{"id":20815,"date":"2019-06-25T14:25:59","date_gmt":"2019-06-25T14:25:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=20815"},"modified":"2019-06-25T14:37:38","modified_gmt":"2019-06-25T14:37:38","slug":"para-fugir-das-noticias-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/para-fugir-das-noticias-de-hoje\/","title":{"rendered":"Para fugir das not\u00edcias de hoje"},"content":{"rendered":"<h6><strong>F<em>oto: Lucas Lima<\/em><\/strong><\/h6>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cQuando Theseus voltou da vit\u00f3ria sobre o Minotauro, conta Plutarco, os atenienses repararam seu navio e, como as pranchas estavam podres, trocaram-nas uma a uma. <\/em><\/p>\n<p><em>Quando a primeira prancha foi colocada no lugar, concordaram que o navio continuava o mesmo.<\/em><\/p>\n<p><em>Uma segunda prancha tamb\u00e9m n\u00e3o fez diferen\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em>Em certo ponto, os atenienses haviam trocado todas as pranchas do navio.<\/em><\/p>\n<p><em>Era outro navio?<\/em><\/p>\n<p><em>Em que momento ele se tornou um s\u00f3?\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong><em>*The Logic of Fuzziness, Nazim Soylemezogolu<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Desisto de ler e escrever sobre as not\u00edcias do dia.<\/p>\n<p>Tento entender (e explicar) o Brasil de hoje pelas ep\u00edgrafes de cada um dos cap\u00edtulos do livro <strong>Teoria e T\u00e9cnica do Texto Jornal\u00edstico, <\/strong>do professor Nilson Lage (Elsevier Editora, 2005), que reli, com interesse renovado, nessas manh\u00e3s de estio.<\/p>\n<p>Deixo as lides jornal\u00edsticas de fora, e me fixo no teor dos pensamentos expostos.<\/p>\n<p>Brilhante, o professor Lage!<\/p>\n<p>Noto em cada uma deles, por mais distintos que sejam os autores, exponenciais li\u00e7\u00f5es para n\u00e3o nos derrotarmos diante do triste cotidiano de nossa gente.<\/p>\n<p>Pode ser um del\u00edrio deste que vos escreve, mas vejo sentido (quase obriga\u00e7\u00e3o) em replic\u00e1-los hoje aqui.<\/p>\n<p>Vivemos um tempo de exce\u00e7\u00e3o (outra vez) e retrocesso.<\/p>\n<p>Navega-se em \u00e1guas turbulentas.<\/p>\n<p>A tibieza de nossas institui\u00e7\u00f5es sugere um inescap\u00e1vel naufr\u00e1gio social \u00e0 pr\u00f3xima onda.<\/p>\n<p>E o que sabemos do nosso (ini)minotauro?\u00a0 Que forma ter\u00e1?<\/p>\n<p>Fiquemos, pois, com as cita\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cJorn alista n\u00e3o \u00e9 aquele que toca na banda; \u00e9 o que v\u00ea a banda passar.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>*<strong>Joel Silveira, rep\u00f3rter<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cTodos veem aquilo que tu pareces, poucos sentem o que \u00e9s e estes poucos n\u00e3o se atrevem \u00e0 opini\u00e3o de muitos (&#8230;). Porque o vulgo deixa-se sempre levar pela apar\u00eancia e o sucesso das coisas; e no mundo n\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o vulgo e os poucos s\u00f3 t\u00eam lugar quando os muitos n\u00e3o t\u00eam em quem apoiar-se.\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong><em>*Maquiavel, N. O Pr\u00edncipe, cap. XVIII<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cVivemos uma consider\u00e1vel transforma\u00e7\u00e3o do sujeito cognitivo, da ci\u00eancia objetiva e da cultura coletiva. \u00c9 essa transforma\u00e7\u00e3o que me faz lastimar, de verdade, n\u00e3o ter mais dezoito anos.\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong><em>*Michel Serres (Serres, 2004:10)<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cA sociedade da informa\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode existir sob a condi\u00e7\u00e3o de troca sem barreiras. Ela \u00e9 incompat\u00edvel com o embargo ou com a pr\u00e1tica do segredo, com as desigualdades de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e sua transforma\u00e7\u00e3o em mercadoria.\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong><em>*Norbert Wiener em Cybernetics or control of communication in the animal and machine, 1948.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cEm geral, a arte de governar consiste em tomar tanto dinheiro quanto poss\u00edvel de uma classe de cidad\u00e3os para dar a outros.\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong><em>*Voltaire, Dicion\u00e1rio Filos\u00f3fico, 1764<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cA quilamba (planta), que n\u00e3o tem raiz, n\u00e3o foi Deus quem fez.\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong><em>*Prov\u00e9rbio quimbundo<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2jV7DVtKR9o\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><strong>F<em>oto: Lucas Lima<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cQuando Theseus voltou da vit\u00f3ria sobre o Minotauro, conta Plutarco, os atenienses repararam seu navio e, como as pranchas estavam podres,<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20816,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[412,408,409,410,406,407,405,411],"class_list":["post-20815","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-brasil-de-hoje","tag-citacoes","tag-joel-silveira","tag-maquiavel","tag-nilson-lage","tag-pensamtos","tag-teoria-e-tecnica-do-texto-jornalistico","tag-voltaire"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20815","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20815"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20815\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20820,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20815\/revisions\/20820"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20816"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}