{"id":24000,"date":"2020-09-17T06:15:47","date_gmt":"2020-09-17T06:15:47","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=24000"},"modified":"2020-09-17T12:50:20","modified_gmt":"2020-09-17T12:50:20","slug":"cronicas-de-viagens-salamanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/cronicas-de-viagens-salamanca\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas de Viagens &#8211; Salamanca"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Hotel S\u00e3o Polo\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>44 &#8211; O magnata triste<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Quando l\u00e1 aportei numa tarde qualquer de janeiro, a fama do homem j\u00e1 corria solta e logo chegou aos meus ouvidos. Tratava-se de um magnata espanhol, provavelmente um empres\u00e1rio exc\u00eantrico. De idade incerta e ar circunspecto. Todo m\u00eas ele aparecia pelo charmoso Hotel de San Polo, na cidade de <a href=\"https:\/\/www.salamanca.es\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>SALAMANCA<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Ficava um, dois dias \u2013 e, t\u00e3o silencioso quanto chegava, partia sem maiores explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Havia um tom de mist\u00e9rio que intrigava a todos.<\/p>\n<p>Diziam que o h\u00f3spede vinha \u2018pagar\u2019 uma promessa, pois passava horas a caminhar pelo que restou da igreja rom\u00e2nica de San Polo.<\/p>\n<p>Preciso explicar aos car\u00edssimos leitores.<\/p>\n<p>Este hotel foi constru\u00eddo no espa\u00e7o onde existiu o templo que desmoronou l\u00e1 nos antigamente. Num oportuno projeto arquitet\u00f4nico, parte dessas ru\u00ednas foi preservada e est\u00e1 acoplada ao estabelecimento em forma grande \u00e1rea livre que, em dias ensolarados, serve de terra\u00e7o para os h\u00f3spedes.<\/p>\n<p>Acrescente-se que o piano-bar e a cafeteria do hotel t\u00eam oportunas sa\u00eddas para o local. Ou seja, repito, o que restou da c\u00e9lebre igreja de San Polo.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, foi por uma dessas portas que vi o tal entrar a escapar dos rigores do inverno espanhol na manh\u00e3 seguinte.<\/p>\n<p>Intu\u00ed que fosse ele.<\/p>\n<p>Intu\u00ed tamb\u00e9m que talvez eu estivesse a ponto de desvendar o dito mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o era uma quest\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p>N\u00e3o eram quest\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Menos ainda eventuais lembran\u00e7as de quem ali viveu nos tempos de estudante (afinal, a cidade tem uma das mais tradicionais universidades europ\u00e9ias).<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24060 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca1-2-300x179.jpg\" alt=\"\" width=\"413\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca1-2-300x179.jpg 300w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca1-2-768x459.jpg 768w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca1-2-1024x612.jpg 1024w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca1-2-1080x645.jpg 1080w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca1-2-483x289.jpg 483w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca1-2-360x215.jpg 360w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca1-2-600x359.jpg 600w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca1-2-263x157.jpg 263w\" sizes=\"auto, (max-width: 413px) 100vw, 413px\" \/><\/p>\n<p><em>(*fotos: arquivo pessoal)<\/em><\/p>\n<p>Lembrei dos ensinamentos do amigo Nasci na velha reda\u00e7\u00e3o de assoalho de t\u00e1buas largas.<\/p>\n<p>Quando algo n\u00e3o se encaixava como seria o natural, o nosso Mestre dava o diagn\u00f3stico:<\/p>\n<p>&#8212; Esse ch\u00e3o pode afundar agora, se eu estiver errado. Tem mulher na parada.<\/p>\n<p>Sent\u00edamos o ch\u00e3o tremer muitas vezes &#8211; especialmente quando passavam caminh\u00f5es e \u00f4nibus na rua Bom Pastor &#8211; mas, ceder nunca cedeu. Continuou firme e forte enquanto estivemos por l\u00e1.<\/p>\n<p>O Mestre n\u00e3o errava.<\/p>\n<p>Particularmente, tamb\u00e9m apostei nessa linha de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um romance clandestino. Me preparei para ver surgir uma bailarina flamenca. Ou mesmo a insinuante mulher de algum toureiro. Sei l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>No entanto, tudo clareou rapidinho. Bastou observar o modo \u201cpid\u00e3o\u201d com que o senhor olhou para a mo\u00e7a da cafeteria ao solicitar \u201cum expresso na mesa\u201d. Sentou-se num lugar estrat\u00e9gico \u2013 ainda a olh\u00e1-la \u2013 e esperou, digamos, esperan\u00e7oso, que ela fosse servi-lo.<\/p>\n<p>N\u00e3o lhe tirei a raz\u00e3o na hora \u2013 e agora.<\/p>\n<p>Era uma mulher bonita, de tra\u00e7os finos, que lembrava a atriz Pen\u00e9lope Cruz quando mais jovem. Tinha um jeito simp\u00e1tico e o uniforme marinho lhe ca\u00eda bem.<\/p>\n<p>Era obviamente uma mo\u00e7a elegante. S\u00f3 o n\u00e3o abotoar o primeiro bot\u00e3o da blusa j\u00e1 lhe dava um toque todo especial e quebrava toda a rigidez da roupa de trabalho.<\/p>\n<p>Fazia jus a aten\u00e7\u00e3o que, indiferente, recebia.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Para ser franco, estou certo que ela n\u00e3o se dava conta da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Continuava por ali a organizar copos e talheres, a cuidar do balc\u00e3o, a tirar o caf\u00e9 do homem que, de resto, mostrava-se embevecido, apaixonado.<\/p>\n<p>T\u00e3o embevecido que se assustou ao ouvir o som da sineta que ela pr\u00f3pria fez soar.<\/p>\n<p>Logo apareceu um latino gorducho \u2013 para mim, era boliviano \u2013 envergando um smoking de gar\u00e7om, cabelo negro penteado todo para tr\u00e1s, endurecido \u00e0 base de gel.<\/p>\n<p>Reparei que ele tamb\u00e9m era s\u00f3 sorriso para a mo\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o disse palavra.<\/p>\n<p>Pegou a bandeja e foi servir o magnata. Que n\u00e3o gostou nada-nada da troca.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, me pareceu gostar menos ainda do trelel\u00ea que os dois \u2013 o boliviano e a mo\u00e7a \u2013 engataram. Estava impl\u00edcito na conversa um alegre jogo de sedu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que desconforto!<\/p>\n<p>Vi o homem tomar seu expresso rapidamente e, me pareceu, algo contrariado, sinceramente entristecido.<\/p>\n<p>Notei at\u00e9 um olhar de desconsolo naquele pr\u00f3spero empres\u00e1rio. Coisa passageira \u00e9 verdade. Mas, tenho certeza: ele daria todos os euros do mundo para estar, mesmo que por instantes, na pele do boliviano gorducho, prestes a cair nas gra\u00e7as da morena que lhe era inacess\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24062 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca2-2-300x210.jpg\" alt=\"\" width=\"366\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca2-2-300x210.jpg 300w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca2-2-768x537.jpg 768w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca2-2-1024x715.jpg 1024w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca2-2-1023x715.jpg 1023w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca2-2-483x337.jpg 483w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca2-2-360x252.jpg 360w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca2-2-600x419.jpg 600w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/salamanca2-2-263x184.jpg 263w\" sizes=\"auto, (max-width: 366px) 100vw, 366px\" \/><\/p>\n<p>Quanto \u00e0 Salamanca propriamente dita, direi apenas que \u00e9 uma bel\u00edssima cidade. Com uma longa hist\u00f3ria de domina\u00e7\u00e3o por diversos ex\u00e9rcitos e povos que ali passaram e l\u00e1 deixaram um belo legado, avenidas arborizadas, pra\u00e7as e jardins, uma magn\u00edfica Universidade e uma Pra\u00e7a Maior que lembra muito \u00e0 de Madri.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>Vale \u00e0 pena conhec\u00ea-la. Por dois, tr\u00eas dias &#8211; est\u00e1 de bom tamanho.<\/p>\n<p>Mas, cuide-se para n\u00e3o se apaixonar&#8230; H\u00e1 um Ricard\u00e3o boliviano \u00e0 solta na cidade.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Fe5ckU2dH_k\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em><strong>* Publicado originalmente em 28\/02\/2008<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Hotel S\u00e3o Polo\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>44 &#8211; O magnata triste<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Quando l\u00e1 aportei numa tarde qualquer de janeiro,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24225,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1470,1565,1580,1581,1579,1471],"class_list":["post-24000","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-cronicas-de-viagens","tag-espanha","tag-hotel-san-paolo","tag-o-magnata-triste","tag-salamanca","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24000","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24000"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24000\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24229,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24000\/revisions\/24229"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24225"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24000"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24000"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24000"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}