{"id":25587,"date":"1979-06-08T02:52:22","date_gmt":"1979-06-08T02:52:22","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=25587"},"modified":"2021-08-16T03:26:21","modified_gmt":"2021-08-16T03:26:21","slug":"ney-matogrosso-em-sao-paulo-da-revista-ao-recital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ney-matogrosso-em-sao-paulo-da-revista-ao-recital\/","title":{"rendered":"Ney Matogrosso em S\u00e3o Paulo. Da revista ao recital"},"content":{"rendered":"<p>At\u00e9 domingo, Ney Matogrosso permanece no Teatro Pixinguinha, sempre \u00e0s 21 horas, com o show Feiti\u00e7o que alcan\u00e7ou grande \u00eaxito em sua temporada carioca e na primeira semana em S\u00e3o Paulo. Com base no repert\u00f3rio do elep\u00ea hom\u00f4nimo, lan\u00e7ado em meados de 78, o espet\u00e1culo divide-se em duas partes: uma dedicada ao teatro de revista e outra, um miniconcerto.<\/p>\n<p>\u201cAlgo mais contido. De repente, passei a achar que minha voz tamb\u00e9m \u00e9 importante\u201d como explicou o int\u00e9rprete ao rep\u00f3rter Rodolfo C. Martino, de <em>Gazeta do Ipiranga<\/em>.<\/p>\n<p>Durante a entrevista, al\u00e9m de falar sobre o show, Ney faz um balan\u00e7o de seus quatro anos de carreira solo. Revela que, em julho, come\u00e7a a gravar um disco s\u00f3 com autores do passado como Carlos Gomes, Villa-Lobos, Ari Barroso, Lupic\u00ednio Rodrigues e Vicente Celestino, entre outros. (*)<\/p>\n<p>\u2026<br \/>\n&#8211; <em>Desde abril\/maio de 75, voc\u00ea passou a desenvolver uma carreira solo das mais bem-sucedidas no showbiz local. Quatro anos de estrada, agora, d\u00e1 pra dizer que valeu a pena, Ney?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; S\u00f3 valeu. Para mim, foi muito melhor. De repente, fiquei com uma perspectiva mais ampla de poder dirigir a minha vida. Antes, n\u00e3o. Fazia parte de um grupo e, como tal, ficava restrito \u00e0s v\u00e1rias cabe\u00e7as, v\u00e1rias ideias. Agora, n\u00e3o. Sou eu quem dirige e governa o pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p><em>&#8211; E qual a situa\u00e7\u00e3o hoje do int\u00e9rprete Ney Matogrosso? Como voc\u00ea se situa dentro da MPB?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Costumo dizer que funciono como um elo entre as v\u00e1rias tend\u00eancias. N\u00e3o sou compositor, e vejo isso como uma vantagem. Quando se \u00e9 compositor, deve-se manter uma linha muito definida, um pensamento muito definido e\u2026 linear. Geralmente \u00e9 assim, n\u00e9? Como n\u00e3o sou compositor, tenho mais liberdade para pegar v\u00e1rias ideias, v\u00e1rias tend\u00eancias musicais e funciono como o tal elo. Canto m\u00fasica de todo mundo desde que eu goste e seja de acordo com o que eu pense<em>.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Voc\u00ea se considera uma consequ\u00eancia do tropicalismo ou, quem sabe at\u00e9, uma continuidade daquele movimento?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o me considero uma continuidade. Mas, reconhe\u00e7o que foi o Tropicalismo que permitiu que surgisse depois. Se n\u00e3o houvesse esse movimento, eu n\u00e3o seria absorvido pelo povo como fui. Porque em um dado momento eu fui absorvido mesmo. No come\u00e7o, houve uma certa dificuldade. Mas, agora n\u00e3o\u2026<\/p>\n<p><em>&#8211; A prop\u00f3sito, o que voc\u00ea achou da recente volta dos Secos &amp; Molhados?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sempre esperei por uma volta do grupo. Mas, confesso, esperava algo completamente diferente. Sempre achei que nesse novo momento o grupo n\u00e3o deveria lembrar o antigo. A\u00ed, creio, que foi o furo. Ano passado, quando me apresentava no Nordeste, o pessoal chegou a pedir para que eu cantasse \u201cQue Fim Levaram Todas As Flores\u201d. Quer dizer, indiretamente, estavam me promovendo, me lembrando o tempo todo.<\/p>\n<p><em>&#8211; Em sete anos, muita coisa muda, n\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Claro, gente. Em sete anos, muita \u00e1gua rola, as cabe\u00e7as mudam, o comportamento mudou, tudo mudou. Uma coisa que deu certo sete anos atr\u00e1s j\u00e1 envelheceu. N\u00e3o traz mais nenhuma novidade. Eu n\u00e3o sou mais uma novidade. Por mais ousado que seja, por mais que as pessoas ainda se choquem comigo, eu n\u00e3o sou mais uma novidade. Eles v\u00e3o me ver sabendo que podem at\u00e9 se chocar. Ent\u00e3o, j\u00e1 v\u00e3o para o show preparados.<\/p>\n<p><em>&#8211; Ney, por favor, fa\u00e7a a\u00ed um balan\u00e7o dos seus discos individuais\u2026<\/em><\/p>\n<p>&#8211; O primeiro trabalho, <em>Homem de Neandertal<\/em>, eu gosto muito. Acho muito bonito. Gosto muito. \u00c9 verdade que fui muito radical porque andava tenso. Era a primeira coisa que fazia individualmente, ent\u00e3o pintou a pergunta a ser respondida: ser\u00e1 que fico ou n\u00e3o? Nessa, fiz um disco radical, tenso; embora, n\u00e3o seja radical em nada. <em>Bandido<\/em>, o segundo elep\u00ea, j\u00e1 foi mais descontra\u00eddo. Tinha a certeza absoluta do que fazia. N\u00e3o precisava confirmar nada. Era apenas mais um trabalho. Ent\u00e3o, fiquei mais \u00e0 vontade. A bem da verdade, sempre coloquei os shows como mais importante que os discos. No entanto, em <em>Feiti\u00e7o<\/em>, o disco do ano passado, eu j\u00e1 consegui dar quase a mesma import\u00e2ncia que dou aos shows ao vivo. Sinto que rendo muito mais ao vivo. N\u00e3o me iludo. Acho que no est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o nunca vou ser aquele que sou no palco, ao vivo. Ou melhor, nunca vou conseguir passar as emo\u00e7\u00f5es que passo em um show. O registro em disco \u00e9 frio, \u00e9 uma m\u00e1quina \u00e0 sua frente. Voc\u00ea n\u00e3o pode nem se mexer. Tem que ficar a um palmo do microfone. Saiu dali j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 mais certo. No palco, n\u00e3o. Voc\u00ea se permite. Permite-se at\u00e9 a errar, pois tem a emo\u00e7\u00e3o que envolve tudo aquilo.<\/p>\n<p><em>&#8211; Voc\u00ea pulou <\/em>Pecado<em>, seu terceiro \u00e1lbum.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; (Ney sorri, hesita e, por fim, responde.) \u00c9 que <em>Pecado<\/em> eu nem conto. Acho um disco p\u00e9ssimo. Gosto do repert\u00f3rio, da capa. Mas, o resultado final do disco \u00e9\u2026 muito ruim. O som \u00e9 ruim. Mal mixado. P\u00e9ssimo. Um pavor.<\/p>\n<p><em>&#8211; O que representou sua mudan\u00e7a para a Warner. Falam at\u00e9 que, a partir de ent\u00e3o, surgiu um novo cantor a explorar agudos e graves com a mesma precis\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Calhou de, no momento, eu procurar essa coisa na minha voz e mudar de gravadora e fazer um disco com boa produ\u00e7\u00e3o, bem acabado, com uma sonoridade n\u00edtida, clara\u2026 Como cantor, pude me buscar mais, usar os recursos da minha voz que s\u00e3o grandes e eu utilizava s\u00f3 uma parte. Usava s\u00f3 a parte aguda da minha voz quando tenho a parte m\u00e9dia e a parte grave que nunca foram usadas. Nesse disco, eu pude usar. E pretendo continuar usando. J\u00e1 que tenho por que n\u00e3o usar?<\/p>\n<p><em>&#8211; Voc\u00ea considera Feiti\u00e7o seu melhor disco at\u00e9 aqui?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Acho que nesse trabalho est\u00e1 tudo muito bem equilibrado. Pode n\u00e3o ser o que eu mais goste. No entanto, em termos t\u00e9cnicos, \u00e9 o melhor.<\/p>\n<p>&#8211;<em> O que ocorreu de fato sobre a libera\u00e7\u00e3o da capa de <\/em>Feiti\u00e7o<em> pela censura?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Uma bobagem. Chegaram a recolher alguns discos porque apare\u00e7o nu (na verdade, seminu) na capa interna do \u00e1lbum. Mas, em seguida, liberaram com lacre. Quer dizer, o disco n\u00e3o pode ser exposto aberto em locais p\u00fablicos, vitrines, essas coisas.<\/p>\n<p><em>&#8211; E o seu show atual, vamos falar sobre ele?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Eu o dividi em duas partes. Uma delas \u00e9 bem teatro de revista e a outra quis que fosse, assim, um concerto ou um miniconcerto. Algo mais contido que \u00e9 para onde eu me encaminho. Acho que \u00e9 essa a nova dire\u00e7\u00e3o do meu trabalho.<\/p>\n<p><em>&#8211; Uma mudan\u00e7a significativa, n\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Olha, eu estou meio cansado\u2026 De repente, penso que mostrar a minha voz tamb\u00e9m \u00e9 importante. Quero que, artisticamente, j\u00e1 no pr\u00f3ximo trabalho a minha voz seja a coisa mais importante. O corpo ser\u00e1 apenas uma coisa complementar. Por enquanto, estou metade\/metade: corpo e voz.<\/p>\n<p><em>&#8211; Voc\u00ea tem um estilo bastante diferente. J\u00e1 surgiu com essa marca no Secos &amp; Molhados\u2026<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Vim do teatro. Por coincid\u00eancia todas as pe\u00e7as em que trabalhei eram musicais. Eu cantava e dan\u00e7ava. Ent\u00e3o, quando virei cantor, e foi uma coisa assim mais ou menos ao acaso, eu me baseei nessa experi\u00eancia anterior. Depois, tem outro aspecto: sempre que assistia a um show, senti a necessidade de ver alguma coisa \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 ouvir. Algo mais visual que completasse o que ouvia. Mas, na verdade, \u00e9 algo bem pessoal, que n\u00e3o sei explicar. Na base da intui\u00e7\u00e3o mesmo, sabe?<\/p>\n<p><em>&#8211; Como est\u00e1 o seu esquema de trabalho at\u00e9 o final deste ano?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; O show em S\u00e3o Paulo termina neste fim de semana. A\u00ed, vou dar uma parada. Em, julho, percorro todo o interior de S\u00e3o Paulo Paro em agosto, setembro e outubro para gravar um novo disco. No final de outubro, come\u00e7o o circuito de shows no Nordeste que vai at\u00e9 2 de dezembro.<\/p>\n<p><em>&#8211; No plano internacional, tem algo?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Existem a\u00ed algumas propostas tanto para a Am\u00e9rica do Sul quanto para a Europa. Particularmente, gostaria de fazer Am\u00e9rica do Sul. Acho que para o meu trabalho seria mais \u00fatil, mais importante. Mas, n\u00e3o h\u00e1 nada confirmado ainda.<\/p>\n<p><em>&#8211; E como vai ser o novo disco?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Pedi para o pessoal da Warner ir selecionando o repert\u00f3rio de alguns compositores. Na verdade, gosto eu mesmo de escolher as m\u00fasicas que canto. Mas, agora, estou sem tempo para isso. Ent\u00e3o, pedi algumas m\u00fasicas de determinados compositores que quero incluir nesse trabalho. Vou cantar alguma coisa de \u201cO Guarani\u201d de Carlos Gomes. Penso nas serestas de Villa-Lobos, inclusive tenho algumas in\u00e9ditas. Mais Ari Barroso, Lupic\u00ednio Rodrigues e Vicente Celestino. Essa \u00e9 a base. Mas \u00e9 poss\u00edvel que se abra para outros nomes.<\/p>\n<p><em>&#8211; E do pessoal mais novo? Nada?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Neste disco, especificamente, quero trabalhar em cima deste lado da m\u00fasica popular. \u00c9 bem prov\u00e1vel que nos shows futuros eu acrescente uma ou outra coisa mais moderna ao repert\u00f3rio. Mas, a ideia \u00e9 que no disco fiquemos por a\u00ed.<\/p>\n<p><em>&#8211; Ney, sua carreira se desenvolveu paralela \u00e0 chamada gera\u00e7\u00e3o de briga. Um grupo de cantores\/compositores que muitas queixas contra a censura, contra a repress\u00e3o. De alguma forma, a censura interferiu em seu trabalho?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sempre fiz meu trabalho indiferente da censura. Se ela existe que v\u00e1 cumprir o seu papel. N\u00e3o canto pensando nela. Fa\u00e7o meu trabalho do jeito que acho que deve ser feito. Agora, se eles da censura v\u00eam e me cortam\u2026 A\u00ed \u00e9 um problema deles.<\/p>\n<p><em>&#8211; Na televis\u00e3o, parece que houve uma certa insist\u00eancia em proibir suas apari\u00e7\u00f5es\u2026<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Foi o maior grilo. N\u00e3o podia aparecer de jeito nenhum na TV. Tudo era grilo. Quando a gente surgiu aqui em S\u00e3o Paulo n\u00e3o podia nem sequer aparecer de olho pintado. A censura n\u00e3o deixava porque pintar o olho era coisa de mulher. Meu cabelo preso tamb\u00e9m n\u00e3o podia. Era coisa de mulher prender o cabelo. Nada podia. N\u00e3o dei ouvidos. Nada afetou minhas apresenta\u00e7\u00f5es. Uai\u2026 N\u00e3o quer me mostrar inteiro, n\u00e3o mostra. N\u00e3o quer mostrar meu quadril remexendo, n\u00e3o mostra. Agora, eu vou continuar me mexendo. Eles que ficassem mostrando minha cara o tempo inteiro, minha boca, meus olhos\u2026 Agora, vou continuar cantando como eu sei. Problemas deles. Simples assim.<\/p>\n<p><em>&#8211; Esses impasses geraram alguns problemas com o ve\u00edculo televis\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Da minha parte, n\u00e3o. Absolutamente. N\u00e3o \u00e9 o que mais gosto de fazer, mas fa\u00e7o. Sou mais teatro, sabe? Mas, fa\u00e7o televis\u00e3o sem problemas.<\/p>\n<p><em>&#8211; \u00c9 verdade que voc\u00ea tem planos para atua\u00e7\u00f5es em teatro e cinema?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Ah, sim. S\u00e3o coisas que quero fazer integralmente, e n\u00e3o apenas com o tempo que me sobra. Quero me dedicar inteiramente. Ent\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 para fazer j\u00e1. Cinema, talvez, eu consiga fazer paralelamente. Agora, teatro \u00e9 coisa que eu teria que parar e me dedicar plenamente, tempo integral.<\/p>\n<p><em>&#8211; Ney, as tais \u2018patrulhas ideol\u00f3gicas\u2019 lhe cobram um posicionamento mais efetivo?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Cobrar me cobram. Mas, n\u00e3o sou obrigado a corresponder aos anseios das pessoas. E depois pol\u00edtica \u00e9 uma coisa em que n\u00e3o acredito. Nem acho que seja solu\u00e7\u00e3o para nada. Nunca solucionou problema algum. Ent\u00e3o, n\u00e3o me vejo obrigado a me envolver com algo em que n\u00e3o acredito. Para ser coerente comigo mesmo, n\u00e3o me envolvo. N\u00e3o vejo nada mudar. Entra governo, sai governo e tudo permanece igual. N\u00e3o posso mesmo acreditar nisso. Ali\u00e1s, s\u00f3 vou acreditar no momento em que as coisas mudarem para melhor, quando as pessoas passarem a viver com o m\u00ednimo necess\u00e1rio de dec\u00eancia.<\/p>\n<p><em>&#8211; E o que voc\u00ea da ca\u00e7a \u00e0s bruxas que as tais \u2018patrulhas\u2019 desenvolvem sistematicamente?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Os que est\u00e3o ca\u00e7ando hoje, cuidado. Amanh\u00e3 s\u00e3o eles que podem estar sendo ca\u00e7ados. Normalmente \u00e9 isso o que acontece. Regra geral: d\u00e1 agora para tomar depois.<\/p>\n<p><em>&#8211; Ney, defina: qual a fun\u00e7\u00e3o de um int\u00e9rprete em nossos dias?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Olha\u2026N\u00e3o sei qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do artista, do int\u00e9rprete. Sei qual a minha fun\u00e7\u00e3o, a que me doo, a que acho que \u00e9 a minha. Sou uma pessoa muito desreprimida, e \u00e9 isso que pretendo passar para todos. N\u00e3o fico por a\u00ed a levantar o estandarte \u201cFa\u00e7a o Que Eu Fa\u00e7o\u201d. Nada disso. Na verdade, \u00e9 fa\u00e7a o que quiser fazer. Mas, fique atento para que consiga fazer o que quiser fazer. Procuro ser um desopressor. Liberdade \u00e9 mais. Liberdade ampla \u2013 e sempre! Liberdade espiritual, inclusive. Sabe? A gente \u00e9 livre. O esp\u00edrito \u00e9 livre. Por consequ\u00eancia, voc\u00ea pode, mesmo diante de tudo o que a\u00ed est\u00e1, se entender um indiv\u00edduo livre. Ningu\u00e9m precisa esperar que o outro lhe diga: \u201cEstou de acordo\u201d.<\/p>\n<p><em>&#8211; \u00c9 verdade que voc\u00ea, \u00e0 \u00e9poca do lan\u00e7amento dos Secos &amp; Molhados, queria adotar o codinome B-250 por causa da timidez?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Eu n\u00e3o queria ter um nome. Queria ter um n\u00famero. B-250. \u00c0 \u00e9poca dos Secos &amp; Molhados, eu n\u00e3o tinha rosto. Era uma m\u00e1scara \u2013 um pouco por timidez, outro tanto porque as pessoas ficavam dizendo que eu seria consumido. Inapelavelmente consumido. Ent\u00e3o, passei a acreditar que essa era a melhor solu\u00e7\u00e3o. Um n\u00famero: B-250.<\/p>\n<p><em>&#8211; N\u00e3o lhe parece estranho falar em timidez, inibi\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea que, no palco, se mostra t\u00e3o seguro de si, desembara\u00e7ado a ponto de muitas vezes chocar as pessoas?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Ah, mas, eu acho que as pessoas mais t\u00edmidas s\u00e3o as mais perigosas.<\/p>\n<p>&#8211;<em>\u00a0Para encerrar a entrevista, agora \u00e9 assistir a Ney Matogrosso em <\/em>Feiti\u00e7o<em> e esperar pela nova fase do int\u00e9rprete, os novos caminhos\u2026<\/em><\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o sei lhe dizer\u00a0 quais os caminhos que percorri e que percorro. Sei que vou por a\u00ed. Minha intui\u00e7\u00e3o me guia. N\u00e3o tenho medo de ousar. Entro e saio de qualquer uma. A qualquer momento. Sem grilos.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-HVawt7FE4A\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><em>(*) O projeto de Ney Matogrosso &#8211; gravar autores tradicionais como Carlos Gomes, Heitor Villa-Lobos, Vicente Celestino e que tais &#8211; para o disco de 1979 foram adiados. Em seu lugar, Ney gravou o \u00e1lbum Seu Tipo que fez um relativo sucesso de p\u00fablico e foi recebido, com ressalvas, pela cr\u00edtica especializada. Al\u00e9m da faixa t\u00edtulo, de autoria de Lu\u00eds Carlos G\u00f3es\u00a0 e Duardo Duzek, o repert\u00f3rio trouxe quase todos autores da gera\u00e7\u00e3o surgida nos anos 70 como Luli e Lucina (&#8216;Me R\u00f3i&#8217;), F\u00e1tima Guedes (&#8216;Dor Medonha&#8217;), Joyce (&#8216;Ardente&#8217;), Mauro Kwitko (&#8216;\u00daltimo Drama&#8217;), entre outros. De autores cl\u00e1ssicos, incluiu Tom Jobim (&#8216;Falando de Amor&#8217;), uma releitura de &#8216;Rosa de Hiroshima&#8217;, poema musicado de Vinicius de Moraes\u00a0 e uma das raras vers\u00f5es assinadas por Caetano Veloso (&#8216;Encantado&#8217;) para &#8216;Nature Boy&#8221;, de Eden Ahbez.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 domingo, Ney Matogrosso permanece no Teatro Pixinguinha, sempre \u00e0s 21 horas, com o show Feiti\u00e7o que alcan\u00e7ou grande \u00eaxito em sua temporada carioca e na primeira semana em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":25588,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[128,2088,42,721],"class_list":["post-25587","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-leia-esta-cancao","tag-entrevista","tag-feitico","tag-gazeta-do-ipiranga","tag-ney-matogrosso"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25587"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25587\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25591,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25587\/revisions\/25591"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25588"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}