{"id":25570,"date":"2021-08-13T05:53:02","date_gmt":"2021-08-13T05:53:02","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=25570"},"modified":"2021-08-14T00:12:20","modified_gmt":"2021-08-14T00:12:20","slug":"tarcisio-e-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/tarcisio-e-paulo\/","title":{"rendered":"Tarc\u00edsio e Paulo"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto:\u00a0Instagram\/@paulojose_fc<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Paulo e Tarc\u00edsio se foram&#8230;<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 e dadas as malfadas circunst\u00e2ncias que o Planeta e, mais duramente, este naco de terra chamado Brasil atravessam, nem podemos alegar surpresa com a not\u00edcia.<\/p>\n<p>Tristes tempos esses que ora vivemos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 tr\u00e9gua, parece.<\/p>\n<p>Por mais que tentemos nos soerguer das bordoadas di\u00e1rias, logo vem outra e mais outra e mais outra triste e desalentadora nota.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Paulo Jos\u00e9 e Tarc\u00edsio Meira eram atores admir\u00e1veis.<\/p>\n<p>Atores que foram, s\u00e3o e ser\u00e3o s\u00edmbolos de uma \u00e9poca. No teatro, no cinema, na TV.<\/p>\n<p>Na vida deles e na vida de cada um de n\u00f3s, os tais e os quais que aben\u00e7oadamente pudemos v\u00ea-los em a\u00e7\u00e3o. E, de alguma forma, compartilhamos emo\u00e7\u00f5es, sentimentos e encantamentos.<\/p>\n<p>A vida sem o dom da arte seria um equ\u00edvoco. (Seja para quem faz, seja para quem pode desfrut\u00e1-la.)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ele tiveram trajet\u00f3rias distintas &#8211; mas, igualmente luminosas.<\/p>\n<p>Imposs\u00edvel lembrar Tarc\u00edsio Meira &#8211; e n\u00e3o citar o personagem Jo\u00e3o Coragem, protagonista da novela Irm\u00e3os Coragens (1970\/1971), de Janete Clair.<\/p>\n<p>Desconfio que foi o seu papel de maior repercuss\u00e3o popular.<\/p>\n<p>No caso de Paulo Jos\u00e9, por mais sucesso que tenha feito na TV &#8211; especialmente interpretando o simp\u00e1tico Shazan que fazia dupla com Xerife (o incr\u00edvel Paulo Migliaccio), no seriado infanto-juvenil Shazan, Xerife &amp; Cia (1972\/1974) -, eu gostava mesmo \u00e9 de v\u00ea-lo na tela do cinema:\u00a0 Todas as Mulheres do Mundo (1967\/dire\u00e7\u00e3o de Domingos de Oliveira), O Homem Nu (1968\/Roberto Santos),\u00a0 Macuna\u00edma (1969\/Joaquim Pedro de Andrade), entre outros.<\/p>\n<p>Foi o grande ator da nossa cinematografia que ainda fr\u00e1gil e desacreditada \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Ainda no curso de jornalismo, ouvi de um colega de turma que havia descolado um est\u00e1gio na <em>Folha de S.Paulo<\/em>\u00a0a seguinte li\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;O cronista precisa estar preparado para escrever sobre tudo.&#8221;<\/p>\n<p>E explicou:<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um especialista em generalidades. Fala do cotidiano, do olhar mais alongado para os detalhes que nem sempre (ou quase sempre) o rep\u00f3rter, ref\u00e9m da objetividade e da pauta, consegue captar. \u00c9 o canto do jornal onde a subjetividade e a emo\u00e7\u00e3o sobrevivem.&#8221;<\/p>\n<p>O Marc\u00e3o &#8211; o tal amigo e estagi\u00e1rio &#8211; me jurou que ouviu tal ensinamento do not\u00e1vel\u00a0 Louren\u00e7o Diaf\u00e9ria, um dos melhores textos do jornalismo brasileiro, ent\u00e3o titular da coluna mais lida da <em>Folha<\/em>.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 de ver o cara escrevendo a gente aprende&#8221;, entusiasmava-se o amigo.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Confesso.<\/p>\n<p>Estava relutante para redigir esse post\/cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Nesse exato momento, o conceito de &#8220;estar preparado&#8221;\u00a0 me soa vago, et\u00e9reo, intang\u00edvel.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou &#8211; e, desconfio, nunca estarei.<\/p>\n<p>Recolho um punhado de informa\u00e7\u00f5es sobre os dois. Procuro lembrar outras que tenha ouvido nas reda\u00e7\u00f5es por onde andei. Os filmes que vi de ambos, as novelas que acompanhei, as pe\u00e7as de teatro que presenciei&#8230;<\/p>\n<p>Enfim,\u00a0 pretendo minimamente me aproximar ao proposto pelo saudoso mestre Diaf\u00e9ria.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, creio, \u00e9 importante (priorit\u00e1rio) reverenciar a mem\u00f3ria de ambos.<\/p>\n<p>Deixam um belo legado.<\/p>\n<p>De alguma forma, fizeram com que a gente atravessasse a noite escura da ditadura sem perder a capacidade de acreditar e sonhar.<\/p>\n<p>Inevit\u00e1vel, meus caros, a saudade vir\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; como sempre vem a imensa saudade das coisas que se perderam&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong>Em tempo<\/strong> &#8211;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o assisti a nenhuma produ\u00e7\u00e3o com Paulo Jos\u00e9 no teatro. Foi tocante sua participa\u00e7\u00e3o em O Palha\u00e7o (2011), \u00e9pico filme de Selton Mello e a \u00faltima vez que vi Paulo em cena. <\/em><\/p>\n<p><em>Que me lembre, s\u00f3 uma vez eu vi Tarciz\u00e3o no palco. <\/em><\/p>\n<p><em>Foi em meados dos anos 80, na montagem de Um Dia Muito Especial (adapta\u00e7\u00e3o do filme de Ettore Scola, de 1977). <\/em><\/p>\n<p><em>Tarc\u00edsio contracenava com Gl\u00f3ria Menezes. <\/em><\/p>\n<p><em>Para ser bem sincero, recordo quase nada da pe\u00e7a em si. <\/em><\/p>\n<p><em>Lembro apenas que, \u00e0 sa\u00edda do espet\u00e1culo, um senhor comentou em voz alta e todos ao redor pudemos ouvir: <\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Quando vejo o Tarc\u00edsio e a Gl\u00f3ria juntos, eles me representam a encarna\u00e7\u00e3o do amor. Precisa mais?&#8221;. <\/em><\/p>\n<p><em>Faz todo o sentido&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto:\u00a0Instagram\/@paulojose_fc<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Paulo e Tarc\u00edsio se foram&#8230;<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 e dadas as malfadas circunst\u00e2ncias que o Planeta e, mais duramente, este naco de terra chamado Brasil atravessam,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":25571,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[2085,124,135,2084,2083,1906],"class_list":["post-25570","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-atores","tag-cultura","tag-memoria","tag-paulo-jose","tag-tarcisio-meira","tag-teatro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25570"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25579,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25570\/revisions\/25579"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25571"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}