{"id":20849,"date":"2019-07-01T21:35:46","date_gmt":"2019-07-01T21:35:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=20849"},"modified":"2019-07-01T22:07:03","modified_gmt":"2019-07-01T22:07:03","slug":"dor-e-gloria-de-almodovar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/dor-e-gloria-de-almodovar\/","title":{"rendered":"Dor e Gl\u00f3ria, de Almod\u00f3var"},"content":{"rendered":"<p>Filmes do Almod\u00f3var sempre me arrebentam.<\/p>\n<p>Seja qual for o enredo.<\/p>\n<p>Fico bastante tocado por suas sens\u00edveis cr\u00f4nicas cinematogr\u00e1ficas e, aqui e ali, confesso, me vejo como este ou aquele personagem.<\/p>\n<p>Por isso, talvez, fa\u00e7a tanta quest\u00e3o de v\u00ea-las no cinema onde, a bem da verdade, nos sentimos, n\u00f3s, os espectadores, como parte da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se acontece com voc\u00ea, am\u00e1vel leitor, amada leitora; mas \u00e9 a impress\u00e3o que tenho no escurinho do cinema. L\u00fadica e prazerosa.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Comentei a minha admira\u00e7\u00e3o pelo cineasta a uma estudante espanhola que fazia interc\u00e2mbio na universidade em que eu trabalhava.<\/p>\n<p>Como resposta, J\u00falia deu um sorriso maroto, de quem sabia das coisas.<\/p>\n<p>Tomou para si as r\u00e9deas da conversa.<\/p>\n<p>Disse que os filmes de Pedro Almod\u00f3var s\u00e3o alegorias, vividas, observadas e comentadas, a partir da pr\u00f3pria experi\u00eancia existencial do autor.<\/p>\n<p>Falou algo como:<\/p>\n<p>\u201cAlmod\u00f3var nunca p\u00f4de estudar cinema. Era de uma fam\u00edlia bastante humilde. Por isso, sua obra nada mais \u00e9 do que um relato pessoal entre o real e o imagin\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n<p>E acrescentou, toda senhora de si:<\/p>\n<p>&#8220;Muitas vezes, os personagens falam pelo autor.\u201d<\/p>\n<p>E perguntou:<\/p>\n<p>&#8220;Te gusta?&#8221;<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Antes que eu respondesse, ela citou uma cena do filme\u00a0<em>Fale Com Ela<\/em>\u00a0em que Caetano Veloso aparece cantando em espanhol numa roda de amigos.<\/p>\n<p>No grupo, est\u00e1 o protagonista que, transtornado de emo\u00e7\u00e3o, confessa o quanto o brasileiro sempre o deixa <em>chapado<\/em> com suas interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para J\u00falia, \u00e9 exatamente esta sensa\u00e7\u00e3o que Almod\u00f3var tem ao ouvir Caetano.<\/p>\n<p>\u201cEle \u00e9 apaixonado pela obra de Caetano seja em que idioma for\u201d.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Minha interlocutora de ent\u00e3o voltou para Burgos onde deveria terminar o curso de fotojornalismo.<\/p>\n<p>Nunca mais soube dela.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o dei l\u00e1 grande aten\u00e7\u00e3o ao coment\u00e1rio.<\/p>\n<p>Achei interessante, mas esqueci por completo.<\/p>\n<p>S\u00f3 ontem fui recordar nossa conversa ao assistir <em>Dor e Gl\u00f3ria<\/em>, o mais recente trabalho de Almod\u00f3var.<\/p>\n<p>Sa\u00ed, pra variar, comovido, pra l\u00e1 de <em>chapado<\/em>, do cinema.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Ficou claro que \u00e9 um lindo filme autobiogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Dou-lhes uma palhinha:<\/p>\n<p>O protagonista \u00e9 Salvador Mallo (Ant\u00f4nio Banderas), cineasta pr\u00f3ximo dos 70 anos que j\u00e1 viveu momentos gloriosos.<\/p>\n<p>Nesta fase da vida, ele convive com as dores naturais da idade, as lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia pobre, a inef\u00e1vel solid\u00e3o e o fantasma da finitude.<\/p>\n<p>Uma narrativa t\u00e3o po\u00e9tica quanto ternamente real.<\/p>\n<p>Que o pr\u00f3prio cineasta faz quest\u00e3o de reconhecer como o seu \u201cprojeto mais pessoal\u201d no cinema.<\/p>\n<p>Banderas, como alter-ego de Almod\u00f3var, tem uma atua\u00e7\u00e3o primorosa.<\/p>\n<p>De quebra, h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o sempre especial de Pen\u00e9lope Cruz.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Se me vi como Salvador Molla, no filme?<\/p>\n<p>Quem sou eu, primo, para me achar um Banderas\/Almod\u00f3var? Quem sou eu?<\/p>\n<p>V\u00e1 l\u00e1 que h\u00e1 algo meu, ali, quando ele reclama das dores nas costas, nos ombros e nos joelhos. Ou por ocasi\u00e3o da lida di\u00e1ria de tomar um punhado de rem\u00e9dios. Olai\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Tem tamb\u00e9m aquela pitadinha de nostalgia deste ou daquele sonho que ficou pelo caminho.<\/p>\n<p>Mas, quem n\u00e3o os tem?<\/p>\n<p>Apesar de tudo &#8211; e contudo &#8211; fa\u00e7o 69 anos em dezembro.<\/p>\n<p>E, como o personagem\/autor, detesto mocassins.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WgyRpBwbtCM\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><em><strong>Foto: Banderas, Pen\u00e9lope Cruz e Almod\u00f3var em Cannes\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filmes do Almod\u00f3var sempre me arrebentam.<\/p>\n<p>Seja qual for o enredo.<\/p>\n<p>Fico bastante tocado por suas sens\u00edveis cr\u00f4nicas cinematogr\u00e1ficas e, aqui e ali, confesso, me vejo como este ou aquele personagem.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20850,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[449,450,445,446,283,447,448],"class_list":["post-20849","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-antonio-banderas","tag-caetano-veloso","tag-cinema","tag-dor-e-gloria","tag-memorias","tag-pedro-almodovar","tag-penelope-cruz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20849","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20849"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20849\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20855,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20849\/revisions\/20855"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20850"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}