{"id":23588,"date":"2020-08-10T06:15:42","date_gmt":"2020-08-10T06:15:42","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=23588"},"modified":"2020-08-10T17:38:18","modified_gmt":"2020-08-10T17:38:18","slug":"cronicas-de-viagens-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/cronicas-de-viagens-6\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas de Viagens &#8211; Pompeia"},"content":{"rendered":"<p><em>Fotos: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>6 &#8211; \u00daLTIMOS DIAS DE POMPEIA<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>&#8220;Seria \u00f3timo se o Ves\u00favio, sem aviso pr\u00e9vio, vomitasse novamente fogo, cinza e pedras que amortalhassem a mo\u00e7a onde quer que era estivesse, com quem e como estivesse. E a imobilizasse no tempo&#8230;&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Trecho do romance <strong><em>A Casa do Poeta Tr\u00e1gico<\/em><\/strong>, de Carlos Heitor Cony (1926\/2018)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Acho o romance de Cony um dos mais belos que j\u00e1 li. Narra o desvario de uma paix\u00e3o desfeita como fio condutor para tratar das mis\u00e9rias da condi\u00e7\u00e3o humana. O t\u00edtulo &#8211; igualmente denso, como o transcorrer dos cap\u00edtulos &#8211; faz alus\u00e3o a uma suposta lenda de um casal de amantes, Glauco e Ione, que consegue escapar \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da cidade no exato momento da erup\u00e7\u00e3o do implac\u00e1vel Ves\u00favio.<\/p>\n<p>\u00c9 da\u00ed que parte o not\u00e1vel e saudoso Cony, um dos meus autores preferidos. Capaz de defini\u00e7\u00f5es, tipo:<\/p>\n<p>&#8220;O sol \u00e9 uma grande Paix\u00e3o, que vai acabar, ainda que dure mil\u00eanios, porque tudo o que queima, apaga.&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Mesmo com toda essa refer\u00eancia, amigos leitores, vou lhes confessar:<\/p>\n<p>Eu estava com\u00a0 uma nhaca danada em visitar o S\u00edtio Arqueol\u00f3gico de<a href=\"http:\/\/pompeiisites.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong> POMPEIA<\/strong><\/a> que, pelo dec\u00e1logo dos turistas, \u00e9 parada obrigat\u00f3ria e necess\u00e1ria para quem faz suas andan\u00e7as pela regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Quer dizer&#8230;<\/p>\n<p>Queria e n\u00e3o queria.<\/p>\n<p>Sou um tanto boc\u00f3 por natureza e voca\u00e7\u00e3o, mas me entendam, por favor.<\/p>\n<p>Pressentia, eu me conhe\u00e7o: n\u00e3o me sentiria assim, como direi, confort\u00e1vel em meio \u00e0s ru\u00ednas que <em>o fogo, cinza e pedras<\/em> vomitados\u00a0 pelo Ves\u00favio destruiu por completo a tal civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do que, a gente vinha t\u00e3o suave naquele percurso ensolarado de cidades da Costa Amalfitana. Maior astral, tudo se encaixando na boa, apesar do friozinho comum \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>N\u00e3o queria quebrar essa onda.<\/p>\n<p>Por outro lado, a hist\u00f3ria de Pompeia, eu a ou\u00e7o desde garoto.<\/p>\n<p>Verdade!<\/p>\n<p>O pai, os amigos do pai &#8211; aquela italianada toda contava e recontava a trag\u00e9dia, entrecortada ao vinho e \u00e0s can\u00e7\u00f5es locais, como se a coisa toda tivesse acontecido naqueles dias &#8211; e, pior, poderia acontecer de novo.<\/p>\n<p>Pode?<\/p>\n<p>Pode.<\/p>\n<p>Falavam tanto que um deles me presentou com um livreto que trazia o conto infantil <em>\u00daltimos Dias de Pompeia,<\/em>\u00a0a saga do c\u00e3ozinho que preferiu morrer ao lado do dono (um garoto) do que fugir como, dizem, outros animais fizeram.<\/p>\n<p>A imagem petrificada dos dois, um junto ao outro, foi encontrada pelos escavadores &#8211; e estaria ainda hoje por l\u00e1.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-23590 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DSC03649-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DSC03649-225x300.jpg 225w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DSC03649-768x1024.jpg 768w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DSC03649-536x715.jpg 536w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DSC03649-375x500.jpg 375w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DSC03649-360x480.jpg 360w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DSC03649-600x800.jpg 600w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DSC03649-197x263.jpg 197w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DSC03649.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/>Esse triste enredo era a minha\u00a0<em>pi\u00e8ce de r\u00e9sistance <\/em>nas aulas de Orat\u00f3ria do curso ginasial no Col\u00e9gio Marista da Gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, meus caros&#8230; Eu tive aula de Orat\u00f3ria, acredite quem quiser!<\/p>\n<p>Nunca tirei um 10 com minhas apresenta\u00e7\u00f5es. Mas, botava um medo danado nos colegas de classe dizendo, assim como os amigos do pai, que tudo poderia tornar a acontecer a qualquer momento.<\/p>\n<p>A\u00ed, o professor Irm\u00e3o Fid\u00e9lis tinha que explicar para a gurizada que essa hist\u00f3ria era pra l\u00e1 de antiga e cousa e lousa &#8211; e, principalmente, que n\u00e3o havia vulc\u00f5es no Brasil.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>J\u00e1 adulto, batendo nos cinquenta e muitos, l\u00e1 estou eu em meio a todas aquelas ru\u00ednas, ruas e pra\u00e7as, levas de turistas, outro tanto de guias a consolidar em mim a certeza de que a Torre de Babel foi um dos grandes acertos da Humanidade.<\/p>\n<p>Enfim, l\u00e1 estou&#8230;<\/p>\n<p>Senti-me assim tanto desacor\u00e7oado em meio a tantos ru\u00eddos, escombros e informa\u00e7\u00f5es que, assim que vi o que sobrou de um bel\u00edssimo anfiteatro, n\u00e3o tive d\u00favidas. Me instalei num dos lances da arquibancada, pedi uma garrafa de \u00e1gua para o vendedor que passava (l\u00e1 tamb\u00e9m tem dessas) e l\u00e1 fiquei&#8230; \u00c0 dist\u00e2ncia, na minha. A admirar o onipresente Ves\u00favio, pois, sei l\u00e1, a gente nunca sabe, \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Vai que&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pF9-5ynexaM\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Em tempo:<\/strong><\/p>\n<p><em>As aulas de Orat\u00f3ria eram nas manh\u00e3s de s\u00e1bado. <\/em><\/p>\n<p><em>O professor escolhia um aluno na sala, e este deveria apresentar-se aos colegas de classe.<\/em><\/p>\n<p><em>Havia quem cantasse, quem declamasse, quem contasse hist\u00f3ria, quem lesse em voz alta a pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o sobre este ou aquele palpitante tema.<\/em><\/p>\n<p><em>Dever\u00edamos nos apresentar devidamente uniformizados, com os sapatos pretos retintos, penteados \u2013 e aleatoriamente ser\u00edamos chamados pelo professor, o Irm\u00e3o Fid\u00e9lis (estudei em col\u00e9gio marista).<\/em><\/p>\n<p><em>T\u00ednhamos que ter, na ponta da l\u00edngua, o nosso n\u00famero. <\/em><\/p>\n<p><em>Era obrigat\u00f3rio ser convincente na apresenta\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>O Gilberto Chimenti era o rei das reda\u00e7\u00f5es. Nota 10<\/em><\/p>\n<p><em>Mas, a grande estrela era o Humberto que ganhou o apelido de Catar\u00ed por interpretar com voz de\u00a0 tenor a linda can\u00e7\u00e3o, com o refr\u00e3o hom\u00f4nimo.<\/em><\/p>\n<p><em>Alguns pais e mesmo outros Irm\u00e3os vinham assistir as apresenta\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>A m\u00fasica se chama <\/em>Cuore&#8217;ngrato,<em> foi composta em 1911, mas ainda hoje, creio, emociona italianos e descendentes no Brasil e no mundo.<\/em><\/p>\n<p><em>Eu, inclusive &#8211; e principalmente&#8230;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Fotos: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>6 &#8211; \u00daLTIMOS DIAS DE POMPEIA<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>&#8220;Seria \u00f3timo se o Ves\u00favio, sem aviso pr\u00e9vio,<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23589,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1470,1131,1482,1471,1483],"class_list":["post-23588","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-cronicas-de-viagens","tag-italia","tag-pompeia","tag-turismo","tag-ultimos-dias-de-pompeia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23588","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23588"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23588\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23659,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23588\/revisions\/23659"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}