{"id":18236,"date":"2018-01-28T14:28:12","date_gmt":"2018-01-28T14:28:12","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=18236"},"modified":"2018-01-28T14:37:47","modified_gmt":"2018-01-28T14:37:47","slug":"18236-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/18236-2\/","title":{"rendered":"Um causo deste meu Brasil brasileiro&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Uma hist\u00f3ria da Era do R\u00e1dio para alegrar o doming\u00e3o de sol&#8230;<\/p>\n<p>Essa \u00e9poca &#8211; que compreende a d\u00e9cada de 40 at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 60 &#8211; foi um dos momentos mais gloriosos de nossa m\u00fasica popular.\u00a0 Uma constela\u00e7\u00e3o de astros e estrelas reinou plena na imagina\u00e7\u00e3o do grande p\u00fablico sem que, muitas vezes, as pessoas sequer \u00a0lhes conhecessem os rostos e as fei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A TV chegou ao Brasil discretamente em setembro de 1951 \u2013 e as rainhas e reis do r\u00e1dio j\u00e1 brilhavam intensamente nos audit\u00f3rios das emissoras para alguns punhados de f\u00e3s. Ficava para os jornais (em preto e branco) e as revistas divulgarem a imagem de \u00eddolos das massas como Marlene, Emilinha Borba, Dalva de Oliveira, Francisco Alves, Orlando Silva, S\u00edlvio Caldas, Ataulfo Alves, entre dezenas de outros.<\/p>\n<p>Vez ou outra, o cinema brasileiro \u2013 tamb\u00e9m embrion\u00e1rio \u2013 abria espa\u00e7o para os int\u00e9rpretes da \u00e9poca e suas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se com cantores e cantoras era assim, imaginem, car\u00edssimos leitores, como viviam os compositores&#8230;<\/p>\n<p>Via de regra, passavam despercebido at\u00e9 mesmo dos mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p><strong>II.<\/strong><\/p>\n<p>Ali\u00e1s, nesse contexto, um causo bem singular viveu um dos expoentes da \u00e9poca: o grande Ary Barroso, homem de m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es na r\u00e1dio (apresentou programa de calouro, narrou futebol, foi m\u00fasico e arranjador), al\u00e9m de compositor de grandes sucessos.\u00a0 O maior deles, sem d\u00favida, um \u2018sambinha\u2019 chamado \u201cAquarela do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Sua figura franzina n\u00e3o condizia com o espl\u00eandido talento que sempre exibiu.<\/p>\n<p><strong>III.<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18239 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/ary.jpg\" alt=\"\" width=\"282\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/ary.jpg 282w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/ary-150x150.jpg 150w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/ary-263x263.jpg 263w\" sizes=\"auto, (max-width: 282px) 100vw, 282px\" \/>Certa vez, Ary precisou passar um telegrama a um amigo e, com este prop\u00f3sito, se dirigiu a uma ag\u00eancia dos Correios.<\/p>\n<p>Em l\u00e1 chegando, tratou de se apresentar, o que causou algum tumulto entre os funcion\u00e1rios e os presentes, invariavelmente admiradores da obra e do personagem.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 que \u00e9?\u201d<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 que n\u00e3o \u00e9?\u201d<\/p>\n<p>Alguns desconfiaram. Entre os quais, um desastrado telegrafista que tratou de tirar a d\u00favida com um colega de outra ag\u00eancia:<\/p>\n<p><em>Toc. Toc. Toc. <strong>Ary barroso na ag\u00eancia<\/strong> Toc. Toc Toc. <strong>Magro e feio&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>IV.<\/strong><\/p>\n<p>Acostumado a esses imprevistos que a popularidade lhe causava, o ranzinza e bem-humorado Ary aguardava tranquilamente no balc\u00e3o para ser atendido. Mas, atento aos ru\u00eddos do tel\u00e9grafo \u2013 pois, exercera a fun\u00e7\u00e3o quando jovem -, detectou a mensagem que o funcion\u00e1rio da ag\u00eancia passava \u00e0 frente.<\/p>\n<p>Sem perder a pose, o artista pediu sil\u00eancio a todos. Chamou o incauto telegrafista e, no balc\u00e3o, com uma caneta, batucou a resposta nos rigores da linguagem morse:<\/p>\n<p><em>Toc. Toc. Toc. \u00a0<strong>Ary Barroso \u00e9 magro, feio <\/strong>Toc.Toc.Toc<strong>. e ex-telegrafista&#8230;<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>V.<\/strong><\/p>\n<p>Depois traduziu a frase para os presentes para gargalhada geral dos presentes e desapontamento do desastrado funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JpXs4sCPcNc\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><em>*(fotos: reprodu\u00e7\u00e3o)<\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma hist\u00f3ria da Era do R\u00e1dio para alegrar o doming\u00e3o de sol&#8230;<\/p>\n<p>Essa \u00e9poca &#8211; que compreende a d\u00e9cada de 40 at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 60 &#8211; foi um dos momentos mais gloriosos de nossa m\u00fasica popular.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18237,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-18236","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18236"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18236\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18243,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18236\/revisions\/18243"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18237"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}