{"id":23789,"date":"2020-08-29T06:15:55","date_gmt":"2020-08-29T06:15:55","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=23789"},"modified":"2020-08-28T17:41:08","modified_gmt":"2020-08-28T17:41:08","slug":"cronicas-de-viagens-alenson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/cronicas-de-viagens-alenson\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas de Viagens &#8211; Alen\u00e7on"},"content":{"rendered":"<p><em>Fotos: france-voyage.com<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>25<\/strong>\u00a0&#8211; <strong>Olhar estrangeiro<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>Fran\u00e7a,<\/em><br \/>\n<em>30 de dezembro.<\/em><br \/>\n<em>Madrugada em <a href=\"https:\/\/www.france-voyage.com\/franca-turismo\/alencon-1616.htm\"><strong>ALEN\u00c7ON<\/strong><\/a>,<\/em><br \/>\n<em>min\u00fascula cidade na<\/em><br \/>\n<em>regi\u00e3o da Normandia.<\/em><\/p>\n<p>Acordo com o calor do quarto aquecido. N\u00e3o imagino como est\u00e1 a temperatura l\u00e1 fora. Mas certamente faz frio de arrebentar esquim\u00f3; sem neve, mas muito frio.<\/p>\n<p>Mesmo assim, aqui dentro, a blusa de l\u00e3 me incomoda \u2013 e abro m\u00e3o dela para voltar para a cama antiga deste antigo quarto de um hotel antigo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-23871 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alen\u00e7on2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"412\" height=\"309\" srcset=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alen\u00e7on2-300x225.jpg 300w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alen\u00e7on2-483x362.jpg 483w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alen\u00e7on2-360x270.jpg 360w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alen\u00e7on2.jpg 600w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/alen\u00e7on2-263x197.jpg 263w\" sizes=\"auto, (max-width: 412px) 100vw, 412px\" \/><\/p>\n<p>Paramos para um pernoite em Alen\u00e7on, outra ville de pouco mais de 20 mil habitantes a 200 quil\u00f4metros de Paris, onde chegaremos muito provavelmente amanh\u00e3 para as festas do fim-de-ano.<\/p>\n<p>Por aqui, aproveitamos o sol ameno do fim da tarde para andar pelo centro hist\u00f3rico, visitar a Fortaleza de Ozo\u00e9, a catedral de Notre-Dame de Alen\u00e7on (onde Santa Tereza de Lisieux foi batizada) e jantar num t\u00edpico bistr\u00f4.<\/p>\n<p>Partimos pela manh\u00e3.<\/p>\n<p>Em Paris, obviamente que, como bons turistas, engrossaremos no vaiv\u00e9m entre a Avenue Champs \u00c9lys\u00e9es e a Tour Eiffel na virada do ano.<\/p>\n<p>D\u00e1 bem pra imaginar a Babel em que se transforma aquele peda\u00e7o de mundo neste per\u00edodo do ano.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se gosto dessa anunciada muvuca multinacional.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>Deixemos para amanh\u00e3 o que \u00e9 do amanh\u00e3&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A bem da verdade, n\u00e3o foi s\u00f3 o calor do quarto que me fez despertar em meio \u00e0 madrugada.<\/p>\n<p>Quase duas da manh\u00e3 e me surpreendo sem sono quando deveria estar dormindo para a dura \u2013 e deliciosa \u2013 jornada que nos espera nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>Estou a ruminar essa e outras inquieta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A mais \u00f3bvia \u00e9 o controle do dinheiro. O euro nas alturas tira o f\u00f4lego e arrebenta a banca deste malajambrado escriba metido a andarilho.<\/p>\n<p>Outro motivo \u2013 d\u00edvida maior para comigo mesmo \u2013 \u00e9 minha aus\u00eancia deste bloco de anota\u00e7\u00f5es por dois longos dias seguidos, 28 e 29.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se no futuro essas impress\u00f5es ter\u00e3o forma de texto, mas quando comecei a imaginar essa \u2018aventura\u2019 me comprometi a fazer um relato dos meus passos. Assim que chegamos em Zurique (dia 26) tratei de anotar tintim por tintim nossa chegada \u2013 e foi s\u00f3. E olhe que j\u00e1 passamos por algumas cidades &#8212; Caen, Rouen, Bayeux, Avranches, Deauville, chegamos a Mont Saint Michel (<em>vide o texto de ontem<\/em>) e j\u00e1 estamos retornando a Paris.<\/p>\n<p>Agora, em meio ao sono que deveria ser profundo, a consci\u00eancia pesou e despertou-me para o relato das destemidas perip\u00e9cias do Cavaleiro Andante em plagas normandas e adjac\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Permitam-me voltar a fita e retomar a partir da nossa chegada em Paris na sexta, 27.<\/p>\n<p>Sa\u00edmos do aeroporto Charles de Gaulle a bordo de um Kangoo e outro Renaut 125, da Rent-Car, e nos perdemos pelas avenidas \u2018peripheriques\u2019 da Cidade Luz. Um gira-gira que nos roubou quase duas horas at\u00e9 encontrarmos a <em>sortie<\/em> para a auto-estrada que nos levou a Caen, ainda distante 100 quil\u00f4metros de Mont Saint Michel, nosso primeiro destino.<\/p>\n<p>Num desses perdidos, avistamos o s\u00edmbolo m\u00e1ximo, a Tour Eiffel.<\/p>\n<p>Acenamos e prometemos voltar para o reveillon.<\/p>\n<p>A caminho da fortaleza de Saint Michel, o anoitecer nos surpreendeu na estrada. N\u00e3o estava previsto. Mas, decidimos dormir em Caen, a cidade portu\u00e1ria onde as primeiras tropas aliadas desembarcaram para livrar a Europa e o mundo do flagelo da Segunda Grande Guerra.<\/p>\n<p>Todos gostaram da solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A tarefa seguinte foi procurar um hotel.<\/p>\n<p>Ziguezagueamos pelas ruas estreitas at\u00e9 encontrar abrigo ao alcance das nossas algibeiras no Hotel Dephon, de apar\u00eancia acolhedora e com algum charme, eu diria.<\/p>\n<p>Mesmo com o frio, ainda houve tempo para caminhar pelas ruas centrais at\u00e9 encontrar um lugar para jantar. A noite gelada n\u00e3o assusta ningu\u00e9m por aqui. Menos ainda a breve chuva que nos surpreende em pleno passeio p\u00fablico. Fam\u00edlias inteiras, devidamente equipadas com coloridos casacos imperme\u00e1veis, perambulam de um lado a outro pelas ruas pr\u00f3ximas ao canal que d\u00e1 para o mar.<\/p>\n<p>Era como se nada houvesse \u2013 e l\u00e1 no c\u00e9u brilhasse um luar resplandecente.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ah! C\u00e1 estou a dizer o \u00f3bvio.<\/p>\n<p>A chuva e a temperatura pelos arredores de zero grau s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es normal\u00edssima \u2013 e com as quais os habitantes aprenderam a conviver tranquilamente. Os jovens se re\u00fanem nos pubs e nos restaurantes (na verdade, estreitas cantinas), indiferentes aos rigores do inverno e aos nossos t\u00edbios olhares de estrangeiros. Fiquei com a sincera impress\u00e3o que, ao contr\u00e1rio dos n\u00f3s, n\u00e3o precisam de muito para ser feliz \u2013 e, assim \u00e0 primeira vista, me parece que s\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 tra\u00e7os de ostenta\u00e7\u00e3o em nenhum deles.<\/p>\n<p>Mas, \u00e9 vis\u00edvel, a mis\u00e9ria-mis\u00e9ria, como conhecemos no Brasil, passa longe daqui.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>S\u00e1bado, 28.<\/p>\n<p>Um passeio breve breve por uma feira livre, um gorro de 2 euros na cabe\u00e7a e, outra vez, l\u00e1 fomos n\u00f3s. Rumo a Saint Michel. No r\u00e1dio do carro, ouvi uma can\u00e7\u00e3o em franc\u00eas. A introdu\u00e7\u00e3o lembra muito aquela<em> Cora\u00e7\u00e3o Vagabundo, <\/em>da primeira leva das composi\u00e7\u00f5es de Caetano Veloso.<\/p>\n<p>\u00c9 a pr\u00f3pria, numa vers\u00e3o igualmente intimista de uma int\u00e9rprete, imagino, francesa<\/p>\n<p>Fico em sil\u00eancio &#8211; e s\u00f3 ent\u00e3o percebo que a tal encanta-me de tal forma como se fosse a trilha de um novo tempo.<\/p>\n<p>Confesso: rolou uma nostalgia do meu caminhar at\u00e9 aquele lugar, onde nunca imaginei p\u00f4r meus calejados p\u00e9s e, de repente, me encontro diante de mim e do meu espanto.<\/p>\n<p>Como a tal can\u00e7\u00e3o, seria eu uma nova vers\u00e3o de mim mesmo?<\/p>\n<p>Uma vers\u00e3o ainda mais distra\u00edda e confusa.<\/p>\n<p>Ou tudo ainda n\u00e3o passa de consequ\u00eancia do fuso hor\u00e1rio?<\/p>\n<p>Bem de qualquer forma, saudei os dias e os sonhos que me trouxeram at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>Est\u00e3o de bom tamanho.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ainda na estrada, enquanto dirigia, conferi\u00a0minha express\u00e3o no espelho do carro. Me achei parecido com meu pai e do ar debochado que fizera, quando, por descuido ou acaso, assistiu na TV a um representante do Green Peace defender a proibi\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a \u00e0 baleia. Contundente em seu depoimento, o mo\u00e7o prop\u00f4s o seguinte questionamento aos espectadores, eventuais ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Se continuarmos com essa pesca e ca\u00e7a predat\u00f3rias, logo logo esses pobres animais ser\u00e3o extintos, desaparecer\u00e3o. \u00c9 este o mundo que voc\u00eas querem deixar aos seus filhos e netos? Como as novas gera\u00e7\u00f5es sobreviver\u00e3o sem conhecer ou ter visto uma baleia? Me digam, como?<\/p>\n<p>Do seu sempre aberto ba\u00fa de espantos, o Velho Aldo devolveu no ato a provoca\u00e7\u00e3o como se a dialogar com o tal ambientalista:<\/p>\n<p>&#8211; Devagar com o andor, amigo. Vamos cuidar dos bichos, ok. Mas, peral\u00e1, tenho 80 anos e nunca vi um bicho desses&#8230; U\u00e9, o que fiz ent\u00e3o at\u00e9 agora? E olhe que n\u00e3o posso me queixar do que vivi. N\u00e3o tenho muito, n\u00e3o. Mas, tudo o que tenho me \u00e9 caro&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 isso ou quase isso.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque mist\u00e9rio sempre h\u00e1 de pintar por a\u00ed&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x9qbMQanZeo\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong><em>* Publicado originalmente em 16 de julho de 2007<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Fotos: france-voyage.com<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>25<\/strong>\u00a0&#8211; <strong>Olhar estrangeiro<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>Fran\u00e7a,<\/em><br \/>\n<em>30 de dezembro.<\/em><br \/>\n<em>Madrugada em <a href=\"https:\/\/www.france-voyage.com\/franca-turismo\/alencon-1616.htm\"><strong>ALEN\u00c7ON<\/strong><\/a>,<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23870,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1534,1470,71,1535,1471],"class_list":["post-23789","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-alencon","tag-cronicas-de-viagens","tag-franca","tag-olhar-estrangeiro","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23789"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23789\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23990,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23789\/revisions\/23990"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}