{"id":23798,"date":"2020-10-01T06:15:40","date_gmt":"2020-10-01T06:15:40","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=23798"},"modified":"2020-10-01T21:20:15","modified_gmt":"2020-10-01T21:20:15","slug":"23798-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/23798-2\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas de Viagens &#8211; Londres"},"content":{"rendered":"<p><em>Fotos: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>58 &#8211; Travessia sob as \u00e1guas\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Escrevo do Euroestar.<\/p>\n<p>Um tanto agoniado, \u00e9 bem verdade.<\/p>\n<p>Deixamos<a href=\"https:\/\/www.visitlondon.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <strong>LONDRES<\/strong><\/a> a caminho de Amsterd\u00e3, depois de quatro dias em territ\u00f3rio ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Para ser franco, s\u00f3 ficamos na cidade \u2013 e olhe l\u00e1.<\/p>\n<p>J\u00e1 estamos no \u00faltimo quarto das f\u00e9rias europeias e todos j\u00e1 demonstram um vis\u00edvel cansa\u00e7o do ir e vir de uma cidade a outra. H\u00e1 ainda algumas etapas a cumprir Amsterd\u00e3, Brugges e Bruxelas, depois voltamos para Zurique, de onde partimos para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Nossa estada em plagas inglesas foi trivial em termos de programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vou aproveitar o sil\u00eancio que reina no vag\u00e3o\u00a0para falar da circunspecta capital de todos os ingleses.<\/p>\n<p>Minha primeira impress\u00e3o: nossos santos n\u00e3o bateram.<\/p>\n<p>Talvez por ser inverno a vi como uma cidade insens\u00edvel, inexpugn\u00e1vel.<\/p>\n<p>N\u00e3o soube entend\u00ea-la \u00e0 primeira vista \u2013 e provavelmente nunca saberei.<\/p>\n<p>N\u00e3o me inspira o mesmo arrebatamento de Paris, a rom\u00e2ntica etapa anterior da viagem.<\/p>\n<p>Como um turista acidental que sou, n\u00e3o escapei ao roteiro da maioria: fui ver a troca da guarda (deu sono), o Big Ben (nome de um elep\u00ea de Benjor de 1965, \u00fanico que falta em minha cole\u00e7\u00e3o), a abadia, o parlamento e caminhar \u00e0s margens do Th\u00e2misa.<\/p>\n<p>Sem ironias, rapaziada&#8230;<\/p>\n<p>Sou o primeiro a reconhecer que \u00e9 melhor estar ali, \u00e0 beira do aclamado Th\u00e2misa, do que trafegar pelas marginais Pinheiros e Tiet\u00ea.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24181 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/aaalondres-196x300.jpg\" alt=\"\" width=\"264\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/aaalondres-196x300.jpg 196w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/aaalondres-768x1173.jpg 768w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/aaalondres-670x1024.jpg 670w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/aaalondres-468x715.jpg 468w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/aaalondres-327x500.jpg 327w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/aaalondres-331x506.jpg 331w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/aaalondres-524x800.jpg 524w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/aaalondres-172x263.jpg 172w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/aaalondres.jpg 838w\" sizes=\"auto, (max-width: 264px) 100vw, 264px\" \/><\/p>\n<p>A cidade \u00e9 outra Babel de etnias, gentes e costumes.<\/p>\n<p>Um caleidosc\u00f3pio, diferente de Paris.<\/p>\n<p>Na capital francesa, h\u00e1 uma acultura\u00e7\u00e3o natural dos forasteiros. Todos imaginam-se um pouco (ou muito)\u00a0<em>parisiense&#8230; A<\/em>t\u00e9 eu que sou mais sonso. \u00c9 percept\u00edvel.<\/p>\n<p>Aqui, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Os imigrantes n\u00e3o se moldam ou integram totalmente \u00e0 paisagem cinzenta do novo cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Diria: n\u00e3o se <em>britanizam<\/em>.<\/p>\n<p>Ressaltam tra\u00e7os do pa\u00eds de origem; nas vestes, no ritmo de falar, no jeito de andar, no olhar de soslaio.<\/p>\n<p>Muitas vezes, pelas ruas de Londres, procurei e foi raro encontrar o tal do ingl\u00eas genu\u00edno nesse <em>universo multifacetado<\/em> de rostos e gentes d\u00edspares.<\/p>\n<p>\u00c9 o que chamam de uma cidade cosmopolita.<\/p>\n<p>Talvez essa preserva\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as, etnias e costumes seja o melhor da cidade &#8211; e eu nada tenha entendido, como fa\u00e7o por h\u00e1bito e natureza.<\/p>\n<p>Um tema para futuras divaga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quem sabe numa pr\u00f3xima visita?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ops.<\/p>\n<p>Neste exato instante, vamos come\u00e7ar a travessia sob as \u00e1guas.<\/p>\n<p>Uia!<\/p>\n<p>Ser\u00e3o 20 minutos dentro do Eurot\u00fanel que rasga o fundo do Canal da Mancha, a tal maravilha da engenharia mundial.<\/p>\n<p>O outro lado da janela \u00e9 s\u00f3 escurid\u00e3o como se estiv\u00e9ssemos num metr\u00f4 subaqu\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u201cNada a fazer sen\u00e3o esquecer o tempo\u201d.<\/p>\n<p>Inteiramente ocupado por passageiros silenciosos, o comboio fica mais silencioso ainda.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Um choro de crian\u00e7a interrompe o formalismo e a pose de todos. Soa como um alerta de que a vida, mesmo sob as profundezas, continua \u2013 e \u00e9 o maior desafio.<\/p>\n<p>Por falar em desafio.<\/p>\n<p>Quero ver transformar em cr\u00f4nicas &#8211; e um prov\u00e1vel livro &#8211; tudo o que vivi nesses dias&#8230;<\/p>\n<p>A crian\u00e7a parou de chorar.<\/p>\n<p>Ufa!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o posso, eu pr\u00f3prio, continuar minha viagem dentro da viagem.<\/p>\n<p>O ato de escrever, por vezes ou quase sempre, nos leva a um Euroestar muito pessoal.<\/p>\n<p>Mergulhamos em nosso pr\u00f3prio oceano de reflex\u00f5es, medos e decis\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 dias que o mergulho se d\u00e1 em \u00e1guas mais escuras, mais profundas.<\/p>\n<p>Outros nem tanto &#8211; e por\u00e9m&#8230;<\/p>\n<p>Escrever \u00e9 como submergir aos confins dos sentimentos, recolher alguma saudade, outro tanto de lembran\u00e7as e quer\u00eancias. Podem ser diversas, et\u00e9reas. Ganham, por\u00e9m, contornos de realidade quando nos levam a outra margem. Ali, onde est\u00e1 o leitor.<\/p>\n<p>Embora viajem comigo, fa\u00e7am parte deste meu momento, assim que voc\u00eas pousarem os olhos essas linhas pertencem a quem as l\u00ea &#8211; a voc\u00ea. e n\u00e3o a mim.<\/p>\n<p>Minhas impress\u00f5es aportam, ent\u00e3o, em terra firme.<\/p>\n<p>Transformam-se na hist\u00f3ria de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Uma provoca\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Reparem nos casais apaixonados.<\/p>\n<p>T\u00eam luz pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Mesmo numa confraterniza\u00e7\u00e3o ou no restaurante. Em meio a uma multid\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa.<\/p>\n<p>Os amantes vivem um mundo peculiar de sorrisos e car\u00edcias.<\/p>\n<p>Divertem-se com qualquer bobagem.<\/p>\n<p>Respondem com um sim ao melhor da vida, enquanto os que n\u00e3o professam o amor\u00a0sentem-se no oco do mundo a trafegar num Euroestar que anda em c\u00edrculos. Sem sa\u00edda para a luz do sol.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bAgkeogi_5E\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em><strong>* Baseado em texto originalmente publicado em 20\/06\/2007<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Fotos: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>58 &#8211; Travessia sob as \u00e1guas\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Escrevo do Euroestar.<\/p>\n<p>Um tanto agoniado,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24180,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1619,1470,1618,1616,1617,1471],"class_list":["post-23798","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-canal-da-mancha","tag-cronicas-de-viagens","tag-euroestar","tag-inglaterra","tag-londres","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23798"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23798\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24309,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23798\/revisions\/24309"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24180"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}