{"id":19151,"date":"2018-07-31T16:32:19","date_gmt":"2018-07-31T16:32:19","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19151"},"modified":"2018-08-01T00:11:05","modified_gmt":"2018-08-01T00:11:05","slug":"deixa-chover","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/deixa-chover\/","title":{"rendered":"Deixa chover&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>\u201cChuva, enfim&#8230;\u201d<\/p>\n<p>A cidade andava mesmo precisando, os reservat\u00f3rios com os n\u00edveis l\u00e1 embaixo.<\/p>\n<p>Ou\u00e7o o alerta que faz a apresentadora do notici\u00e1rio da TV.<\/p>\n<p>Desconfio que foi minha aluna na Universidade. N\u00e3o era loira, n\u00e3o andava de salto 15&#8230;<\/p>\n<p>Pode ser, pode n\u00e3o ser?<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cChuva, enfim&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m assim come\u00e7a o e-mail de uma grande amiga, a tamb\u00e9m jornalista Leila Kiyomura. Mas, ela n\u00e3o faz qualquer previs\u00e3o sobre o tempo. Quer mesmo me falar sobre a montagem de \u201cuma bela exposi\u00e7\u00e3o de fotos em homenagem aos 110 anos da Imigra\u00e7\u00e3o Japonesa, com fotos de At\u00edlio Avancini e Joel La Laina Sene\u201d.<\/p>\n<p>Deve mesmo ser um trabalho bel\u00edssimo, sens\u00edvel.<\/p>\n<p>Tenho certeza que ela colaborou, de algum modo, com esta oportuna montagem.<\/p>\n<p>Pronto.<\/p>\n<p>Tenho dois assuntos que me garantem o post de hoje e o de amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Falemos hoje sobre a chuva&#8230;<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00e3e tinha um medo danado dos dias chuvosos. At\u00e9 morrer, velhinha, com 91 anos, conviveu com esse pavor.<\/p>\n<p>Quando eu era crian\u00e7a, garoto de tudo, nossa casa ficou alagada por duas vezes \u2013 perdemos os m\u00f3veis, as roupas e outros cacarecos.<\/p>\n<p>Minha irm\u00e3 assustada correu pra casa da vizinha \u2013 e a Dona Yolanda achou que a filha fora carregada pela correnteza.<\/p>\n<p>Um susto e tanto!<\/p>\n<p>Um sufoco!<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Paralelo \u00e0 rua onde mor\u00e1vamos no Cambuci, havia um c\u00f3rrego chumbrega, sem poesia alguma, que passava por tr\u00e1s do nosso e de outros quintais.\u00a0 Em dias de chuvas mais densas, os bueiros n\u00e3o davam conta de engolir as \u00e1guas que se acumulavam no leito da rua de paralelep\u00edpedos. Tamb\u00e9m o rio engrossava o volume e transbordava abastecido com a aflu\u00eancia vinda de outras galerias e c\u00f3rregos.<\/p>\n<p>Por duas vezes, a for\u00e7a de suas \u00e1guas derrubou os muros das casas que o margeavam e assim os moradores ficaram \u2018ilhados\u2019, com o n\u00edvel da inunda\u00e7\u00e3o pelos joelhos dos adultos &#8211; &#8211; e eu, molecote, me colocaram a salvo encima do tampo da pesada mesa de madeira maci\u00e7a, da sala de costura.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Isto foi na primeira vez.<\/p>\n<p>Na segunda, estava no Grupo Escolar Oscar Thompson e o meu tio Neno veio me buscar ao fim das aulas da professora Dona Izabel.<\/p>\n<p>No caminho, o Neno me preparou para o que acontecera. Na verdade, eu j\u00e1 intu\u00edra a baga\u00e7a pelo tamanho da pancada que despencou do c\u00e9u.<\/p>\n<p>&#8211; A m\u00e3e est\u00e1 bem?<\/p>\n<p>Minha pergunta ficou sem resposta.<\/p>\n<p>Minutos depois, reencontrei a fam\u00edlia toda na casa dos meus av\u00f3s, Ign\u00eas e Carlito, que nos deram abrigo por uns dias. At\u00e9 que, depois de uma rigorosa limpeza, pud\u00e9ssemos voltar para a casa t\u00e9rrea, o n\u00famero 420, da rua Muniz de Souza.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Sa\u00edmos da Muniz, quando eu j\u00e1 tinha uns 14\/15 anos, e n\u00e3o me recordo de outros aperreios por causa das chuvas. O riozinho se aquietou na dele. A rua, vez ou outra, ficou alagada. Mas, tudo relativamente sob controle.<\/p>\n<p>S\u00f3 a m\u00e3e a se desesperar ao menor sinal de chuva; m\u00ednima, que fosse.<\/p>\n<p>Queria os filhos por perto nessas horas.<\/p>\n<p>Chorava baixinho e rezava, rezava muito para o Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus at\u00e9 que se fosse a amea\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Vida que segue, enfrentei outras tantas chuvas pelo caminho.<\/p>\n<p>Algumas, inesquec\u00edveis.<\/p>\n<p>Outras, nem tanto.<\/p>\n<p>Dariam boas cr\u00f4nicas, um livro talvez, se eu tivesse o talento de um romancista.<\/p>\n<p>Quem sabe, um dia, eu me arrisque.<\/p>\n<p>Por enquanto, melhor deixar chover&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/atIfuPobw9s\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><em>*Amanh\u00e3, como o prometido, volto para um papo sobre a imigra\u00e7\u00e3o japonesa.<\/em><\/p>\n<h6><em><strong>*(foto:arquivo pessoal)<\/strong><\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cChuva, enfim&#8230;\u201d<\/p>\n<p>A cidade andava mesmo precisando, os reservat\u00f3rios com os n\u00edveis l\u00e1 embaixo.<\/p>\n<p>Ou\u00e7o o alerta que faz a apresentadora do notici\u00e1rio da TV.<\/p>\n<p>Desconfio que foi minha aluna na Universidade.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19151","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19151"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19151\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19155,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19151\/revisions\/19155"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}