{"id":13580,"date":"2017-02-16T00:00:00","date_gmt":"2017-02-16T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:37:39","modified_gmt":"2017-09-15T18:37:39","slug":"a-charada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-charada\/","title":{"rendered":"A charada"},"content":{"rendered":"<p>No meu tempo diziam chamar \u2018charada\u2019 \u2013 e, para ser sincero, ruinzinho das ideias que sou, nunca fui o tal e o qual a resolv\u00ea-las. <\/p>\n<p>N\u00e3o sei como hoje chamam esses desafios. Sei que a mo\u00e7a me envia o enunciado pelo whats e provoca:<\/p>\n<p>\u201cPensa a\u00ed e me diz. \u201d<\/p>\n<p>(Repasso a provoca\u00e7\u00e3o a voc\u00eas. Mas sejam r\u00e1pidos na resposta.)<\/p>\n<p>RACIOC\u00cdNIO L\u00d3GICO<\/p>\n<p>Nove crian\u00e7as est\u00e3o sozinhas em uma casa.<\/p>\n<p>Todas moram l\u00e1 e est\u00e3o dentro da moradia.<\/p>\n<p>A primeira est\u00e1 passando roupa.<\/p>\n<p>A segunda est\u00e1 assistindo TV.<\/p>\n<p>A terceira est\u00e1 cozinhando.<\/p>\n<p>A quarta est\u00e1 jogando dama.<\/p>\n<p>A quinta est\u00e1 tomando banho.<\/p>\n<p>A sexta est\u00e1 ouvindo r\u00e1dio.<\/p>\n<p>A s\u00e9tima est\u00e1 dormindo.<\/p>\n<p>A oitava est\u00e1 se vestindo.<\/p>\n<p>O que a nona crian\u00e7a est\u00e1 fazendo?<\/p>\n<p>Pensem a\u00ed e respondam.<\/p>\n<p>1, 2, 3&#8230;<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Antes de anunciar o desfecho, adianto que errei feio na minha tentativa de resposta. E ganhei um sonoro \u201cKKKKKKKKKK\u201d como pr\u00eamio de consola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00e3o crian\u00e7as, s\u00e3o miniaturas de adultos\u201d \u2013 tentei em v\u00e3o argumentar em minha defesa.<\/p>\n<p>Mas fui sincero.<\/p>\n<p>\u201cSou muito sem no\u00e7\u00e3o. \u201d<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Para ilustrar, contei a ela \u2013 e agora repasso a voc\u00eas \u2013 uma hist\u00f3ria que aconteceu l\u00e1 nos idos de 60. Tinha 17, 18 anos e o sonho da fam\u00edlia era me fazer banc\u00e1rio. Para tanto, prestava todos os concursos poss\u00edveis que davam acesso \u00e0s essas gloriosas (sic) institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tanto vaguei daqui pra ali, de l\u00e1 pra c\u00e1, que, de repente, me vi fazendo uma prova de conhecimentos gerais que j\u00e1 fizera, semanas antes, em outra institui\u00e7\u00e3o. Como me dei o trabalho de fazer a corre\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es \u2013 para saber onde errei (e muito errei) e onde acertei \u2013 naquele instante nadei de bra\u00e7ada nas respostas e tive a melhor avalia\u00e7\u00e3o entre os candidatos \u00e0 vaga de escritur\u00e1rio do glorioso Banco Portugu\u00eas do Brasil.<\/p>\n<p>Passo seguinte. Chamaram-me para a entrevista que, segundo me disseram \u00e0 \u00e9poca, era um procedimento pr\u00f3-forma.<\/p>\n<p>L\u00e1 fui eu, todo pimp\u00e3o, dentro de uma roupa social, falar com os bacanudos do banco.<\/p>\n<p>Fui o primeiro candidato a ser chamado \u2013 e, diante da banca, desconfio que estava indo muito bem. At\u00e9 que veio a inesperada pergunta:<\/p>\n<p>\u201cDiga-nos, rapaz, quais as tr\u00eas personalidades que voc\u00ea mais admira na atualidade. \u201d <\/p>\n<p>Pensei que pensei&#8230;<\/p>\n<p>Por fim, abri meu cora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cMartin Luter King, John Lennon e\u2026 Caetano Veloso.\u201d <\/p>\n<p>Fim do sonho familiar de me ver banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>(N\u00e3o fiz de prop\u00f3sito, juro.)<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 resposta, a minha foi: a crian\u00e7a que falta est\u00e1 armada at\u00e9 os dentes, pondo ordem na casa.<\/p>\n<p>Errada, \u00f3bvio.<\/p>\n<p>A resposta certa \u00e9:<\/p>\n<p>A nona crian\u00e7a est\u00e1 jogando dama com a quarta crian\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No meu tempo diziam chamar \u2018charada\u2019 \u2013 e, para ser sincero, ruinzinho das ideias que sou, nunca fui o tal e o qual a resolv\u00ea-las. <\/p>\n<p>N\u00e3o sei como hoje chamam esses desafios.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13580","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13580"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13580\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14471,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13580\/revisions\/14471"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}