{"id":23512,"date":"2020-07-31T06:15:39","date_gmt":"2020-07-31T06:15:39","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=23512"},"modified":"2020-07-31T13:56:51","modified_gmt":"2020-07-31T13:56:51","slug":"23512-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/23512-2\/","title":{"rendered":"A tessitura da cidadania"},"content":{"rendered":"<p>Foto: Arquivo Pessoal<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>&#8220;Ser livre significa ao mesmo tempo n\u00e3o estar sujeito \u00e0s necessidades da vida nem ao comando de outro e tamb\u00e9m n\u00e3o comandar. N\u00e3o significa dom\u00ednio, mas tamb\u00e9m n\u00e3o significa submiss\u00e3o.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leio com atraso (mas, renovado interesse) o livro que recebi, tempos atr\u00e1s como cortesia, da <em>Editora Porto de Ideias <\/em>\u00a0&#8211; e que permaneceu intocado desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Chama-se:<\/p>\n<p><strong><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-23524 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/autoritarismo1.jpg\" alt=\"\" width=\"196\" height=\"196\" srcset=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/autoritarismo1.jpg 196w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/autoritarismo1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/>Autoritarismo Pol\u00edtico e M\u00eddia Impressa &#8211; <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Linhas que comp\u00f5em a tessitura da cidadania no Brasil. 1964-84<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p>Eu o perdi de vista, por lament\u00e1vel descuido, num canto da estante em meio a uma pilha de livros que j\u00e1 havia lido.<\/p>\n<p>A autoria \u00e9 da professora Carla Reis Longhi.<\/p>\n<p>Trata-se, outrossim, da publica\u00e7\u00e3o da tese de doutorado da historiadora formada pela PUC\/SP e que, no in\u00edcio da d\u00e9cada (data da edi\u00e7\u00e3o), era professora do curso de p\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o da UNIP e lecionava tamb\u00e9m na Escola de Belas Artes.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Um lament\u00e1vel descuido, como j\u00e1 disse, que tratei de reparar nesses dias de isolamento social.<\/p>\n<p>Ao folhe\u00e1-lo, encontrei uma defini\u00e7\u00e3o de comunidade que achei oportuna &#8211; e grifei para us\u00e1-la em algum texto futuro.<\/p>\n<p>Mas, j\u00e1 a antecipo aqui:<\/p>\n<p><em>&#8220;Comunidade n\u00e3o \u00e9 um mero estar-junto num territ\u00f3rio, como numa aldeia, num bairro ou num gueto, e sim um compartilhamento (ou um troca), relativo a uma tarefa, um m\u00fanus, impl\u00edcito na obriga\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria que se tem para com o Outro.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Me parece que esse olhar para o Outro (assim mesmo em mai\u00fascula), esse generoso e fraterno olhar para o Outro \u00e9 a grande aus\u00eancia\/perda dessas primeiras d\u00e9cadas de um s\u00e9culo que por tudo, se imaginava, t\u00e3o promissor.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00f3 uma impress\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Sinceramente, n\u00e3o imaginei escrever sobre o entrecho do livro aqui no Blog.<\/p>\n<p>Se bem que essa interface entre os fatos da Hist\u00f3ria e os tais processos na \u00e1rea da Comunica\u00e7\u00e3o (especialmente no \u00e2mbito do jornalismo) sempre foi um dos temas mais intrigantes para este humilde escrevinhador. Seja nas reda\u00e7\u00f5es por onde andei, seja nas universidades em que lecionei.<\/p>\n<p>Uma pauta que sempre gerou infind\u00e1veis discuss\u00f5es.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria e Comunica\u00e7\u00e3o. Comunica\u00e7\u00e3o e Hist\u00f3ria. Tudo a ver uma com a outra, a outra com a uma.<\/p>\n<p>Cuido que, na hora do vamos ver, o protagonismo de ambas se equivale.<\/p>\n<p>Andam juntas &#8211; e n\u00e3o \u00e9 de hoje.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0s p\u00e1ginas do livro &#8211; e minha pensata \u00e9 a seguinte:<\/p>\n<p>Diria que at\u00e9 o in\u00edcio deste s\u00e9culo (anos 90, v\u00e1 l\u00e1) foi assim:<\/p>\n<p>A m\u00eddia impressa batia o bumbo e determinava (ou supunha determinar) o ritmo, a dan\u00e7a e as escolhas pol\u00edticas da sociedade.<\/p>\n<p>Com isso, n\u00e3o foram poucas as vezes que jornal\u00f5es e revistas insinuaram os novos\/velhos cap\u00edtulos da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O recorte cronol\u00f3gico, feito pela autora, se at\u00e9m ao regime militar (delimitado no t\u00edtulo de 1964 a 1984). No seu abalizado entender, representa &#8220;o \u00e1pice de um procedimento social que sofrer\u00e1 mudan\u00e7as expressivas nas d\u00e9cadas posteriores&#8221;.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as que j\u00e1 vinham ocorrendo, registre-se.<\/p>\n<p>E que se confirmaram amplamente.<\/p>\n<p>Sen\u00e3o, vejamos:<\/p>\n<p>Sai o jornalismo impresso &#8211; e vigoram novas plataformas de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vale o exemplo (por minha conta e risco) que bem ilustra essas mudan\u00e7as entre n\u00f3s:<\/p>\n<p>1 &#8211; a elei\u00e7\u00e3o de Collor presidente, com o amplo apoio da televis\u00e3o (89\/90).<\/p>\n<p>2 &#8211; a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro com forte influ\u00eancia das m\u00eddias digitais (2018).<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Outra abordagem que faz a professora diz respeito aos famigerados sistemas de informa\u00e7\u00e3o como instrumento de solidifica\u00e7\u00e3o de regimes autorit\u00e1rios. Especialmente quando inclui a\u00e7\u00f5es que visam fragilizar a cidadania e extinguir a liberdade de pensamento e express\u00e3o.<\/p>\n<p>Para investigar este quesito, a obra parte da proposta encampada pela ditadura militar de ent\u00e3o que organizou seu aparato repressivo a partir de articulados \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o (o SNI) e de repress\u00e3o.<\/p>\n<p>Inicialmente, os jornais de ent\u00e3o compactuam (ou omitem-se?) com tal calamidade.<\/p>\n<p>S\u00f3 depois caem as fichas da afronta ao cerne da democracia- e, a partir de ent\u00e3o, partem para a oposi\u00e7\u00e3o e den\u00fancia.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Triste constata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Qualquer semelhan\u00e7a com os fatos atuais (hist\u00f3ricos e comunicacionais) n\u00e3o \u00e9, nem nunca ser\u00e1, mera coincid\u00eancia.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, leiam esta not\u00edcia recente:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/rubens-valente\/2020\/07\/24\/ministerio-justica-governo-bolsonaro-antifascistas.htm\"><strong>A\u00e7\u00e3o sigilosa do governo mira professores e policiais antifascistas<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Tem movimentado as discuss\u00f5es nos bastidores planaltinos.<\/p>\n<p>Ah, sim, agravadas pelo descontrole da pandemia &#8211; o que \u00e9 ainda mais devastador.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wAmtLN4PlLU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Caetano Veloso faz live no dia 7 de agosto. Na data em que\u00a0completa 78 anos.<\/p>\n<p>Nesta semana, ele falou ao <em>The Guardian:<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Estamos vivendo um pesadelo absoluto.&#8221;<\/p>\n<p>Leia mais: <a href=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/noticia\/caetano-veloso-e-destaque-de-jornal-ingles-com-criticas-bolsonaro-confuso-e-incompetente\/\"><strong>AQUI<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Arquivo Pessoal<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>&#8220;Ser livre significa ao mesmo tempo n\u00e3o estar sujeito \u00e0s necessidades da vida nem ao comando de outro e tamb\u00e9m n\u00e3o comandar.<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23516,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1469,1006,571,1467,1468],"class_list":["post-23512","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-carla-reis-longhi","tag-comunicacao","tag-historia","tag-midia-impressa","tag-regime-militar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23512","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23512"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23512\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23525,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23512\/revisions\/23525"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23516"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23512"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23512"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23512"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}