{"id":25910,"date":"2021-09-28T13:48:24","date_gmt":"2021-09-28T13:48:24","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=25910"},"modified":"2021-09-28T14:05:50","modified_gmt":"2021-09-28T14:05:50","slug":"encontro-marcado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/encontro-marcado\/","title":{"rendered":"Encontro marcado"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Meus caros&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o houve escapat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Rever (ou reler?) Eduardo Marciano depois de longos anos (30 ou mais) foi barra.<\/p>\n<p>Causou um estranhamento.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Natural?<\/p>\n<p>Sei, n\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Somos contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>Anos 50. O p\u00f3s-guerra, as inconst\u00e2ncias de um mundo novo (ou ao menos a promessa v\u00e3), o existencialismo, as conven\u00e7\u00f5es, a \u00e2nsia descabida de viver intensamente:<\/p>\n<p>&#8220;Uma esp\u00e9cie de polifonia liter\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0 noite, juntavam-se aos literatos do jornal. N\u00e3o havia ali quem n\u00e3o tivesse algo in\u00e9dito que seria o melhor do pa\u00eds, no dizer dos demais.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Abaixo a literatura de gabinete!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Os g\u00eanios incompreendidos.&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Reitero o estranhamento no almejado (e, por vezes, adiado) reencontro.<\/p>\n<p>Mal o reconhe\u00e7o.<\/p>\n<p>Ou melhor seria dizer, mal nos reconhecemos.<\/p>\n<p>Tantos anos&#8230;<\/p>\n<p>O mundo mudou\u00a0 a perspectiva do nosso olhar.<\/p>\n<p>O mundo mudou&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; embora (ou apesar de que) sejamos os mesmos.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Permita-me, Eduardo, uma digress\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu entendia que havia muito do Sabino em voc\u00ea. Na coisas que diz, na trajet\u00f3ria, no ir-e-vir Minas\/Rio, os amigos, a literatura, a arte:<\/p>\n<p>&#8220;O artista \u00e9 o profeta do passado.&#8221;<\/p>\n<p>Algu\u00e9m &#8211; a professora de Literatura, talvez &#8211; me soprou que um era o alter ego do outro.<\/p>\n<p>&#8211; Uma gera\u00e7\u00e3o atormentada.<\/p>\n<p>&#8220;Pior do que morrer \u00e9 nunca ter nascido.&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Conto \u00e9 tudo o que chamamos de conto.<\/p>\n<p>De quem \u00e9 a frase?<\/p>\n<p>De qualquer forma, Eduardo, n\u00e3o me lembro de v\u00ea-lo assim t\u00e3o perturbado e perturbador, algo desvalido nas a\u00e7\u00f5es e, desculpe a sinceridade, desastrado consigo mesmo e os seus pares.<\/p>\n<p>&#8220;Dizer o indiz\u00edvel? O sil\u00eancio \u00e9 a linguagem de Deus. A linguagem do homem \u00e9 dif\u00edcil, retorcida, suja, atormentada.Tudo o que se escreve \u00e9 apenas uma par\u00f3dia do que j\u00e1 est\u00e1 escrito e ningu\u00e9m \u00e9 capaz de escrever.Tudo o que se v\u00ea \u00e9 apenas uma proje\u00e7\u00e3o do que n\u00e3o se v\u00ea, sua verdadeira natureza e subst\u00e2ncia.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Basta olhar para as minhas m\u00e3os para sentir que elas ocupam o lugar\u00a0 das m\u00e3os de Deus&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Metaf\u00edsica \u00e0 parte, este \u00e9 um Sr. Eduardo Marciano que, de boa, desconhecia.<\/p>\n<p>D\u00e1 para entender.<\/p>\n<p>Quando somos mais jovens, n\u00e3o analisamos, como diz voc\u00ea:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o analisa.&#8221;<\/p>\n<p>Temos pressa. Muita pressa.<\/p>\n<p>Vivemos &#8211; e basta!<\/p>\n<p>Pecamos pelas generaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Nem Nietzsche leu o que Nietzsche escreveu.&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Sempre tive Sabino por refer\u00eancia.<\/p>\n<p>Da\u00ed que, \u00e0 primeira vista, n\u00e3o foi (e n\u00e3o \u00e9) problema simpatizar com Eduardo Marciano, o funcion\u00e1rio nomeado da Prefeitura do Rio de Janeiro nos tempos da Bela Cap, articulista e colaborador de jornais, especialista em escrever sobre a arte de escrever um romance.<\/p>\n<p>Que, a bem da verdade, ele, Eduardo, nunca escreveu.<\/p>\n<p>Mas deu vida a uma das grandes obras da nossa vasta literatura.<\/p>\n<p>Um personagem do seu tempo.<\/p>\n<p>O protagonista do \u00fanico romance <em>Encontro Marcado<\/em>, de autoria de Fernando Sabino (1923\/2004), que acabo de reler e me encantar.<\/p>\n<p>Recomendo.<\/p>\n<p>Vale a leitura!<\/p>\n<p>Valeu a releitura!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rl0bhsKQx_o\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Meus caros&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o houve escapat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Rever (ou reler?) 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