{"id":13054,"date":"2015-04-03T00:00:00","date_gmt":"2015-04-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:06:32","modified_gmt":"2017-09-15T19:06:32","slug":"a-tregua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-tregua\/","title":{"rendered":"A tr\u00e9gua"},"content":{"rendered":"<p>Escolho ficar em S\u00e3o Paulo a viajar nesse feriad\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o seja exatamente uma escolha \u2013 e, sim, uma necessidade.<\/p>\n<p>Repararam como o mundo anda \u2018virado\u2019 \u2013 e a gente no meio desse \u2018vira\u2019 acaba \u2018virando\u2019 ou se \u2018deixando virar\u2019 tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00c9 inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>As not\u00edcias, que l\u00e1 nos idos tempos do reinado do jornal impresso, nos impactavam com a trag\u00e9dia do ontem s\u00f3 na manh\u00e3 do dia seguinte, hoje nos atropelam e massacram em tempo real; muitas vezes, via visor do celular.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Nos antigamente, t\u00ednhamos l\u00e1 certo tempo para \u2018ruminar\u2019 o fato, tentar entend\u00ea-lo e melhor assimil\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Ler pela manh\u00e3 o jornal do dia era um ritual.<\/p>\n<p>As discuss\u00f5es que se seguiam, via de regra, vinham eivadas de um m\u00ednimo de entendimento e \u2013 acreditem! \u2013 an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Hoje, as coisas s\u00e3o diferentes, abruptas.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Ontem tivemos um dia triste, especialmente assim.<\/p>\n<p>A morte de Thomaz, o filho do governador, na queda de um helic\u00f3ptero, as explos\u00f5es e o inc\u00eandio de um tanque de combust\u00edvel nas imedia\u00e7\u00f5es do porto de Santos, as quatro mortes por balas perdidas e os confrontos sem fim no morro do Alem\u00e3o (Rio de Janeiro), o ataque contra crist\u00e3os (147 mortos) em uma faculdade no Qu\u00eania, sem falar de outras trag\u00e9dias cotidianas&#8230; Tudo nos parece chegar ao mesmo tempo e agora, sem pedir licen\u00e7a, sem pedir passagem. <\/p>\n<p>\u00c9 devastador para qualquer cidad\u00e3o minimamente comprometido com o bem comum e a constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor.<\/p>\n<p>Toda e qualquer an\u00e1lise que se tente fazer, toda e qualquer compreens\u00e3o que se imagina ter sobre o fato, mostram-se (an\u00e1lise e compreens\u00e3o) precipitadas e nulas.<\/p>\n<p>Beiramos o descontrole ou j\u00e1 estamos nele?<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Um amigo, o Poeta, dia desses, em meio a uma roda de camaradas, fez o alerta:<\/p>\n<p>&#8212; Vivemos uma era de sombras.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos assistindo ao jogo do Corinthians e no entusiasmo da Fiel no Itaquer\u00e3o, desprezamos as recomenda\u00e7\u00f5es do amigo. Houve quem o taxasse de s\u00e3opaulino. <\/p>\n<p>No entanto, c\u00e1 nos vemos a desfiar tamanhas vicissitudes como pr\u00e1ticas di\u00e1rias a nos desesperan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Outro poeta, este dos melhores que houve e h\u00e1, Carlos Drummond de Andrade, escreveu que \u201ca vida, por vezes, precisa de uma pausa\u201d.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Longe de este modesto escriba cometer qualquer heresia, mas talvez fosse o caso de atualizarmos a assertiva:<\/p>\n<p>\u201cA humanidade precisa, urgentemente, de uma tr\u00e9gua\u201d.<\/p>\n<p>Eu completaria:<\/p>\n<p>Para se reinventar, resgatar virtudes como solidariedade, toler\u00e2ncia, bom senso, equil\u00edbrio, justi\u00e7a social e, assim, ver a paz renascer no cora\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Que este dia santificado (pela Paix\u00e3o e Morte de Cristo) conforte a fam\u00edlia das v\u00edtimas, nos conforte tamb\u00e9m e inspire a todos a busca de um mundo mais fraterno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escolho ficar em S\u00e3o Paulo a viajar nesse feriad\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o seja exatamente uma escolha \u2013 e, sim, uma necessidade.<\/p>\n<p>Repararam como o mundo anda \u2018virado\u2019 \u2013 e a gente no meio desse \u2018vira\u2019 acaba \u2018virando\u2019 ou se \u2018deixando virar\u2019 tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13054","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13054","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13054"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13054\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14984,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13054\/revisions\/14984"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13054"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13054"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13054"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}