pel\u00facia nos bra\u00e7os. Justo ela que teve a bolsa atacada pelo quati momentos antes e que entrou em p\u00e2nico com a cena.<\/p>\n<p>V\u00e1 entender as mulheres.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, h\u00e1 um grupo delas a rodear a est\u00e1tua de Santos Dumont que existe no jardim pr\u00f3ximo \u00e0 pra\u00e7a onde pegaremos o \u00f4nibus para voltar. <\/p>\n<p>O audaz \u201cbrasileiro voador\u201d \u00e9 considerado um dos pais do Parque, pois conheceu as cataratas em 1916 e, desde o primeiro momento, defendeu a ideia de que aquele deslumbrante cen\u00e1rio \u201cn\u00e3o podia ser de apenas um s\u00f3\u201d (o uruguaio J\u00e9sus Val) e, sim, aberto a todos os brasileiros.<\/p>\n<p>Vou at\u00e9 o local para testemunhar a rever\u00eancia das mulheres ao Pai da Avia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 bem isso. Elas querem mesmo \u00e9 uma selfie ao lado de Santos Dumont \u201cpara bombar nas redes sociais\u201d. E n\u00e3o economizam em caras, bocas, trejeitos e poses.<\/p>\n<p>Est\u00e1 tudo t\u00e3o igual e, ao mesmo tempo, t\u00e3o diferente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>II.<\/p>\n<p>Faz alguns (muitos) anos que n\u00e3o venho para esses lados fronteiri\u00e7os.<\/p>\n<p>Est\u00e1 tudo t\u00e3o diferente e, ao mesmo tempo, t\u00e3o igual.<\/p>\n<p>O Parque agora \u00e9 privatizado,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12892","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12892","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12892"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12892\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15135,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12892\/revisions\/15135"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}