{"id":24193,"date":"2020-10-03T06:15:44","date_gmt":"2020-10-03T06:15:44","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=24193"},"modified":"2020-10-03T13:37:24","modified_gmt":"2020-10-03T13:37:24","slug":"cronicas-de-viagens-bruxelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/cronicas-de-viagens-bruxelas\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas de Viagens &#8211; Bruxelas"},"content":{"rendered":"<p><em>Fotos: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>60 &#8211; Perdidos no meio do nada<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>Roteiro para um filme em preto e branco \u00e0 moda antiga. <\/em><\/p>\n<p><em>Aqueles dos tempos do cinema mudo.<\/em><\/p>\n<p><strong>Cena 1<\/strong><\/p>\n<p>Imaginem meia d\u00fazia de brazucas perdidos no meio do nada pelas freguesias de <a href=\"https:\/\/www.brussels.be\/tourism\"><strong>BRUXELAS<\/strong><\/a>, carregando malas e pacotes, \u00e0 espera de um trem que os levaria para o aeroporto internacional da capital da B\u00e9lgica.<\/p>\n<p><strong>Cena 2<\/strong><\/p>\n<p>Percebam.<\/p>\n<p>Est\u00e3o cansados, at\u00f4nitos e algo desesperados sob um abrigo mequetrefe do que poderia ser uma esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, mas n\u00e3o \u00e9. Trata-se apenas de uma parada que d\u00e1 acesso a uma pequena cidade cujo o nome eles ignoram.<\/p>\n<p><strong>Cena 3<\/strong><\/p>\n<p>Desconfiem.<\/p>\n<p>Est\u00e3o atrasados para o voo que os levar\u00e1 de volta \u00e0 terra natal &#8211; embora, e com certeza, pelo menos um deles gostaria de se deixar por ali por mais uns dias.<\/p>\n<p>Corte para as perguntas que inquietam nossos eventuais espectadores.<\/p>\n<p>O que fazem ali?<\/p>\n<p>E principalmente:<\/p>\n<p>Como chegaram at\u00e9 ali?<\/p>\n<p>Grave:<\/p>\n<p>Como se sair\u00e3o dessa &#8211; se \u00e9 que conseguem?<\/p>\n<p>Os trens n\u00e3o param. Passam batido e voando-baixo. Apesar dos acenos tresloucados e lamenta\u00e7\u00f5es (que n\u00e3o podemos ouvir, pois estamos numa pantomima).<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24198 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/bruxelas1-2-196x300.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"383\" srcset=\"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/bruxelas1-2-196x300.jpg 196w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/bruxelas1-2-667x1024.jpg 667w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/bruxelas1-2-466x715.jpg 466w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/bruxelas1-2-326x500.jpg 326w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/bruxelas1-2-330x506.jpg 330w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/bruxelas1-2-521x800.jpg 521w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/bruxelas1-2-171x263.jpg 171w, https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/bruxelas1-2.jpg 700w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/p>\n<p>Agora, um flashback:<\/p>\n<p><em>Dois dias antes, l\u00e1 est\u00e3o nossos n\u00e1ufragos urbanos a desembarcar de outro trem na esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4 de Bruxelas.<\/em><\/p>\n<p><em>Est\u00e3o felizes, os inocentes.<\/em><\/p>\n<p><em>V\u00e3o passar o tempo visitando os marcos da cidade &#8211; a Grand Place de Bruxelas, o Manekken Pis ( a est\u00e1tua do garoto urinando que adorna uma pequena fonte), o Pal\u00e1cio Real, algumas lojas que vendem chocolates a granel e ainda uma escapada para a bela cidade de Brugges.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 inverno, fim de janeiro. Cai uma chuva mi\u00fada.<\/em><\/p>\n<p><em>Mesmo assim chegam ao hotel com a ajuda de uma conterr\u00e2nea, ali residente, que os viu perdidos e atrapalhados \u00e0 frente da esta\u00e7\u00e3o. Um anjo que do nada surgiu e os orientou.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Pois ent\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Observemos agora &#8211; e discretamente &#8211; os nossos personagens, com ares de fim de feira, fechando as malas e caminhando rumo ao metr\u00f4 que os levar\u00e1 at\u00e9 o trem que, por fim, os deixar\u00e1 no aeroporto de Zaventem a menos de 15 quil\u00f4metros do centro.<\/em><\/p>\n<p><em>Est\u00e3o tranquilos.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas h\u00e1 um senhor ali que n\u00e3o tira os olhos do rel\u00f3gio.<\/em><\/p>\n<p><em>Est\u00e1 cronometrando\u00a0o tempo, creio.<\/em><\/p>\n<p><em>Sem problemas. O recepcionista do hotel, sol\u00edcito que s\u00f3, lhes garantiu: n\u00e3o tem como errar.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 pegar o metr\u00f4 e, depois, o trem para Zaventem &#8211; e descer onde todos descem.<\/em><\/p>\n<p><em>Outro anjo a lhes indicar o bom caminho.<\/em><\/p>\n<p><em>Algum problema?<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Nenhum, se n\u00e3o fosse a indecis\u00e3o do grupo.<\/em><\/p>\n<p><em>A cada parada do trem, um deles faz men\u00e7\u00e3o de descer acompanhando o fluxo dos passageiros.<\/em><\/p>\n<p><em>Algu\u00e9m alerta:<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;N\u00e3o \u00e9 aqui.&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em>Ao que o outro responde:<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Vai saber? Estamos num trem ultrarr\u00e1pido.&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Ops..<\/em><\/p>\n<p><em>Surge uma nova personagem na trama.<\/em><\/p>\n<p><em>Eis que adentra o vag\u00e3o uma senhora (senhorinha mesmo) com trajes de aeromo\u00e7a, um tanto antiguinhas as roupas, mas, v\u00e1 l\u00e1, s\u00e3o de aeromo\u00e7as. Ou parecem ser.<\/em><\/p>\n<p><em>Nossos conterr\u00e2neos se olham e entreolham.<\/em><\/p>\n<p><em>Acho que silenciosamente chegam a algum consenso.<\/em><\/p>\n<p><em>Outro anjo?<\/em><\/p>\n<p><em>Um dos jovens tenta entabular uma conversa com a senhora.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas, ela parece n\u00e3o entender &#8211; e se mostra algo importunada.<\/em><\/p>\n<p><em>Desistem.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas ficam \u00e0 espreita.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Duas paradas depois, a senhorinha levanta-se e desembarca.<\/em><\/p>\n<p><em>Ato cont\u00ednuo, nossa trupe faz o mesmo.<\/em><\/p>\n<p><em>Ela permanece indiferente.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 na plataforma, segue para fora da esta\u00e7\u00e3o a passos firmes.<\/em><\/p>\n<p><em>E os brazucas, de mala e cuia, em seu encal\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas, cad\u00ea as pessoas, os guich\u00eas, os avi\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p><em>Cad\u00ea o aeroporto, gente?<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Simples.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 ali.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o est\u00e3o numa\u00a0<\/em><em>esta\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Aquele \u00e9 s\u00f3 um ponto de desembarque que d\u00e1 acesso a alguma cidadezinha nas proximidades, mas longe dali.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9, por assim dizer, um grande nada.<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 apenas uma parada de \u00f4nibus do lado oposto de onde desceram.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando os viajantes se d\u00e3o conta do erro &#8211; \u00e9 tarde. <\/em><\/p>\n<p><em>A senhorinha vai distante e, indiferente ao drama que vivem, perfila-se \u00e0 espera do tal \u00f4nibus (que n\u00e3o est\u00e1 no ponto, diga-se).<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Desolada &#8211; e sem outra op\u00e7\u00e3o a turminha volta para o tal abrigo.<\/em><\/p>\n<p><em>E, na base do Deus nos ajude, fica \u00e0 espera de outro comboio.<\/em><\/p>\n<p>Fim do flash back.<\/p>\n<p><strong>Cena 4<\/strong><\/p>\n<p>45 minutos depois. Frio, vento, meia d\u00fazia de trens r\u00e1pidos que passaram zunindo\u00a0 &#8211; enfim o Sr. Destino resolve agir. Faz com que um bem-aventurado b\u00f3lido de prata fa\u00e7a ali uma parada para que des\u00e7a um senhor, de grosso sobretudo e chap\u00e9u de feltro.<\/p>\n<p>Num impulso, os brasileiros sobem sem saber o que lhes espera.<\/p>\n<p>Deus \u00e9 dos nossos, dizem &#8211; e assim parece ser.<\/p>\n<p>Menos de 10 minutos depois, \u00faltima parada:<\/p>\n<p><em>Aeroporto de Zaventem. <\/em><\/p>\n<p><em>Voos internacionais, plataforma B.<\/em><\/p>\n<p>Ufa!<\/p>\n<p>N\u00e3o acreditam que chegaram a tempo.<\/p>\n<p>Logo est\u00e3o dentro do avi\u00e3o da<em> Swiss Line<\/em>\u00a0que os trar\u00e1 de volta \u00e0 P\u00e1tria Amada, salve, salve!<\/p>\n<p>Malas despachadas, trocam risos nervosos de quem aprendeu que definitivamente nem tudo o que parece \u00e9.<\/p>\n<p>Viajar \u00e9 o que h\u00e1 de bom. Mas, voltar pra casa, acreditem, \u00e9 bem melhor.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/u6IBRkM7AHg\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Fotos: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>60 &#8211; Perdidos no meio do nada<\/strong><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><em>Roteiro para um filme em preto e branco \u00e0 moda antiga.<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24197,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1625,68,1624,1470,1626,874,1471],"class_list":["post-24193","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-aeromoca","tag-belgica","tag-bruxelas","tag-cronicas-de-viagens","tag-perdidos-no-meio-do-nada","tag-trem","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24193"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24317,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24193\/revisions\/24317"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24197"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}