{"id":12908,"date":"2014-09-25T00:00:00","date_gmt":"2014-09-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:08:13","modified_gmt":"2017-09-15T19:08:13","slug":"breve-memoria-de-um-homem-barbado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/breve-memoria-de-um-homem-barbado\/","title":{"rendered":"Breve mem\u00f3ria de um homem barbado"},"content":{"rendered":"<p>Homens usam chap\u00e9us.<\/p>\n<p>Meninos usam bon\u00e9s.<\/p>\n<p>No tempo dos meus av\u00f4s, as verdades eram absolutas, incontest\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em uma de suas deliciosas cr\u00f4nicas, Rubem Braga saudou aqueles dias:<\/p>\n<p>\u201cEu sou do tempo em que todos os telefones eram pretos e as geladeiras, todas, eram brancas\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o conheci o v\u00f4 Rodolfo que era alfaiate (morreu meses antes de eu nascer), mas convivi com o v\u00f4 Carlito que era chefe da se\u00e7\u00e3o de chapelaria da Ramenzzoni, no Cambuci.<\/p>\n<p>Eu era um garoto curioso que via o pai escanhoar o rosto todo o santo o dia.<\/p>\n<p>&#8211; Marmanjo com a barba por fazer \u00e9 o c\u00famulo do desmazelo<\/p>\n<p>Fosse qual fosse a classe social, do oper\u00e1rio ao patr\u00e3o, era imperdo\u00e1vel apresentar-se socialmente sem estar com o rosto raspado e devidamente borrifado com lo\u00e7\u00e3o, tipo \u00c1gua Velva.<\/p>\n<p>O pai cultivava, com esmero, de um fino bigode no melhor estilo Clark Gable, em O Vento Levou.<\/p>\n<p>Era o m\u00e1ximo que se permitia em termos de pelos no rosto.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro exatamente quando as coisas come\u00e7aram a mudar.<\/p>\n<p>Mas, a\u00ed eu j\u00e1 era um rapazote, f\u00e3 dos Beatles e dos Rolling Stone.<\/p>\n<p>Pensando melhor. <\/p>\n<p>Talvez tenha sido na segunda fase dos Beatles que desandou o formalismo dos padr\u00f5es est\u00e9ticos vigentes.<\/p>\n<p>Paul, Ringo, John e Harrison viajaram para a \u00cdndia, conversaram com um guru, toparam com as tais \u201cexperi\u00eancias m\u00edsticas\u201d e voltaram cheios de ideinhas e larga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Abandonaram os terninhos sem gola, as franjinhas bem aparadas e as botinhas rebrilhantes para consagrar um estilo mais descolado. Cabelos longos, desgrenhados que s\u00f3 e barbas a reverenciar os profetas e os ermit\u00f5es.<\/p>\n<p>A capa do hist\u00f3rico disco Abbey Road \u00e9 a melhor prova da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Depois vieram os hippies e escancararam. <\/p>\n<p>Levaram o relaxo, com estilo, \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias. <\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Mesmo assim, s\u00f3 a rapaziada alternativa enfrentava a barra de ignorar os padr\u00f5es convencionais. <\/p>\n<p>Para trabalhar em um banco, por exemplo, o interessado precisava vestir-se adequadamente (tons escuros de terno, camisa clara e a indispens\u00e1vel gravata) e usar cabelos bem aparados (que n\u00e3o ro\u00e7asse o colarinho da camisa) e o rosto a exibir aquela pele lisinha, lisinha, como se fosse um bumbum de beb\u00ea.<\/p>\n<p>Quem escapasse desses padr\u00f5es, podia ser o g\u00eanio das finan\u00e7as, seria eliminado na primeira etapa da sele\u00e7\u00e3o de candidatos.<\/p>\n<p>*Continua amanh\u00e3&#8230;<\/p>\n<p>(O Blog hoje completa oito anos<br \/>\ne 2335 posts. Nunca imaginei&#8230;<br \/>\nAgrade\u00e7o aos meus cinco<br \/>\nou seis leitores pela<br \/>\npaci\u00eancia em me ouvir.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homens usam chap\u00e9us.<\/p>\n<p>Meninos usam bon\u00e9s.<\/p>\n<p>No tempo dos meus av\u00f4s, as verdades eram absolutas, incontest\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em uma de suas deliciosas cr\u00f4nicas, Rubem Braga saudou aqueles dias:<\/p>\n<p>\u201cEu sou do tempo em que todos os telefones eram pretos e as geladeiras,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12908","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12908"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12908\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15124,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12908\/revisions\/15124"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}