{"id":18219,"date":"2018-01-25T18:27:38","date_gmt":"2018-01-25T18:27:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=18219"},"modified":"2018-01-25T20:23:29","modified_gmt":"2018-01-25T20:23:29","slug":"uma-fabula-italiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/uma-fabula-italiana\/","title":{"rendered":"Uma f\u00e1bula italiana"},"content":{"rendered":"<p>Sou de ascend\u00eancia italiana, <em>cap\u00edche<\/em>?<\/p>\n<p>Dos dois lados da fam\u00edlia, entendeu?<\/p>\n<p>Por parte de m\u00e3e, os Chisolini se orgulhavam em dizer que vieram de Mantova e de Floren\u00e7a.<\/p>\n<p>J\u00e1 o v\u00f4 Carlito, embora nascido em Cascatinha, no Rio de Janeiro, contava que os pais, os Avezzani, chegaram de N\u00e1poles.<\/p>\n<p>Por parte de pai, a coisa era mais simpl\u00f3ria. Os Martinos e os Leones aqui aportaram no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, vindos da Cal\u00e1bria.<\/p>\n<p>Era s\u00f3 o que diziam.<\/p>\n<p>E s\u00f3 o que se sabe ainda hoje.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>O norte e o sul da Velha Bota t\u00eam l\u00e1 suas diferen\u00e7as. Digamos que os de cima se consideram mais ricos e cultos e belos enquanto os do sul s\u00e3o mais r\u00fasticos e turr\u00f5es e belos.<\/p>\n<p>Toda vez que o pai fazia das suas, n\u00e3o era raro a m\u00e3e justificar com o coment\u00e1rio nada lisonjeiro:<\/p>\n<p>&#8211; Ah, calabr\u00eas, foi o diabo que te fez.<\/p>\n<p>Como o pai aprontava muito e estava sempre em d\u00edvida com a m\u00e3e, ele, o Ald\u00e3o, apenas sorria e deixava\u00a0 vida seguir naturalmente.<\/p>\n<p>E assim a vida seguia. \u00d4 saudade!<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria que se ouvia na fam\u00edlia (da m\u00e3e, l\u00f3gico) &#8216;enaltecia&#8217; a teimosia dos calabreses.<\/p>\n<p>Era a seguinte:<\/p>\n<p><em>Depois de andar pelo mundo, um homem, obviamente calabr\u00eas, quis voltar pra sua aldeia no sul da It\u00e1lia. Andou, andou, at\u00e9 que encontrou o Senhor, disfar\u00e7ado de eremita em uma clareira, que lhe disse:<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Bom homem, me diga aonde vai?<\/em><\/p>\n<p><em>Ele respondeu<\/em>:<\/p>\n<p><em>&#8211; Ora, volto pra minha terra.<\/em><\/p>\n<p><em>E o Senhor:<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Deveria dizer: &#8216;com a gra\u00e7a de Deus&#8217;.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Volto pra minha terra, e pronto e basta &#8211; reiterou o calabr\u00eas.<\/em><\/p>\n<p><em>O Senhor n\u00e3o perdoou:<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Ent\u00e3o, por sua teimosia, ser\u00e1 punido. Ficar\u00e1 preso por sete anos no charco da Solid\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p><em>Naquele preciso momento, o caminhante virou um sapo e ficou a coaxar por sete anos no tal local determinado. A pular de l\u00e1 pra c\u00e1 e de c\u00e1 pra l\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><em>Passado este per\u00edodo, desfez-se o encanto e o calabr\u00eas retomou sua caminhada.<\/em><\/p>\n<p><em>Andou algumas l\u00e9guas e outra vez o eremita\/Senhor se interp\u00f4s aos seus passos, com a mesma indaga\u00e7\u00e3o:<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>&#8211; Bom homem, me diga aonde vai?<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Ora, volto pra minha terra.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Deveria dizer: &#8216;com a gra\u00e7a de Deus&#8217;.<\/em><\/p>\n<p><em>Desta vez, o calabr\u00eas sequer chegou a responder. Entendeu com quem dialogava e , bem a seu modo, resmungando alguns improp\u00e9rios, retomou o rumo do Charco&#8230;<br \/>\n<\/em><br \/>\nIV.<\/p>\n<p>Como disse, essa historieta, ouvia na casa dos av\u00f3s maternos. Agora, em meus recentes volteios por R\u00e9ggio Cal\u00e1bria, na ponta da Bota, fico sabendo que a f\u00e1bula \u00e9 origin\u00e1ria do Norte da It\u00e1lia e retrata o jeito de encarar a vida dos moradores de Biella, na regi\u00e3o de Piemonte. H\u00e1 tamb\u00e9m quem credite a fa\u00e7anha aos moradores de Trieste.<\/p>\n<p>Sinceramente, n\u00e3o sei em quem acreditar.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa, pois tamb\u00e9m por aqui vejo muita gente tinhosa que s\u00f3.<\/p>\n<p>Mas, isto \u00e9 uma outra hist\u00f3ria que fica para uma pr\u00f3xima vez.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Por enquanto, meus caros, fiquem com a bela can\u00e7\u00e3o &#8220;Il Volo&#8221;, de Zucchero, que \u00e9 natural de R\u00e9ggio Em\u00edlia, no norte da It\u00e1lia, e nada tem a ver com a f\u00e1bula, mas \u00e9 linda e diz:<\/p>\n<p><em>&#8220;Sonho, alguma coisa de bom<\/em><br \/>\n<em>que me ilumine o mundo<\/em><br \/>\n<em>bom como voc\u00ea &#8220;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Kop3cUVd2qQ\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><em>*(foto:\u00a0 arquivo pessoal\/duomo de R\u00e9ggio Cal\u00e1bria)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou de ascend\u00eancia italiana, <em>cap\u00edche<\/em>?<\/p>\n<p>Dos dois lados da fam\u00edlia, entendeu?<\/p>\n<p>Por parte de m\u00e3e, os Chisolini se orgulhavam em dizer que vieram de Mantova e de Floren\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18220,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-18219","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18219","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18219"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18219\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18226,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18219\/revisions\/18226"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}