{"id":13059,"date":"2015-04-09T00:00:00","date_gmt":"2015-04-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:03:27","modified_gmt":"2017-09-15T19:03:27","slug":"apesar-de-voce-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/apesar-de-voce-a-historia\/","title":{"rendered":"Apesar de Voc\u00ea, a hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>A coisa aqui andava preta. <\/p>\n<p>In\u00edcio dos anos 70. A ditadura (esta que o pessoal quer de volta) comia solta. <\/p>\n<p>No embalo do caudilho da vez, o general M\u00e9dici, a tigrada fazia e acontecia. Eram os senhores do Poder \u2013 e n\u00e3o permitiam que ningu\u00e9m ousasse criticar seus feitos e decis\u00f5es.<\/p>\n<p>A censura era implac\u00e1vel. Nos jornais, nas artes.<\/p>\n<p>Todo e qualquer obra precisava pelo visto dos auto-intitulados \u201ctutores da ordem p\u00fablica\u201d<\/p>\n<p>A chamada MPB era um dos principais alvos da \u2018zelosa\u2019 tesoura.<\/p>\n<p>Compositores como Chico Buarque de Holanda, por exemplo, n\u00e3o conseguiam passar nem se fizessem uma cantiga de roda. Os tais j\u00e1 estavam de sobreaviso: o que pintasse por ali, assinado por Chico, era pra ser vetado \u2013 e n\u00e3o havia choro, nem vela.<\/p>\n<p>A tal ponto que Chico chegou a gravar um disco s\u00f3 como int\u00e9rprete, Meus Caros Amigos. A bem da verdade, o compositor inventou um heter\u00f4nimo, Julinho da Adelaide, que assinou a not\u00e1vel \u201cChame Um Ladr\u00e3o\u201d, uma das faixas mais tocada do disco que fez enorme sucesso.<\/p>\n<p>Depois que os homens descobriram a farsa e o vacilo, a\u00ed que o caldo engrossou de vez.<\/p>\n<p>Chico era persona non grata ao Sistem\u00e3o.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Houve uma inevit\u00e1vel entressafra em termos de composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Chico fazia seus shows, cantava velhos sucessos; mas, nada de  can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas para a grava\u00e7\u00e3o de um novo elep\u00ea.<\/p>\n<p>O fato atemorizava a dire\u00e7\u00e3o da Philips\/Polygran. Seus produtores andavam desalentados com a produ\u00e7\u00e3o do artista. Chico n\u00e3o aliviava \u2013 e era \u00f3bvio que, naquela toada de composi\u00e7\u00e3o, os vetos seriam inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>III. <\/p>\n<p>Certa tarde, o produtor Manoel Barenboim, que conhecia Chico desde os tempos em que cursava a Faculdade de Arquitetura em S\u00e3o Paulo, recebeu um telefonema de Chico ansioso para lhe mostrar a nova can\u00e7\u00e3o que fizera. <\/p>\n<p>Era para Barenboim largar tudo o que estava fazendo e encontr\u00e1-lo na mesma hora.<\/p>\n<p>Barenboim foi at\u00e9 a casa de Chico e l\u00e1 encontrou o compositor, ao lado de Vinicius de Moraes, j\u00e1 de viol\u00e3o em punho para lhe mostrar a rec\u00e9m terminada \u201cApesar de Voc\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>O produtor desconfiou que era uma roubada. <\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>Diante do entusiasmo do autor e at\u00e9 do Poetinha, topou grav\u00e1-la no dia seguinte \u2013 o que foi feito ainda com alguma desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p>Mesmo assim, mandou prensar os compactos simples enquanto aguardava o veredito da censura.<\/p>\n<p>No que eles autorizassem, o disquinho iria para a rua no mesmo instante.<\/p>\n<p>*amanh\u00e3 continua&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A coisa aqui andava preta. <\/p>\n<p>In\u00edcio dos anos 70. 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