{"id":13070,"date":"2015-05-11T00:00:00","date_gmt":"2015-05-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:03:25","modified_gmt":"2017-09-15T19:03:25","slug":"o-retorno-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-retorno-2\/","title":{"rendered":"O retorno"},"content":{"rendered":"<p>Hum&#8230;<\/p>\n<p>Desconfio que nunca tenha ficado tanto tempo sem dar as caras (e a alma) por aqui nesses quase nove anos de insano blogar. <\/p>\n<p>Humildemente pe\u00e7o, aos meus cinco ou seis leitores, que perdoem a aus\u00eancia que foi motivada por causas v\u00e1rias, e inadi\u00e1veis; desde viagens para cumprir compromissos profissionais, outra para rever um velho amigo (o Nestor, do \u00faltimo post) at\u00e9 \u00e0 reda\u00e7\u00e3o final de um novo projeto pedag\u00f3gico para o curso de jornalismo, aqui, da Universidade Metodista.<\/p>\n<p>Prometo retomar a rotina dos nossos encontros e, sem mais desculpas e delongas, tomo a liberdade para postar o depoimento de outro amigo, o Escova, conhecido em tempos tidos e havidos como o Dom Juan das Quebradas do Sacom\u00e3.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Escova, que ali\u00e1s voc\u00eas bem conhecem, me encaminhou um texto que ele gostaria de ver publicado no blog. \u00c9 uma resposta a algu\u00e9m que ele preferiu n\u00e3o dizer. Mas, que a\u00ed tem coisa, n\u00e3o duvido&#8230;<\/p>\n<p>Eu desconfio que algu\u00e9m (alguma mulher, clara) lhe perguntou se ele se sentia s\u00f3, se valeu \u00e0 pena viver da forma que viveu e coisicas do g\u00eanero. <\/p>\n<p>Voc\u00eas sabem, tenho amigos sens\u00edveis, senhores de outras \u00e9pocas, quando a vida acontecia na mesa dos bares, na calada da madrugada, no baticum da m\u00e1quina de escrever (para n\u00f3s, jornalistas) e nos amores que iam e vinham com a flu\u00eancia dos dias e das noites.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Com a palavra o Escova e a sua pensata, quase um desabafo: <\/p>\n<p>\u201cPenso que a idade nos traz a sabedoria de entender o tempo que o tempo de as coisas acontecerem tem e, de alguma forma, o quanto \u00e9 v\u00e3o nos iludirmos que somos, fazemos e acontecemos. <\/p>\n<p>Depois do depois, no tempo da delicadeza no dizer do poeta Chico Buarque, \u00e9 poss\u00edvel compreender que a vida se d\u00e1 exata e unicamente naquele santificado momento que se vive. Num estalar de dedos.<\/p>\n<p>Todo o resto, todos os arredores, o antes e o depois, s\u00e3o proje\u00e7\u00f5es de algo que pode ou n\u00e3o acontecer (na maior parte das vezes, n\u00e3o acontece) ou, numa inst\u00e2ncia nost\u00e1lgica, se transformam em lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>De boa, n\u00e3o gosto do mundo virtual &#8211; e o que faz com as pessoas. Essa dimens\u00e3o as torna fr\u00e1geis personagens delas mesmas. Muitas j\u00e1 nem sabem quem s\u00e3o. Se s\u00e3o elas pr\u00f3prias ou as personagens nonsenses que encarnam.<\/p>\n<p>Por outro lado, e mais suavemente, gosto do mundo virtual, pois nos permite encontros e reencontros que, por si s\u00f3 e s\u00f3 por si, seriam humanamente inimagin\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ensina outro poeta, Caetano Veloso:<\/p>\n<p>\u201cCada um sabe a dor e a del\u00edcia de ser o que \u00e9\u201d. <\/p>\n<p>Alerto, por\u00e9m: cada del\u00edcia traz em si, embutida, uma grande encrenca.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 n\u00e3o tenho a leveza de outros tempos para entrar e sair das \u2018paradinhas\u2019 de outrora, evito a primeira para n\u00e3o enfrentar a segunda.<\/p>\n<p>Sinto falta de algumas coisiquinhas, reconhe\u00e7o. Mas as \u2018pipas\u2019 de hoje compensam qualquer aus\u00eancia. <\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, n\u00e3o me sinto s\u00f3. <\/p>\n<p>N\u00e3o tenho tempo pra isso.<\/p>\n<p>Nem posso reclamar de tudo o que vivi.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hum&#8230;<\/p>\n<p>Desconfio que nunca tenha ficado tanto tempo sem dar as caras (e a alma) por aqui nesses quase nove anos de insano blogar. <\/p>\n<p>Humildemente pe\u00e7o, aos meus cinco ou seis leitores,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13070","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13070","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13070"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13070\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14968,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13070\/revisions\/14968"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}