{"id":23438,"date":"2020-07-23T06:15:16","date_gmt":"2020-07-23T06:15:16","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=23438"},"modified":"2020-07-23T13:09:44","modified_gmt":"2020-07-23T13:09:44","slug":"voce-sabe-com-quem-esta-falando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/voce-sabe-com-quem-esta-falando\/","title":{"rendered":"Sabe com quem est\u00e1 falando?"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Essa express\u00e3o desprez\u00edvel \u00e9 INFELIZMENTE uma antiga e carcomida institui\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Assim como outras tantas (tipo: &#8220;Cidad\u00e3o, n\u00e3o! Engenheiro civil&#8230;&#8221; ) do mesmo nefando\u00a0 quiLATE que ouvimos ami\u00fade (ainda mais) nesses tempos destrambelhados e c\u00ednicos de valores invertidos.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea sabe com quem est\u00e1 falando?&#8221;<\/p>\n<p>Toda vez que eu a ouvi \u2013 e INFELIZMENTE eu a ouvi muitas vezes \u2013 causou-me enorme constrangimento \u2013 e a certeza do\u00edda de que quem assim se manifestou se revela, como pessoa e cidad\u00e3o, algu\u00e9m bem mais desprez\u00edvel do que a tosca express\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Sempre que poss\u00edvel em tais circunst\u00e2ncias estive ou me posicionei ao lado de quem a ouviu; nunca ao lado dos boquirrotos. Independente do pseudo status social que os \u00edmpios ocupam entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>As\u00a0<em>otoridades<\/em>\u00a0nunca me fizeram a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 algo de que me louvo e\/ou proclamo.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou nada, nunca serei nada&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Mas, por\u00e9m, contudo, todavia&#8230;<\/p>\n<p>Toda vez que me deparo com epis\u00f3dio bisonho, como o do tal da semana que passou em Santos, cresce em mim a devastadora constata\u00e7\u00e3o que a dita Humanidade \u00e9 uma experi\u00eancia que n\u00e3o vingou, n\u00e3o deu certo no Planeta Terra mesmo depois de milhares e milhares anos de volteios e andan\u00e7as.<\/p>\n<p>Desolador.<\/p>\n<p>Temos muito o que aprender, um infinito a evoluir.<\/p>\n<p>Talvez um dia cheguemos l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>\u2026<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>Para n\u00e3o ficarmos s\u00f3 no ramerrame das lamenta\u00e7\u00f5es, trago-lhes uma lenda do extenso folclore das reda\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas.<\/p>\n<p>Como lenda, bem sabem, nunca foi provada, tampouco foi desmentida.<\/p>\n<p>Mas, sempre vale \u00e0 pena cont\u00e1-la.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Naquele tempo&#8230;<\/p>\n<p>Dizem que, certa noite, alta madrugada, o doutor Assis Chateaubriand ligou para a reda\u00e7\u00e3o de um de seus tantos jornais \u2013 h\u00e1 quem garanta que foi o Di\u00e1rio de Noite, onde este humilde escrevinhador deu seus primeiros e t\u00edbios passos na amarfanhada carreira, mas juro que n\u00e3o sou eu o protagonista \u2013 e exigiu do jornalista plantonista que trocasse a manchete da edi\u00e7\u00e3o, pois acabara de saber que tal ministro seria defenestrado na manh\u00e3 seguinte.<\/p>\n<p>Como podem ver, nenhuma novidade at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>Ministros voam e pousam no famigerado pombal de ilus\u00f5es que s\u00e3o os minist\u00e9rios do governo e dos governos. Desde sempre \u00e9 assim.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Acontece que o poderoso Chat\u00f4, nosso Cidad\u00e3o Kane primeiro, esqueceu-se de se identificar ao telefone. \u00c1vido por dar a not\u00edcia em primeir\u00edssima m\u00e3o.<\/p>\n<p>O jornalista da vez estava com a paci\u00eancia na Lua e as p\u00e1ginas do jornal nas rotativas prestes a serem impressas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do que, ele imaginou um trote dos colegas a bebericar umas e outras no bar da esquina e a debochar do seu <em>dia da marmota<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o deu a m\u00ednima. Conhecia os seus; pior, era um deles. Aprontava poucas e boas quando, noite adentro e uns goles a mais, folgava no tradicional boteco, ponto de encontro da reportada ap\u00f3s o expediente.<\/p>\n<p>N\u00e3o pensou duas vezes.<\/p>\n<p>Desligou na fu\u00e7a do dono jornal sem saber, \u00f3bvio, que era o dono do jornal o dono da voz e da fu\u00e7a do outro lado da linha.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Chat\u00f4 ligou de novo.<\/p>\n<p>Nosso her\u00f3i apenas fez apenas um muxoxo:<\/p>\n<p>&#8211; Ah, n\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Falou um palavr\u00e3o e desligou.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Habituado a ter suas ordens cumpridas sem hesita\u00e7\u00f5es, o patr\u00e3o ligou pela terceira vez.<\/p>\n<p>Aumentou o tom, a rabugice e o sotaque nordestino de Umbuzeiro:<\/p>\n<p>&#8211; Pare as m\u00e1quinas! Mude a manchete j\u00e1. Estou mandando!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Sil\u00eancio do outro lado da linha.<\/p>\n<p>Pelo tom e pela emp\u00e1fia, o jornalista desconfiou.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que seria?<\/p>\n<p>Ai, ai, ai&#8230;<\/p>\n<p>Apreens\u00e3o e sil\u00eancio.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>At\u00e9 que, do outro lado, veio a ordem (que n\u00e3o deixou a menor d\u00favida) e o questionamento:<\/p>\n<p>&#8211; Fa\u00e7a o que eu mando, j\u00e1! O senhor sabe com quem est\u00e1 falando?<\/p>\n<p>Sabia, sim, agora. S\u00f3 agora.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, perdido por um, perdido por mil.<\/p>\n<p>&#8211; Que se dane!!! &#8211; disse o jornalista (ou algo no g\u00eanero).<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Aqui, \u00e9 o Doutor Assis Chateaubriand, o propriet\u00e1rio dos Di\u00e1rios e Emissoras Associados. Alguma d\u00favida em fazer o que lhe ordenei?<\/p>\n<p>Nenhuma d\u00favida.<\/p>\n<p>S\u00f3 que o jornalista era casca tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Cenho franzido, sem outra alternativa, retrucou\u00a0como p\u00f4de, e no mesmo tom:<\/p>\n<p>&#8211; E o senhor, por acaso, sabe com quem est\u00e1 falando?<\/p>\n<p>Quanta aud\u00e1cia, Chat\u00f4 disse indignado:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o! Mas, prepare-se para ser demi&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o conseguiu terminar a fala. Teve a frase interrompida por duas coisas:<\/p>\n<p>1 &#8211; o al\u00edvio do interlocutor:<\/p>\n<p>&#8211; Ufa! Ainda bem!<\/p>\n<p>2 &#8211; o ru\u00eddo do telefone ao ser abandonado fora do gancho..<\/p>\n<p>&#8220;pi, pi, pi, pi&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nmKxgOwhvFU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Essa express\u00e3o desprez\u00edvel \u00e9 INFELIZMENTE uma antiga e carcomida institui\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Assim como outras tantas (tipo: &#8220;Cidad\u00e3o, n\u00e3o! 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