{"id":12909,"date":"2014-09-26T00:00:00","date_gmt":"2014-09-26T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:08:13","modified_gmt":"2017-09-15T19:08:13","slug":"breve-memoria-de-um-homem-barbado-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/breve-memoria-de-um-homem-barbado-2\/","title":{"rendered":"Breve mem\u00f3ria de um homem barbado (2)"},"content":{"rendered":"<p>IV.<\/p>\n<p>Quando adentrei (gostaram do termo?) \u00e0 velha reda\u00e7\u00e3o de O Di\u00e1rio da Noite (minha primeira experi\u00eancia na \u00e1rea, e que durou breves semanas), notei que alguns dos meus futuros ex-colegas j\u00e1 exibiam sinais de, digamos, fadiga de material: ternos mal-ajambrados, gravatas afrouxadas no colarinho e barba de dias por fazer.<\/p>\n<p>N\u00e3o inspiravam um futuro promissor para qualquer jovem rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pudera&#8230;<\/p>\n<p>O jornal caminhava para o inexor\u00e1vel fim. Os sinais de decad\u00eancia eram vis\u00edveis e, imagino, alguns dos valentes profissionais que l\u00e1 estavam j\u00e1 presumiam o que lhes reservava o destino.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o era exatamente \u201cum playboyzinho\u201d, como se dizia ent\u00e3o. Mas, gostava de uns panos diferentes e usava (\u00ea saudade!) cabelos mais cumpridos. Ainda estranhava quem deixasse a barba crescer ou mesmo exibisse um cavanhaque (barba de ponta, como se diz em Portugal), tipo Raul Seixas.<\/p>\n<p>\u201cMuito esquisito\u201d, disse, certa vez, ao Zezinho, um amigo gozador, sobre a apar\u00eancia do Maluco Beleza.<\/p>\n<p>Zezinho trabalhava como digitador no jornal e n\u00e3o perdoou meu coment\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cEsquisito \u00e9 comer macarr\u00e3o com arroz\u201d.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Quando comecei a trabalhar em Gazeta do Ipiranga, tomei um susto danado ao ser apresentado para um dos propriet\u00e1rios, o jornalista Tonico Marques (o inesquec\u00edvel, Marc\u00e3o). Na ladeira dos sessenta e poucos, fazia o estilo despojado para um executivo &#8211; cal\u00e7a rancheira, camisa aberta ao peito e um indefect\u00edvel bon\u00e9 de jeans a equilibrar na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Achei superbacana e, definitivamente, aposentei o conceito do v\u00f4 Carlito chap\u00e9u\/bon\u00e9\/homem\/menino.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Comecei a pensar em deixar a barba crescer quando me dei conta de que enfrentar o espelho todos os dias era chato demais. <\/p>\n<p>N\u00e3o foi uma decis\u00e3o consciente.<\/p>\n<p>Mas, sim, uma larga\u00e7\u00e3o natural. Deixei de fazer a barba um dia, depois dois, depois s\u00f3 dava um tapa no fim de semana at\u00e9 que&#8230; <\/p>\n<p>Outro fato inspirador foi ver Afonsinho, volante do Botafogo e do Santos, em campo a exibir barba e cabelos cumpridos e desgrenhados. Afonsinho era um craque \u2013 o primeiro rebelde do Planeta Bola\/Brasil. Queria ser livre \u2013 e era. Jogou a Lei do Passe no ventilador. <\/p>\n<p>Desconfio, c\u00e1 com meus bot\u00f5es, que foi uma das raras influ\u00eancias de outro barbado incomum, o saudoso S\u00f3crates, o Brasileiro.<\/p>\n<p>\u2022continua amanh\u00e3&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IV.<\/p>\n<p>Quando adentrei (gostaram do termo?) \u00e0 velha reda\u00e7\u00e3o de O Di\u00e1rio da Noite (minha primeira experi\u00eancia na \u00e1rea, e que durou breves semanas), notei que alguns dos meus futuros ex-colegas j\u00e1 exibiam sinais de,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12909","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12909","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12909"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12909\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15123,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12909\/revisions\/15123"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}