{"id":19107,"date":"2018-07-23T19:59:30","date_gmt":"2018-07-23T19:59:30","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19107"},"modified":"2018-07-24T13:04:19","modified_gmt":"2018-07-24T13:04:19","slug":"um-mineiro-perdidim-no-allianz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/um-mineiro-perdidim-no-allianz\/","title":{"rendered":"Mineirices no Allianz Parque&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>&#8211; Ai, minha Santa Catarina, mas \u00e9 o&#8230;<\/p>\n<p>Cazuza era casado com uma das irm\u00e3s do meu amigo Claudinho Zeola. Bem mais velho do que n\u00f3s, moleques de rua, idos de 60, no bairro oper\u00e1rio onde mor\u00e1vamos.<\/p>\n<p>Ele, o Cazuza, era um negro alto, estiloso. De profiss\u00e3o, motorista. Bom de samba nas rodas da Imp\u00e9rio, a escola de samba na quebrada da rua Muniz. Competente zagueiro central do segundinho do Santos do Cambuci&#8230; e divertido por natureza.<\/p>\n<p>Eu, o Zeola, acho que o Nestor tamb\u00e9m e o resto todo da meninada gost\u00e1vamos de ouvi-lo batucar, v\u00ea-lo zagueirar no campo do Distrital da Aclima\u00e7\u00e3o e, principalmente, r\u00edamos a valer de suas prosas e causos. Vinham repletos de express\u00f5es e frases que ele mesmo criava &#8211; e que, depois de ouvirmos, assimil\u00e1vamos e repet\u00edamos como se fossem nossas.<\/p>\n<p>Essa a\u00ed de cima, a invoca\u00e7\u00e3o \u00e0 Santa Catarina na hora em que as coisas n\u00e3o saem exatamente como se deseja, eu a repito ainda hoje.<\/p>\n<p>Repito muito, diga-se.<\/p>\n<p>Foi o que fiz ontem, em pleno Allianz Parque, vendo o meu Palmeiras de Felipe Melo &amp; Cia \u201cse virar mais do que pirulito em boca de crian\u00e7a\u201d para vencer o Atl\u00e9tico Mineiro, por 3 a 2, j\u00e1 nos acr\u00e9scimos da partida.<\/p>\n<p>Que sufoco!<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o notei que, ao meu lado nas cadeiras do setor Gol Sul Superior, havia um senhorzinho, de cabelos acaju e sotaque mineiro (deveria ser torcedor atleticano que entrou pelo lado errado), que me olhou assustado.<\/p>\n<p>Impressionou-se com o meu desabafo, logo ap\u00f3s um lance perigoso na \u00e1rea do Verd\u00e3o.<\/p>\n<p>T\u00e3o impressionado que n\u00e3o se fez de rogado e, assim que o juiz trilou o apito e encerrou o primeiro tempo, o homem se aproximou e me perguntou com aquele sotaque inconfund\u00edvel:<\/p>\n<p>&#8211; Uai, por que Santa Catarina, s\u00f4?<\/p>\n<p>Estranhei. Mas, respondi que n\u00e3o sabia. N\u00e3o sou de muita conversa nos est\u00e1dios.<\/p>\n<p>&#8211; Ah, pois \u2013 gemeu o Fulano e continuou me olhando, inquisidor.<\/p>\n<p>Expliquei:<\/p>\n<p>&#8211; Era uma express\u00e3o que ouvia na minha inf\u00e2ncia e que guardei e&#8230;<\/p>\n<p>Juro que daria o cr\u00e9dito da cria\u00e7\u00e3o ao Cazuza, mas o curioso\u00a0 queria saber o \u201cmotivis\u201d que eu n\u00e3o conclu\u00edra a frase:<\/p>\n<p>&#8211; Mas \u00e9 o qu\u00ea?<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>E esta agora \u2013 pensei. Vou ter que explicar para o Sem No\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m n\u00e3o sei mais esta. Deduzi\u00a0 que\u00a0 o Cazuza, que eu n\u00e3o lhe apresentei, religioso como era, de acompanhar a patroinha \u00e0 missa das seis da manh\u00e3 no\u00a0domingo antes do futebol, preferia parar n\u00e3o completar o dito para n\u00e3o ter que citar o, como direi, o dito-cujo&#8230;<\/p>\n<p>Disse sem dizer, travei, para n\u00e3o incorrer no tal mau press\u00e1gio que o Cazuza sempre evitou, mas o Chatonildo n\u00e3o se tocou. Chamou o vendedor de \u00e1gua, comprou um copinho, me ofereceu outro (que n\u00e3o aceitei), mas a sede que tinha, pareceu-me, era outra:<\/p>\n<p>&#8211; O&#8230; O&#8230; O qu\u00ea? O Gastura, o Danado&#8230; Vixi, cruz credo, me deixe longe tamb\u00e9m \u2013 disse e sorriu algo ressabiado.<\/p>\n<p>&#8211; Ora, Ora, deixa pra l\u00e1 \u2013 contemporizei. &#8211; Pode ser qualquer coisa.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 que n\u00e3o entendi&#8230; &#8211; justificou-se.<\/p>\n<p>&#8211; Esquece. Deixa como t\u00e1, pra ver como fica (outra do Cazuza).<\/p>\n<p>&#8211; Como t\u00e1, o qu\u00ea? &#8211; insistiu.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Perdi, por um &#8216;instantim&#8217;, a paci\u00eancia:<\/p>\n<p>&#8211; Mas, voc\u00ea \u00e9 osso, hein, mineiro?<\/p>\n<p>&#8211; Eu, osso? Ah, mineiro, sim, sim. De Po\u00e7os de Calda, conhece? \u00c9 a primeira vez que venho ver jogo no est\u00e1dio e &#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Osso do caro\u00e7o \u2013 completei a lembrar outra cita\u00e7\u00e3o do Cazuza.<\/p>\n<p>&#8211; Osso, caro\u00e7o? Voc\u00eas, paulistas, t\u00eam um palavreado complexo. Parece outro idioma.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o resisti.<\/p>\n<p>Diante do aborrecido aborrecente, escapou-me a invoca\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; On co t\u00f4, gente? Ai, minha Santa Catarina, mas \u00e9 o&#8230;<\/p>\n<p>E ele, ainda ressabiado, mineiramente me alertou:<\/p>\n<p>&#8211; \u00a0Vixi, n\u00e3o fala n\u00e3o. N\u00e3o completa, n\u00e3o completa&#8230; D\u00e1 azar, traz mau agouro.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>E por lembrar\u00a0 Minas e outras tantas boas recorda\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>Fiquem com esta linda can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Boa sorte e, vamos n\u00f3s, boa semana, amigos&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jc8n76mnyvM\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><em><strong>*(foto: bruno cantini\/atl\u00e9tico)<\/strong><\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Ai, minha Santa Catarina, mas \u00e9 o&#8230;<\/p>\n<p>Cazuza era casado com uma das irm\u00e3s do meu amigo Claudinho Zeola. 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