{"id":23823,"date":"2020-09-09T06:20:48","date_gmt":"2020-09-09T06:20:48","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=23823"},"modified":"2020-09-09T13:03:32","modified_gmt":"2020-09-09T13:03:32","slug":"23823-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/23823-2\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas de Viagens &#8211; Nice"},"content":{"rendered":"<p><em>Fotos: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>36 &#8211; Diante da placidez do mar Mediterr\u00e2neo<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ao ouvir o sotaque lusitano, n\u00e3o tenho d\u00favidas.<\/p>\n<p>Dispenso apresenta\u00e7\u00f5es formais \u2013 e lhe pergunto na lata:<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 bom viver em <a href=\"https:\/\/www.nice.fr\/fr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>NICE<\/strong><\/a>?<\/p>\n<p>Estamos no cal\u00e7ad\u00e3o que d\u00e1 um encanto natural \u00e0 <em>Promenade des Anglais<\/em>. H\u00e1 cada cem metros, pouco mais, pouco menos, espalha-se uma carreira de dez, doze cadeiras de ferro, fincadas ao ch\u00e3o, que nos permite sentar e confortavelmente mirar a placidez do mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Estava ali h\u00e1 alguns minutos, acomodado em uma das tais, a remoer as ang\u00fastias e inquieta\u00e7\u00f5es de um viajante parvo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-23959 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/aaanice1-300x213.jpg\" alt=\"\" width=\"338\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/aaanice1-300x213.jpg 300w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/aaanice1-768x545.jpg 768w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/aaanice1-1024x727.jpg 1024w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/aaanice1-1007x715.jpg 1007w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/aaanice1-483x343.jpg 483w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/aaanice1-360x256.jpg 360w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/aaanice1-600x426.jpg 600w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/aaanice1-263x187.jpg 263w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/aaanice1.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/><\/p>\n<p>Acabara de ler sobre a cidade.<\/p>\n<p>(<em>\u2026 que possui uma bela arquitetura e, mesmo com muitas obras, preserva um certo charme; que delicioso caminhar pelo Passeio dos Ingleses (Promenade des Anglais ) que beira a Ba\u00eda dos Anjos e seus 5 km de praias; que tem um carnaval maneiro que dura 18 dias, al\u00e9m de grande variedade de atividades; que \u00e9 chamada de Nissa la Bella e sempre reuniu artistas e turistas de todas as partes da Europa&#8230;<\/em>)<\/p>\n<p>Naquele exato instante, embatucava a ideia que, ali\u00e1s, sempre me embatuca quando estou em uma cidade que, \u00e0 primeira impress\u00e3o, me parece ideal para viver e ser feliz a partir dos sessenta:<\/p>\n<p>&#8211; Como ser\u00e1 que seria se fosse?<\/p>\n<p>Sou um paulistano nato, de h\u00e1bitos e costumes arraigados por viver em uma metr\u00f3pole. Claro que, com o passar dos anos, a coisa toda perde l\u00e1 o seu vi\u00e7o, as suas cores. E a gente, modestamente, come\u00e7a a pensar\u00a0 em <em>fugir<\/em> para algum canto do mundo, onde n\u00e3o precisamos dar conta das expectativas alheias, menos ainda das nossas pr\u00f3prias expectativas de ser e acontecer.<\/p>\n<p>Pois, estava eu a olhar o Mediterr\u00e2neo e a divagar sobre o tudo e sobre o nada, quando um senhor se acomoda a duas ou tr\u00eas cadeiras da minha, cantarolando uma can\u00e7\u00e3o do Roberto.<\/p>\n<p><em>\u201cVoc\u00ea meu amigo de f\u00e9, meu irm\u00e3o, camarada\u2026\u201d<\/em><br \/>\n&#8230;<\/p>\n<p>Chamou a minha aten\u00e7\u00e3o de primeira, at\u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum ouvir nossa l\u00edngua p\u00e1tria nesse cant\u00e3o do litoral da C\u00f4t\u00ea d&#8217;Azur.<\/p>\n<p>E mesmo sem ser o amigo de f\u00e9, nem o irm\u00e3o, menos ainda o camarada, tomei coragem para desembuchar a instigante quest\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 bom viver em Nice?<\/p>\n<p>O homem, de uns 40 e tantos anos, olha-me com curiosidade, primeiro; e depois se mostra af\u00e1vel:<\/p>\n<p>\u2014 Brasileiro?<\/p>\n<p>Fa\u00e7o que sim com a cabe\u00e7a, e esbo\u00e7o um sorriso de quem est\u00e1 \u00e1vido pela resposta.<\/p>\n<p>E o <em>portuga<\/em> continua na maior simpatia:<\/p>\n<p>\u2014 Futebol, copa do mundo. Carnaval\u2026 Del\u00edcia, del\u00edcia, assim voc\u00ea me mata\u2026 Adoro Tom Jobim.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Achei de bom tom n\u00e3o lhe explicar a diferen\u00e7a que existe entre o Tell\u00f3 e o Jobim,\u00a0diante de tamanha manifesta\u00e7\u00e3o de, digamos, brasilidade em frente ao Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>(Mediterr\u00e2neo que, diga-se, continua, por ali, pl\u00e1cido e misterioso assim como minha vontade sempre adiada de me <em>esconder<\/em> em algum canto do mundo.)<\/p>\n<p>Desisto de uma nova pergunta, pois desacredito do que ou\u00e7o em seguida.<\/p>\n<p>\u2014 Estou pensando em mudar-me para o Brasil. O que achas?<\/p>\n<p>A\u00ed, foi a minha vez de, sorrateiramente, assobiar uma velha can\u00e7\u00e3o do Roberto e sair \u00e0 francesa.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em><strong>* Publicado originalmente em\u00a015\/03\/2013<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HDZsO7105Ds\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>Um adendo<\/strong><\/p>\n<p>Achei Nice uma cidade &#8211; e tanto. Bel\u00edssima!<\/p>\n<p>Bonita, bem ajeitada, com um cal\u00e7ad\u00e3o \u00e0 beira-mar que \u00e9 um primor.<\/p>\n<p>Dizem at\u00e9 que o melhor do carnaval franc\u00eas &#8211; seja l\u00e1 como for e o que for &#8211; \u00e9 ali que acontece.<\/p>\n<p>Adoraria ficar mais tempo por l\u00e1. S\u00f3 para olhar, na quietude das horas vadias, o Mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Ou mesmo as pessoas caminhando na praia pedregosa.<\/p>\n<p>Por isso e tudo mais que o fato envolve, fiquei estarrecido quando soube do atentado de julho de 2016 na principal avenida, a dita e citada Promenade des Anglais, que matou 86 pessoas e feriu 456.<\/p>\n<p>Um absurdo que ainda hoje me entristece lembrar.<\/p>\n<p>Um amigo que mora na B\u00e9lgica &#8211; e por l\u00e1 passou dois anos depois &#8211;\u00a0 me disse que a trag\u00e9dia deixou marcas indel\u00e9veis na cidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma desconfian\u00e7a generalizada em tudo e em todos.<\/p>\n<p>Retruquei:<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, aquela tranquilidade, aquela paz n\u00e3o existem mais?<\/p>\n<p>A resposta, inevit\u00e1vel:<\/p>\n<p>&#8211; Aquela paz n\u00e3o existe em Nice ou em qualquer outro lugar do planeta.<\/p>\n<p>Triste.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Fotos: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>36 &#8211; Diante da placidez do mar Mediterr\u00e2neo<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ao ouvir o sotaque lusitano, n\u00e3o tenho d\u00favidas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23978,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1560,1555,1470,1559,1554,1471],"class_list":["post-23823","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-atentado","tag-cote-dazur","tag-cronicas-de-viagens","tag-france","tag-nice","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23823","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23823"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23823\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24202,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23823\/revisions\/24202"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23978"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}