{"id":23543,"date":"2020-08-06T06:15:55","date_gmt":"2020-08-06T06:15:55","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=23543"},"modified":"2020-08-08T18:46:07","modified_gmt":"2020-08-08T18:46:07","slug":"cronicas-de-viagens-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/cronicas-de-viagens-2\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas de Viagens &#8211; Napoli"},"content":{"rendered":"<p><em>Fotos: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; O CASTELO DE SAN MARTINO<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Olhamos o mapa da cidade e o castelo de San Martino (onde existe um museu e uma igreja) ficava a dois dedos de dist\u00e2ncia do hotel. Um al\u00edvio. No dia anterior, havia caminhado \u00e0 exaust\u00e3o para conhecer atra\u00e7\u00f5es, becos e bocas de <a href=\"https:\/\/www.comune.napoli.it\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>NAPOLI<\/strong><\/a>. Um aspecto cansado era indisfar\u00e7\u00e1vel em mim, e em cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Mas, vamos l\u00e1&#8230; No esquema impresso do folder multicor que temos em m\u00e3os, parece f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Ao primeiro desafio do dia.<\/p>\n<p>Uma passada no cal\u00e7ad\u00e3o \u00e0 beira mar, antes.<\/p>\n<p>Mais uma vez, olhar o porto onde meus av\u00f3s, l\u00e1 nos confins do tempo, partiram para tentar a vida no Brasil e \u201cperna pra quem te quer\u201d. Uma \u00faltima conferida no mapa para nos orientar e a surpresa que me deixou um pouco triste e outro tanto feliz. Triste porque bastou erguer os olhos, do mapa para a realidade das ruas e do horizonte, e mal e mal consegu\u00edamos distinguir a fortaleza, l\u00e1 distante, no alto de uma montanha \u2013 uns 650 metros de altura, por a\u00ed. Em s\u00fabito protesto, meu corpo cansado despencou desalentado no primeiro banco de pra\u00e7a que apareceu.<\/p>\n<p>N\u00e3o conseguiria&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-23552 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/napoli3-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"289\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/napoli3-225x300.jpg 225w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/napoli3-768x1024.jpg 768w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/napoli3-536x715.jpg 536w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/napoli3-375x500.jpg 375w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/napoli3-360x480.jpg 360w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/napoli3-600x800.jpg 600w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/napoli3-197x263.jpg 197w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/napoli3.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 289px) 100vw, 289px\" \/>A cidade \u00e9 um labirinto de ruas estreitas e tortuosas, vielas, escadarias, cantos &#8211; tudo devidamente ornamentado pelas roupas estendidas nos varais e expostas aos olhares de quem passar. D\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que estamos sempre no mesmo lugar. Imposs\u00edvel o acesso, pensei.<\/p>\n<p>A\u00ed veio o motivo da felicidade. Por consenso, decidimos: iremos de \u00f4nibus.<\/p>\n<p>Me pus de p\u00e9 de pronto.<\/p>\n<p>\u201cVamos!\u201d, dei voz de comando \u00e0 tropa.<\/p>\n<p>\u201cMas, qual \u00e9 o autobus?\u201d, algu\u00e9m lembrou.<\/p>\n<p>D\u00e1-lhe andar \u00e0s tontas pela cidade. Pergunta que pergunta. E a\u00ed algu\u00e9m descobre uma loja da Armani \u2013 e \u00e9 um entra e sai de gente sem nada comprar, \u00f3bvio -, um \u201csaldi\u201d imperd\u00edvel na Piazza It\u00e1lia \u2013 e tome outra excurs\u00e3o dentro da nossa quase excurs\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 sempre quem queira parar para tomar um caf\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cUm caf\u00e9 s\u00f3, gente!\u201d &#8211; e invadimos a cafeteria.<\/p>\n<p>Resultado: duas horas depois, \u00e9 hora de almo\u00e7ar que ningu\u00e9m \u00e9 de ferro. Fomos descobrir o roteiro mesmo s\u00f3 l\u00e1 pelo meio da tarde, mais do que cansados, a carregar pacotes e casacos \u2013 pois, o tal do rigoroso inverno europeu n\u00e3o deu \u00e0s caras \u2013 e eu a arrastar um fastio, uma sonol\u00eancia gerados pela generosa por\u00e7\u00e3o de tortellini que derrubei na refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ah!, o biquieri de vinho rosso tamb\u00e9m ajudou minha alma a clamar, baixinho, para os bot\u00f5es do meu sobretudo a lamber estoicamente aquele ch\u00e3o hist\u00f3rico:<\/p>\n<p>&#8212; Meu reino por uma cama. Meu reino por uma cama.<\/p>\n<p>Um detalhe.<\/p>\n<p>N\u00e3o era um simples autobus que nos levaria ao destino que planejamos. Ter\u00edamos que tomar &#8220;o funiculare&#8221;, uma esp\u00e9cie de \u201ctatuz\u00e3o\u201d em forma de bondinho que leva penca de turistas e moradores montanha acima, por dentro da pr\u00f3pria. S\u00f3 que a Esta\u00e7\u00e3o Chiaia \u2013 jamais esquecerei esse belo nome \u2013 n\u00e3o estava funcionando naquele dia. Chiusa! Portanto, outra caminhada pela via Toledo para enfim, j\u00e1 na esta\u00e7\u00e3o, errarmos a linha do tal \u201cmetr\u00f4zinho\u201d e irmos parar do outro lado da cidade.<\/p>\n<p>Voltamos ao ponto de partida. E, por fim, tomamos o caminho do castelo que anunciei, aos quatro cantos desde a chegada \u00e0 It\u00e1lia, era de posse da fam\u00edlia Martino, cuja a qual eu perten\u00e7o.<\/p>\n<p>Ao chegarmos, a compensa\u00e7\u00e3o de todos os \u201cais\u201d: a tocante vis\u00e3o da ba\u00eda que se tem da pequena pra\u00e7a em frente \u00e0 fortaleza.<\/p>\n<p>Um encantar-se sem fim.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Entramos.<\/p>\n<p>Uma pequena porta d\u00e1 acesso ao claustro, projetado por Dosio no s\u00e9culo 16, e \u00e0s diversas alas do castelo, todas no melhor estilo do barroco napolitano. Sempre me deslumbro diante desses monumentos seculares e suas hist\u00f3rias. A a funda\u00e7\u00e3o do que chamam de &#8216;certoza&#8217; \u00e9 do s\u00e9culo 14. Vai a\u00ed uma sensa\u00e7\u00e3o do ef\u00eamero da vida. Do quanto somos nada e da obra que deixamos ou deixaremos.<\/p>\n<p>O nobre San Martino (desculpe a\u00ed, em plebeus) era um homem de f\u00e9 e \u00edntegro. Generoso com os pobres, \u00e9 c\u00e9lebre\u00a0o seu gesto de cortar o manto com a pr\u00f3pria espada e divid\u00ed-lo com quem, necessitado, estivesse passando frio.<\/p>\n<p>(\u00c9 bem verdade que n\u00e3o entendi porque o pr\u00edncipe n\u00e3o oferecia o manto todo. Bom, hist\u00f3ria \u00e9 hist\u00f3ria e h\u00e1 um quadro famoso que perpetua o gesto.)<\/p>\n<p>Ando pra c\u00e1, ando pra l\u00e1. Descubro um terra\u00e7o com outra vis\u00e3o linda sobre o bairro bo\u00eamio de Santa Lucia. Um jardim; atr\u00e1s do jardim, um pomar com \u00e1rvores repletas de laranjas. Volto e entro por uma ala desconhecida.<\/p>\n<p>Ou\u00e7o uma voz:<\/p>\n<p>&#8212; Signore, signore. Chiuso. Capisce? Chiuso, signore&#8230;<\/p>\n<p>Algu\u00e9m faz a tradu\u00e7\u00e3o, com um sorriso diante da minha cara de espanto.<\/p>\n<p>&#8212; Senhor, a\u00ed n\u00e3o pode entrar. Est\u00e1 chiuso. Fechado, entendeu?<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o&#8230; Levei t\u00e3o a s\u00e9rio a hist\u00f3ria de estar numa propriedade da fam\u00edlia que, sinceramente, n\u00e3o estranharia se algu\u00e9m me viesse entregar a chave do castelo. Ou, no m\u00ednimo, de parte dele&#8230;<\/p>\n<p>Mesmo assim, n\u00e3o perdi a pose. Mesmo com a temperatura ambiente, visto o sobretudo com a nobreza de um leg\u00edtimo Martino. Me desculpo com o atento funcion\u00e1rio e dou por encerrada a visita.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, fa\u00e7o a ressalva:<\/p>\n<p>&#8212; Por essa vez passa, amicci. Mas, da outra vez, tiro o passaporte, mostro o sobrenome e digo ao lacaio o que pode, o que n\u00e3o pode e que fam\u00edlia manda nessa birosca.<\/p>\n<p>Desconfio que ele n\u00e3o me entendeu. Felizmente.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6XlnRpVN5uI\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><em><strong>* Publicado originalmente em 21\/01\/2007<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Fotos: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; O CASTELO DE SAN MARTINO<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Olhamos o mapa da cidade e o castelo de San Martino (onde existe um museu e uma igreja) ficava a dois dedos de dist\u00e2ncia do hotel.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23551,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1476,1470,1131,1474,1475,1471],"class_list":["post-23543","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-castelo-de-san-martino","tag-cronicas-de-viagens","tag-italia","tag-napoles","tag-napoli","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23543","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23543"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23543\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23645,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23543\/revisions\/23645"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23551"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23543"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23543"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23543"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}