{"id":26061,"date":"2021-10-21T06:15:10","date_gmt":"2021-10-21T06:15:10","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=26061"},"modified":"2021-10-21T13:54:10","modified_gmt":"2021-10-21T13:54:10","slug":"palavras-ao-vento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/palavras-ao-vento\/","title":{"rendered":"Palavras ao vento&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 dias que s\u00e3o assim&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; e passam que passam.<\/p>\n<p>De t\u00e3o iguais, uns aos outros, a gente nem sequer consegue dar conta que existimos dentro deles.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se acontece com voc\u00ea, mas comigo \u00e9 assim.<\/p>\n<p>S\u00f3 muito l\u00e1 pra frente vou atentar para o enigma que distrai e concentra e renova e matiza o tal e o qual preciso instante que, de t\u00e3o m\u00e1gico, me faz perguntar ao Sr. Tempo:<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que fui eu mesmo que o vivi?<\/p>\n<p>Ou apenas imaginei ter vivido?&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Dou-lhe um exemplo com \u00f3bvio gosto de mem\u00f3ria:<\/p>\n<p>Meados dos anos 90, jornal na gr\u00e1fica, a turma da velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado resolveu &#8216;fechar&#8217; a noite num restaurante italiano nas imedia\u00e7\u00f5es da Avenida Paulista.<\/p>\n<p>Presumo hoje que tenha sido pr\u00f3ximo ao dia 25 de um m\u00eas qualquer, data do adiantamento de parte do sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Era s\u00f3 um encontro de amigos, uma confraterniza\u00e7\u00e3o aleat\u00f3ria e espont\u00e2nea, sem refer\u00eancia a este ou aquele motivo, esta ou aquela efem\u00e9ride.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m sapecou a bem vinda sugest\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Vamos jantar na Cantina de Lucca?<\/p>\n<p>Outro topou, e mais outro e mais outro&#8230;<\/p>\n<p>Pronto.<\/p>\n<p>Formou-se, noite adentro, o que cham\u00e1vamos de o Incr\u00edvel Ex\u00e9rcito de Brancaleone.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O jornal vivia uma fase, digamos, meio estranha.<\/p>\n<p>As p\u00e1ginas andavam recheadas de an\u00fancios. Mas, por op\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o, estava cada vez mais escasso o espa\u00e7o para a reda\u00e7\u00e3o. Muito desproporcional a rela\u00e7\u00e3o not\u00edcia\/publicidade. Comprometia inclusive o visual gr\u00e1fico e editorial.<\/p>\n<p>Como diretor de Reda\u00e7\u00e3o, era voto vencido nas reuni\u00f5es. Meus argumentos &#8211; em prol do que entendia ser necess\u00e1rio para a pr\u00e1tica do bom jornalismo &#8211; eram protelados, quando n\u00e3o ignorados com a justificativa de sempre:<\/p>\n<p>&#8211; Estamos garantindo o sal\u00e1rio de todos voc\u00eas!<\/p>\n<p>Patr\u00e3o bom nasce morto &#8211; lembrei o grande mestre Z\u00e9 Jofre em tempos idos a enfrentar a inef\u00e1vel quest\u00e3o: quem \u00e9 quem dentro de uma empresa de comunica\u00e7\u00e3o, Igreja ou Estado?<\/p>\n<p>De minha parte, acrescentaria que, infelizmente, quando se trata de faturar em pr\u00f3prio benef\u00edcio, os senhores-da-grana, todos, se parecem.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A reportada ficava furiosa.<\/p>\n<p>Mas, me dava aquela for\u00e7a.<\/p>\n<p>Estavam com a minha causa (ou melhor, a nossa causa) e n\u00e3o abriam.<\/p>\n<p>Quase todos eram formados pela Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo &#8211; e, naquela madrugada, l\u00e1 pelas tantas, para me dar um moral, algu\u00e9m aventou a possibilidade que eu nunca havia sequer cogitado e, ent\u00e3o, achava imposs\u00edvel:<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 pensaram se o Rodolfo fosse o editor-chefe do <em>Rudge Ramos Jornal?\u00a0<\/em>\u00a0L\u00e1, ele n\u00e3o teria esse problema de falta de espa\u00e7o. O jornal n\u00e3o tem an\u00fancio. Todas as p\u00e1ginas s\u00e3o para o exerc\u00edcio da reportagem. Seria show, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Explica-se: o <em>RRJ<\/em> era o jornal laborat\u00f3rio do estudantes de jornalismo da Metodista. De circula\u00e7\u00e3o gratuita e semanal no bairro de Rudge Ramos e imedia\u00e7\u00f5es, S\u00e3o Bernardo do Campo, onde se situa a Universidade. Tinha 25 mil exemplares, de 8 a 12 p\u00e1ginas. Com professores\/editores que supervisionavam o trabalho dos jovens.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O que faz algumas ta\u00e7as de vinho a mais&#8230;<\/p>\n<p>Todos concordaram.<\/p>\n<p>E riram.<\/p>\n<p>E ,incr\u00edvel, aplaudiram a ideia<\/p>\n<p>Lembraram seus tempos de <em>Rudge,\u00a0<\/em>a primeira experi\u00eancia como rep\u00f3rteres, a emo\u00e7\u00e3o de ver o nome grafado em letras impressas e cousa e lousa e maripo(u)sa.<\/p>\n<p>Houve quem fizesse arremedo, em tom professoral, dos bord\u00f5es (impublic\u00e1veis) que eu usava nas horas mais incandescentes dos &#8216;fechamentos&#8217; &#8211; e por a\u00ed foi.<\/p>\n<p>Uma farra!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Acredite se quiser, am\u00e1vel leito, amada leitora, coisa de dois ou tr\u00eas anos depois o <em>Rudge Ramos Jornal<\/em> foi minha porta de entrada na Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo, onde fiquei por 20 anos &#8211; sete deles no <em>RRJ<\/em>, 5 como editor-chefe.<\/p>\n<p>(Outros 13 anos atuei como coordenador do curso.)<\/p>\n<p>Para quem acredita nas b\u00ean\u00e7\u00e3os das boas palavras jogadas ao vento numa noite feliz, eis que cumpriu-se o mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SfDQwrDbsq4\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 dias que s\u00e3o assim&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; e passam que passam.<\/p>\n<p>De t\u00e3o iguais, uns aos outros, a gente nem sequer consegue dar conta que existimos dentro deles.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19294,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[134,385,44,2253,1354,2254],"class_list":["post-26061","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-a-noitada","tag-a-velha-redacao","tag-jornalismo","tag-palavras-ao-vento","tag-rudge-ramos-jornal","tag-universidade-metodista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26061"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26061\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26070,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26061\/revisions\/26070"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}