{"id":20901,"date":"2019-07-15T17:40:47","date_gmt":"2019-07-15T17:40:47","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=20901"},"modified":"2019-07-16T18:33:30","modified_gmt":"2019-07-16T18:33:30","slug":"passaredo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/passaredo\/","title":{"rendered":"Passaredo"},"content":{"rendered":"<p>Porque \u00e0s vezes a vida pede e precisa de uma pausa &#8211; assim ensinou o poeta Drummond -, as postagens no Blog ser\u00e3o mais espa\u00e7adas neste m\u00eas de julho.<\/p>\n<p>Espero que me entendam.<\/p>\n<p>Explico.<\/p>\n<p>Me dou ao desfrute de uma invernada na pacata S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro, ao p\u00e9 da Serra da Bocaina, nos confins do Vale do Para\u00edba, ainda no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00c9 neste hist\u00f3rico rinc\u00e3o &#8211; dizem que em tempos esquecidos, D. Pedro andou por aqui com sua tropa e fez pousada na Fazenda do Pau D&#8217;Alho &#8211; onde me esque\u00e7o de mim e dos dissabores que est\u00e3o pela a\u00ed a toldar a luz deste imprevis\u00edvel 2019.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Serei sincero.<\/p>\n<p>Estava no luscofusco do vir ou n\u00e3o vir quando, na quarta passada, recebo a triste not\u00edcia do falecimento do jornalista Paulo Henrique Amorim, a quem sempre admirei pela coragem e independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Uma perda irrepar\u00e1vel para o jornalismo e para o Brasil desses tempos sombrios.<\/p>\n<p>Bateu um enorme desconsolo.<\/p>\n<p>Se faltava algo para que eu me decidisse, nada mais, ent\u00e3o,\u00a0 se interp\u00f4s \u00e0 partida.<\/p>\n<p>E foi assim, corpo do\u00eddo e esp\u00edrito combalido, que cheguei sem pressa de voltar ao cotidiano dos dias iguais.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Por aqui, confesso, h\u00e1 outra rotina.<\/p>\n<p>Aplaina a alma, arrefece o desconsolo.<\/p>\n<p>\u00c9 tudo muito calmo.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Olho as montanhas, imp\u00e1vidas e serenas.<\/p>\n<p>Caminho\u00a0 um tantinho &#8211; e s\u00f3 um tantinho que o joelho reclama.<\/p>\n<p>Tomo sol no banco de madeira da pracinha da igreja e, vez ou outra, me encanto com a movimenta\u00e7\u00e3o da passarada a bulir nas \u00e1rvores do quintal de casa.<\/p>\n<p>Neste ano, os p\u00e9s de ameixas se puseram carregadinhos da frutinha amarela que, entre o doce e o azedo, faz a festa dos bichos.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma acirrada disputa para abocanhar (ou bicar) os mais vistosos.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Sou um urban\u00f3ide por natureza &#8211; e at\u00e9 por convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas deixo que meus olhos fatigados se deliciem com a movimenta\u00e7\u00e3o da turma.<\/p>\n<p>Os sanha\u00e7os v\u00eam pela manh\u00e3. N\u00e3o s\u00e3o muitos, cinco ou seis. Revezam a brincadeira com os pardais &#8211; em extin\u00e7\u00e3o nas metr\u00f3poles -, os mi\u00fados canarinhos da terra e os bem-te-vis que j\u00e1 chegam chegando. A provocar desconforto em quem estiver por perto.<\/p>\n<p>S\u00f3 n\u00e3o se metem com os s\u00e1bias-laranjeiras que s\u00e3o comuns na regi\u00e3o. E, vez ou outra, aparecem, solenes, por ali. Desconfio que preferem frequentar o abacateiro que fica pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>No meio da tarde, chegam as aves de porte maior.<\/p>\n<p>Os tucanos, vistosos, a equilibrar a fruta no longo bico.<\/p>\n<p>E os jacus, de cauda longa, que se assenhoram dos galhos e abrem passagem entre as folhas e quem mais estiver por perto.<\/p>\n<p>Chegam em grupos de tr\u00eas ou quatro.<\/p>\n<p>Em bando mesmo quem aparece s\u00e3o as maritacas, ruidosas e estridentes. Mais pro fim da tarde.<\/p>\n<p>Avan\u00e7am esfomeadas sobre as frutinhas.<\/p>\n<p>A ameixeira balan\u00e7a toda. Um generalizada bagun\u00e7a. Que dura alguns minutos.<\/p>\n<p>Satisfeitas, e ainda barulhentas, batem em retiradas numa imprevis\u00edvel revoada.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>\u00d4 meu Pai do C\u00e9u&#8230;<\/p>\n<p>Vi a cena e n\u00e3o sei porque lembrei os nossos ilustres parlamentares votando a favor da Previd\u00eancia, esta mesmo que vai punir os trabalhadores mais humildes.<\/p>\n<p>Est\u00e3o arrega\u00e7ando nossos direitos mais elementares. De olho guloso nas poupudas verbas das emendas parlamentares.<\/p>\n<p>Olai\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Volta o desconsolo.<\/p>\n<p>Sei que as maritacas verdinhas, verdinhas, n\u00e3o t\u00eam culpa de nada.<\/p>\n<p>Eu \u00e9 que n\u00e3o consigo me desligar das trombadas da vida real&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZeNxWHrTVWM\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porque \u00e0s vezes a vida pede e precisa de uma pausa &#8211; assim ensinou o poeta Drummond -, as postagens no Blog ser\u00e3o mais espa\u00e7adas neste m\u00eas de julho.<\/p>\n<p>Espero que me entendam.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20907,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[57,477,476,424,478],"class_list":["post-20901","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-barreiro","tag-ferias","tag-passaros","tag-paulo-henrique-amorim","tag-pausa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20901","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20901"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20901\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20910,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20901\/revisions\/20910"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20907"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20901"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20901"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20901"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}