{"id":24146,"date":"2020-09-28T06:14:36","date_gmt":"2020-09-28T06:14:36","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=24146"},"modified":"2020-09-28T14:01:43","modified_gmt":"2020-09-28T14:01:43","slug":"24146-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/24146-2\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas de Viagens &#8211; Tomar"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>55 &#8211; Incidente na cidade dos Templ\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Decididamente, n\u00e3o esper\u00e1vamos viver em <a href=\"http:\/\/www.cm-tomar.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>TOMAR<\/strong><\/a> o mais divertido dos incidentes provocados pelas idiossincrasias que existem entre o idioma portugu\u00eas que praticamos e aquele que falam nossos patr\u00edcios de Al\u00e9m-Mar.<\/p>\n<p>Ora pois pois&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Thomar \u00e9 uma pequena cidade da regi\u00e3o central de Portugal.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, n\u00e3o tem l\u00e1 grandes atra\u00e7\u00f5es, al\u00e9m do Castelo dos Templ\u00e1rios e de um hist\u00f3rico aqueduto. Como manda a boa tradi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 tamb\u00e9m um rio que corta a aldeia e d\u00e1 um charme especial ao lugar. Foram, no entanto, as suntuosas acomoda\u00e7\u00f5es de um hotel cinco estrelas que nos convenceram a ali permanecer por mais alguns dias. Acomoda\u00e7\u00f5es &#8211; diga-se &#8211; com di\u00e1rias a pre\u00e7os consideravelmente abaixo do que enfrent\u00e1vamos naquela temporada.<\/p>\n<p>L\u00e1 se v\u00e3o quase 20 anos desse passeio. Mas, n\u00e3o esqueci<\/p>\n<p>Andamos por Lisboa, \u00c9vora, F\u00e1tima, Coimbra, Porto, Braga, e arredores. Mas, eu particularmente gostei demais da cidade dos Templ\u00e1rios &#8211; e n\u00e3o me perguntem o porqu\u00ea, pois n\u00e3o saberei responder.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Bem, mas o motivo deste post n\u00e3o \u00e9 exatamente o que eu acho ou deixo de achar desta ou daquela cidade. \u00c9, sim, uma bela atrapalhada que nos proporcionou o idioma p\u00e1trio.<\/p>\n<p>Vou contar.<\/p>\n<p>Assim que chegamos em Thomar, procuramos um restaurante.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos famintos.<\/p>\n<p>Os gar\u00e7ons em mangas de camisa preparavam-se para encerrar o expediente da tarde. Que, diga-se, \u00e9 h\u00e1bito l\u00e1 deles fechar a casa logo ap\u00f3s o almo\u00e7o e s\u00f3 reabrir l\u00e1 pelas 19 horas ou 19h30.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o a refer\u00eancia para que imaginem a express\u00e3o dos gajos quando viram aboletar-se restaurante adentro um grupo de barulhentos brasileiros.<\/p>\n<p>Mesmo assim, educadamente, dois deles (re)colocaram os jalecos e vieram em nossa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Claro que demoramos na escolha dos pratos.<\/p>\n<p>Olha o card\u00e1pio daqui, olha dali.<\/p>\n<p>Confere o prato na coluna da esquerda \u2013 bom, muito bom.<\/p>\n<p>Analisa a coluna da direita, a dos pre\u00e7os \u2013 ah!, n\u00e3o, salgado demais.<\/p>\n<p>Vira e mexe. P\u00f5e e tira. Chega-se a conclus\u00e3o natural dessas horas incertas.<\/p>\n<p>Escolher\u00edamos um prato para dividir entre duas pessoas.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que veio a pergunta inevit\u00e1vel:<\/p>\n<p>&#8212; \u00d4 amigo, o prato \u00e9 bem servido?<\/p>\n<p>Vimos a bochecha do gar\u00e7om avermelhar, a testa franzir. Mas, s\u00f3 percebemos a bobagem que lhe dissemos quando ouvimos a resposta que veio em tom atravessado:<\/p>\n<p>&#8212; Senhores, estou nesta casa h\u00e1 mais de 30 anos e n\u00e3o vou tolerar suspeitas ao meu trabalho. Quem sabe do servir aqui sou eu. Posso lhes garantir \u2013 e invoco o testemunho dos meus pares \u2013 que nunca houve qualquer reclama\u00e7\u00e3o \u00e0s minhas corretas maneiras de fazer a casa.<\/p>\n<p>Foi um sufoco para que ele nos desculpasse (&#8220;por nada!&#8221;) e entendesse: s\u00f3 quer\u00edamos saber se o prato dava para duas pessoas.<\/p>\n<p>&#8212; Mas, o que os senhores est\u00e3o a dizer? Como assim? O prato n\u00e3o oferece, nem d\u00e1 nada a ningu\u00e9m. \u00c9 apenas um prato, uma lou\u00e7a, um objeto&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 que quer\u00edamos dividir, repartir a comida&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Ora, cada um se alimenta do jeito que lhe convier. N\u00e3o vamos impor aos nossos fregueses que comam de uma vez s\u00f3 ou em partes&#8230; N\u00e3o estou a entender.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m pensou em arriscar a comunica\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas \u2013 o idioma universal.<\/p>\n<p>Outro se disp\u00f4s a fazer m\u00edmica.<\/p>\n<p>Desconfiei que o cara estava de goza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, deu para perceber que ele pr\u00f3prio n\u00e3o se via confort\u00e1vel na situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00f3 n\u00e3o esper\u00e1vamos que a confus\u00e3o aumentasse \u2013 e para pior.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Uma senhora dotada de \u201csuculentas carnes\u201d saiu da cozinha e veio em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s mesas. Carregava uma bandeja recheada de doces de ovos \u2013 ou \u201cd\u00f3vos\u201d, como dizem por l\u00e1. Lindos, avantajados, tentadores, os doces.<\/p>\n<p>Ao passar, um dos nossos levantou-se e arregalou os olhos naquela fartura toda Provavelmente atarantado pela fome, n\u00e3o mediu as palavras ao indagar sobre o destino daquelas preciosidades.<\/p>\n<p>&#8212; Para onde v\u00e3o essas coisas gostosas?<\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n<p>Claro que reinou um sil\u00eancio absoluto na casa.<\/p>\n<p>Claro que deu confus\u00e3o &#8212; e da grossa.<\/p>\n<p>A senhora era c\u00f4njuge do nosso obtuso gar\u00e7om. Que mais uma vez fez a leitura que quis do epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>&#8212; Olha que eu te parto as fu\u00e7as, seu abusado.<\/p>\n<p>Por sorte, tamb\u00e9m em Portugal existe a turma do &#8220;deixa pra l\u00e1&#8221;. Foram os tais que seguraram a fera ferida. Por mais que invocamos inoc\u00eancia e que o brasileiro se referia aos doces, o portuga urrava:<\/p>\n<p>&#8212; Chamar de gostosa, v\u00e1 l\u00e1. At\u00e9 fa\u00e7o gosto, pois gostosa o \u00e9 de fato e, ali\u00e1s, me farto bem dessas gostosuras. Mas, n\u00e3o vou permitir. Ah!, nunca permitirei que coisifiquem nada do que \u00e9 meu. Defini-la como coisa? Isto n\u00e3o admito&#8230;<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, ainda hoje n\u00e3o sabemos se o lusitano despirocou de ci\u00fames da senhora ou do que estava sobre a bandeja. De qualquer forma, naquele dia, preferimos trocar o almo\u00e7o por um caf\u00e9 em uma leiteria \u2013 mas isto \u00e9 uma outra hist\u00f3ria que fica para uma pr\u00f3xima vez.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/l9gluh_m1S8\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em><strong>* Baseado em texto originalmente publicado em 20\/09\/2007<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>55 &#8211; Incidente na cidade dos Templ\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Decididamente, n\u00e3o esper\u00e1vamos viver em <a href=\"http:\/\/www.cm-tomar.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>TOMAR<\/strong><\/a> o mais divertido dos incidentes provocados pelas idiossincrasias que existem entre o idioma portugu\u00eas que praticamos e aquele que falam nossos patr\u00edcios de Al\u00e9m-Mar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24176,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1470,1609,1607,1610,1608,1471],"class_list":["post-24146","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-cronicas-de-viagens","tag-incidente-na-cidade-dos-templarios","tag-portugal","tag-templarios","tag-tomar","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24146"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24146\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24300,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24146\/revisions\/24300"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24176"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}